Depoimentos
Débora Macéa
O
Projeto Jovem Doutor me encanta por ser muito mais do que parece. À
primeira vista, é um projeto que envolve inclusão digital, prevenção de
doenças e educação em saúde.
Os diferenciais logo aparecem. O primeiro é sua realização. O Projeto
deve ser conduzido por estudantes de graduação, uma força pouco
valorizada nas universidades brasileiras por ser considerada jovem e
“inexperiente”. Entretanto, o que poucos sabem é que os alunos possuem
uma capacidade enorme de criação e, quando bem conduzidos, são capazes
de desenvolver projetos incríveis. Essa é uma característica única do
Projeto Jovem Doutor: a participação dos alunos como agentes principais
da educação. Isso remete a um outro ponto importante: a mudança de
comportamento. Esse fator é sempre esquecido nos métodos atuais de
educação, apesar de ser essencial ao verdadeiro aprendizado.
Todos os participantes do Projeto precisam ter essa mudança
comportamental para que professores, profissionais, alunos da graduação
e do ensino médio ensinem aquilo que sabem e também aprendam o que não
sabem. A troca mútua de conhecimentos ocorre quando não há preconceitos
entre os diferentes níveis de formação e isso exige a mudança de
comportamento.
O que pude ver na viagem foi o crescimento da força estudantil dentro do
grupo do Projeto Jovem Doutor. Todos realmente queriam fazer algo
realmente bom ocorrer da melhor maneira possível. Os alunos mostraram
maturidade e organização para conduzir os treinamentos dos alunos do
ensino médio e da graduação de Manaus, trabalhando em conjunto com os
profissionais. Fiquei muito feliz em ver o crescimento da Liga de
Telemedicina da USP e a consolidação das ligas de Manaus e da UFMG, uma
vez que eu estava presente em 2005, o começo de tudo isso.
Acredito que após essa viagem, o Projeto evoluirá muito, tanto em
Parintins como em Tatuí. Os conceitos do projeto, idealizados pelo
Professor Chao, serão mais bem trabalhados pelos integrantes do grupo,
pois farão parte da convicção de cada um. Acredito que mais uma meta foi
atingida: o início da mudança de comportamento dos participantes do
Jovem Doutor.
A viagem a Manaus também proporcionou a interação entre alunos da UEA/
UFAM, da USP e UFMG e isso é essencial para fortalecer os
relacionamentos. A troca de experiências, o conhecimento das
dificuldades e a vivência da realidade local contribuíram para haver a
construção sólida do projeto. Conviver seis dias com pessoas diferentes,
com as quais apenas convivemos no ambiente de trabalho, abriu para mim
um campo de maior entendimento do modo de agir de cada um. Isso aumenta
o aprendizado e melhora os relacionamentos, levando a uma estrutura
sólida do grupo. Assim, essa viagem realmente será inesquecível para mim
e para o Projeto Jovem Doutor.
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