Modelo de Ambulatório Virtual e Tutor Eletrônico para Aplicação na Interconsulta Médica, e Educação à Distância Mediada por Tecnologia
Recursos Didáticos na Educação Médica

O surgimento da interface computacional gráfica foi e ainda é um dos fundamentos que proporcionaram evoluções para a aplicação da TM. O surgimento, difusão e melhoria do Windows e dos microcomputadores PC contribuíram muito para a popularização dos meios computacionais gráficos que, além de facilitar o uso dos programas, tornando-os mais intuitivos, agregaram recursos de imagens e multimídia. Embora esteja ficando cada vez mais freqüente o uso de microcomputadores e projetores multimídia como recurso audiovisual nas apresentações médicas, seja nas faculdades ou nos congressos e reuniões científicas, este fato não significa necessariamente que se esteja aproveitando os potenciais dos sistemas computacionais na educação. Na maior parte das vezes, o microcomputador é usado apenas como substituto aos projetores de slide, acrescentando-se pouco em relação aos equipamentos convencionais, somente adicionando algum dinamismo, mas sem implementação de novos recursos iconográficos.

Há uma década atrás, o desafio tecnológico era tornar as imagens digitais com qualidade (cor e resolução) para aplicação no dia-a-dia, desenvolvendo protocolos de compactação que as tornassem suficientemente pequenas, sem perder a definição, possibilitando maior facilidade de armazenamento e transferência, mesmo pela Internet. Hoje, podemos dizer que já existe um padrão internacional para as imagens digitais, que permite compactar significativamente os arquivos sem grande perda de qualidade e gerenciar 16 milhões de tons de cores naturais. Este padrão é o JPG, um formato amplamente utilizado na Internet e nas máquinas fotográficas digitais. Superado este problema, surgiu outro desafio: estabelecer padrões para os vídeos dinâmicos, que pudessem também reduzir o seu tamanho e melhorar a sua qualidade. A questão era que os vídeos consumiam grande quantidade de memória.

Assim como as imagens digitais, no início os vídeos tinham diversos formatos diferentes. Atualmente, porém, os padrões têm confluído para o formato Mpeg. Inicialmente, o Mpeg1 foi um padrão importante de compactação para os formatos analógicos, evoluindo para o padrão Mpeg2, que incorporou a qualidade de imagem digital no seu protocolo e passou a ser utilizado na transmissão por televisão a cabo e aparelhos de teleconferência. Já em 2001, popularizou-se o padrão Mpeg3, que representou uma revolução no mundo do áudio, pois viabilizou a compactação de arquivos de música de forma que pudessem ser transferidos pela Internet sem perder a qualidade do som audível. O equivalente ao Mp3 para música está surgindo para o vídeo (Mpeg4). Além de agregar a capacidade de grande compactação, este padrão inclui em seu protocolo recursos que viabilizam a interatividade, de forma que, durante a execução de um vídeo, seja possível acessar informações armazenadas num banco de dados e interagir com um objeto criado em computação gráfica 3D. Embora ainda não amplamente difundido, o Mpeg4 possibilita a criação de novas iconografias21.

O aumento da capacidade de processamento e memória dos microcomputadores e a melhoria dos sistemas operacionais gráficos e da tecnologia de interface homem-máquina promoveram também o surgimento de várias tecnologias. É o caso das modelagens gráficas 3D utilizadas em filmes infantis e, com uma boa freqüência, nos modernos jogos eletrônicos. A aplicação desta tecnologia tem sido freqüente também na comunicação e propaganda, mas pouco se desenvolveu especificamente para fins de educação médica. Embora se possa encontrar animações baseadas em 3D em enciclopédias e/ou em websites na Internet, falta o uso mais constante das modelagens gráficas para elaborar conceitos ou descrições, em forma gráfica e dinâmica, com nível de detalhamento suficiente para que possa ser utilizada como ferramenta de apoio didático, tanto para formação médica como para orientações a pacientes.

As modelagens 3D, além da sua aplicação para geração de vídeos instrutivos, podem também gerar componentes que, agregados a linguagens de realidade virtual (VRML), permitem a manipulação de estruturas como um objeto real (rotação, ampliação, etc), contando com softwares simples (navegadores de Internet) e equipamentos computacionais comuns.

 
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