Dentro do contexto do Jovem Doutor, pode-se incorporar assuntos tais como
a preservação de ecossistemas e mananciais de água, ou mesmo reciclagem
de "lixos". Estas ações poderão ajudar as comunidades a desenvolverem algumas
dinâmicas que auxiliarão na sustentabilidade do processo.
Trata-se de uma oportunidade de exercício de cidadania e de
iniciação científica, com aplicação prática dos conhecimentos obtidos
em sala de aula, sob a orientação do professores. Proporciona aos alunos
do ensino superior a compreensão das características da atenção básica
em saúde. A partir da interação com estudantes de outras profissões
é possível promover a saúde global das comunidades selecionadas. Para os
alunos do ensino médio, o Projeto Jovem Doutor representa uma chance de
inclusão digital e de aprendizado sobre saúde, por meio de
Cursos de Extensão Universitária. Também possibilita o desenvolvimento
de um papel social na sua própria comunidade, com o conhecimento da infra-estrutura
de saúde da cidade. Ainda permite aprender mais sobre a dinâmica de uma
universidade, na fase da vida que antecede a escolha profissional.
Além destes aspectos, o Jovem Doutor é uma ação da universidade para a sociedade,
a qual estabelece um processo de compromisso social em diversas regiões
e segmentos profissionais. As temáticas abordadas são selecionadas
e desenvolvidas em conjunto com os moradores das comunidades, de
acordo com as necessidades locais, criando um elo de responsabilidade
e motivação.
Para que estas metas sejam alcançadas, é recomendável o envolvimento das
secretarias de educação e de saúde dos municípios. Entre as ferramentas
empregadas no projeto estão: Homem Virtual, vídeos educacionais (Geração Saúde do MEC ou vídeos desenvolvidos pelos alunos), educação a distância,
webconferência, listas de discussão e ambulatório virtual.
Dinâmica do Jovem Doutor
A sistemática é baseada no envolvimento de professores e alunos do ensino
médio indicados pelas suas respectivas escolas. Estes seriam responsáveis
por ministrar palestras e desenvolver atividades nas escolas
e na sua comunidade, em temas sobre saúde, previamente escolhidos. Para
isto, receberiam materiais educacionais (DVD da Geração Saúde
da TV Escola, Projeto
Homem Virtual e outros materiais audiovisuais) e treinamentos
mais completos (pré e pós-exibição). Como Jovens Doutores, seriam escolhidos
alunos do ensino superior, para serem os responsáveis (tutores)
pela interação e acompanhamento das atividades dos grupos de alunos do ensino
médio. Por meio da Teleducação Interativa, os Jovens Doutores desenvolveriam
atividades educacionais, complementariam os conhecimentos dos alunos do
ensino médio, esclareceriam as suas dúvidas e avaliariam a performance deles.
Os Jovens Doutores do ensino superior estariam sob a supervisão dos professores
das faculdades e universidades e, por meio de uma rede de teleducação, os
diferentes grupos de jovens doutores compartilhariam experiências e conhecimentos
entre si.
Uma vez alcançado desempenho suficiente, os alunos do ensino médio, participantes
da iniciativa receberiam um certificado pelo trabalho desenvolvido, divididos
em blocos de 6 meses. Os alunos do ensino superior visitariam periodicamente
as escolas para acompanhar a evolução dos processos.
As escolas que participassem do programa Jovem Doutor receberiam
microcomputadores, que serviriam para formar um laboratório de informática
(benefício para toda a escola), e seriam as ferramentas para a atualização
destes alunos através da Educação a Distância.
Com esta ação, seria formado um mecanismo importante de promoção
de saúde. Além de fornecimento de informações, haveria o comprometimento
das pessoas da própria comunidade em difundir o conhecimento com interação
por educação a distância. Este projeto reuniria aspectos de inclusão digital
com a universalização da telecomunicação e educação a distância em prol
da saúde.
Justificativa
O envolvimento da força estudantil é uma iniciativa importante, pois
além dela representar um grande contingente de potenciais profissionais
que podem ser qualificados rapidamente, sua participação em uma ação para
promoção do bem-estar social é uma das oportunidades que o governo
proporcionaria para a formação de futuros cidadãos. Os jovens terão
a possibilidade de conhecer as diferentes realidades brasileiras e poderão,
sob a supervisão dos diversos professores, desenvolver trabalhos para
promover a melhoria da qualidade de vida das populações visitadas.
A Faculdade de Medicina
da USP já sistematizou um plano de trabalho para promover a melhoria
da qualidade de vida, por meio da ação conjunta entre estudantes
de medicina, odontologia, enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, engenharia,
ciências da computação, arquitetura, entre outros. Envolve a promoção de
educação em prevenção, assistência a doenças primárias e desenvolvimento
de melhoria das condições nutricionais e habitacionais das populações. Quando
devidamente sincronizada com as políticas do Ministério da Saúde, principalmente
sob o escopo da atenção básica, esta atividade possibilitará a inclusão
de um grande contingente de força-tarefa para a promoção da atenção primária,
principalmente em locais remotos.
O envolvimento das universidades, hospitais universitários locais e outras
estruturas de saúde será fundamental para garantir a sustentabilidade do
trabalho a médio e longo prazos. Portanto, o envolvimento e respeito aos
professores e instituições das regiões serão fatores importantes para o
sucesso.
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