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Uso de Medicamentos na Prática Clínica Médica

A prescrição de medicamentos é uma atividade importante para o processo de cuidados assistenciais aos pacientes e representa ação médica fundamental. A grande quantidade de fármacos e produtos comerciais disponíveis no mercado, os freqüentes lançamentos e a enorme quantidade de interações medicamentosas e efeitos adversos faz com que esta importante etapa do processo de atendimento seja susceptível a erros18.

Levantamentos realizados estimam que os custos relacionados com a morbidade e mortalidade nos EUA devido ao uso equivocado de medicamentos estejam em torno de 136 bilhões de dólares ao ano34, e que as reações adversas às drogas possam ser classificadas numa faixa entre quarta e sexta maior causa de morte, em 1994, nos hospitais americanos38.

Outros estudos realizados em dois hospitais da Universidade de Harvard abordaram retrospectivamente a incidência de efeitos adversos produzidos por medicamentos num período de seis meses. Das 4.031 admissões hospitalares estudadas, foram detectados efeitos adversos em 6,5% dos casos e identificados potenciais efeitos adversos antes da administração do medicamento em 5,5%. Os efeitos adversos levaram ao óbito em 1% das admissões; ofereceram risco de vida em 12%; e 30% foram considerados graves7. O que chama a atenção é o fato de que, destes efeitos adversos, 28% foram considerados como passíveis de prevenção durante a fase da prescrição do medicamento.

Apesar dos sistemas informatizados para prescrição de medicamentos serem um instrumento importante para auxiliar na tomada de decisão, ainda não é comum o seu uso. Estima se que, nos Estados Unidos, no ano de 1998, somente 1% das prescrições foi feita pelos médicos utilizando computadores51.

O emprego de um sistema computadorizado para prescrição de medicamentos associados a efeitos adversos já foi pauta de discussões. Nos EUA, houve um debate para decidir se este tipo de programa deveria ser avaliado e aprovado preliminarmente pela Food and Drug Administration (FDA). Os debatedores concluíram que existe uma analogia entre o sistema de informação computadorizada e outras fontes de informação médica, como livro texto, e que a FDA não precisaria regulamentar software para prescrição de medicamentos, uma vez que estes funcionariam como fonte de informação computadorizada, sem interferir diretamente no contexto do processo de conduta médica52.

 
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