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Telemática e Telemedicina em apoio à atenção primária no Brasil
Ação nacional é parceria entre ministérios da Saúde e da
Ciência e Tecnologia
Chao Lung Wen
Ana Estela Haddad
Embora muito se fale sobre a utilização da Telemedicina e
Telessaúde para melhorar a eficiência de um sistema de
saúde, e de todos os benefícios que elas podem gerar, cabe
lembrar um fato fundamental: as novas tecnologias somente
obtêm o máximo do seu potencial quando existe um
comprometimento dos recursos humanos no seu uso e uma
efetiva integração entre instituições participantes, no
sentido de somar os esforços para multiplicar os resultados.
Trabalhada desta forma, a tecnologia torna-se um instrumento
eficiente para gerir um macro processo e estratégia, que
facilita a colaboração entre as partes e permite atividades
integradas em uma comunidade. Além disso, um bom projeto de
abrangência nacional deve sempre respeitar as diferenças
regionais, características culturais, geográficas,
sócio-econômicas e de infra-estrutura da cada local.
Para um país de dimensões continentais como o Brasil, é
preciso usar modernos recursos de Telemática e Telemedicina
para promover a integração eficiente e valorização dos
profissionais envolvidos em atividades de saúde para a
população brasileira.
A realidade da saúde no Brasil mudou com a implantação do
Programa de Saúde de Família (PSF). Atualmente, são cerca de
26.000 equipes que dão cobertura a aproximadamente 100
milhões de habitantes, estando presentes em 85% dos 5.507
municípios brasileiros.
O Projeto Nacional de Telessaúde tem por objetivo integrar
as equipes de saúde da família das diversas regiões do país
com os centros universitários de referência, para melhorar a
qualidade dos serviços prestados em atenção primária,
diminuindo o custo de saúde através da qualificação
profissional, redução da quantidade de deslocamentos
desnecessários de pacientes e por meio do aumento de
atividades de prevenção de doenças.
Os estados participantes do projeto inicial serão: Amazonas
(Universidade do Estado do Amazonas/Universidade Federal do
Amazonas), Ceará (Universidade Federal do Ceará), Pernambuco
(Universidade Federal de Pernambuco), Goiás (Universidade
Federal de Goiás), Minas Gerais (Universidade Federal de
Minas Gerais), Rio de Janeiro (Universidade do Estado do Rio
de Janeiro), São Paulo (Faculdade de Medicina da USP), Santa
Catarina (Universidade Federal de Santa Catarina ) e Rio
Grande do Sul (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
Estes estados foram escolhidos para contemplar as cinco regiões
do país e por já apresentarem expertise na área de Telessaúde. A partir de uma parceria entre o
Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência e Tecnologia,
todos os 27 estados brasileiros poderão, mesmo nesta fase
piloto, instalar dois pontos, um dos quais poderá funcionar
futuramente como Núcleo de Telessaúde.
Os núcleos que
integram o projeto piloto estarão incumbidos de prestar
cooperação técnica para o desenvolvimento dos demais. O
Projeto Nacional de Telessaúde aplicado à Atenção Básica foi
pactuado na Comissão Intergestores Tripartite, órgão máximo
de representação das três instâncias do SUS (municipal,
estadual e federal), e está sendo apreciado pelo Conselho
Nacional de Saúde.
As ações do projeto piloto concentram-se na capacitação das
equipes de saúde da família por meio da criação de uma
central educacional usando Teleducação Interativa, com
materiais elaborados pelos importantes centros
universitários do país, e uma biblioteca virtual que ajudará
os profissionais do PSF a terem acesso às mais atualizadas
informações científicas, e o que há de melhor em evidência
científica.
As atividades de prevenção de doenças são uma das
prioridades, e serão empregados recursos audiovisuais de
fácil compreensão (Projeto Homem Virtual e Geração Saúde)
para que os profissionais do PSF possam motivar populações a
comprometerem–se para a melhoria da qualidade de vida da sua
comunidade.
O apoio especializado através da segunda opinião educacional
facilitará com que as equipes do PSF possam ter acesso a
orientações profissionais para solução dos problemas, sem
necessidade de deslocamento físico. É um moderno meio de
formar profissionais de acordo com as necessidades da sua
região. Agiliza-se as tomadas de decisão através da
integração dos pontos de PSF com os centros universitários
de referência.
Criação de uma comunidade para compartilhamento de
experiências, permitindo que as dificuldades e soluções de
uma região possam ser aproveitadas por profissionais de
outras regiões.
Transformando cada equipe de PSF como uma unidade de apoio à
vigilância epidemiológica para o Ministério da Saúde, a
educação continuada e as teleconsultorias alimentam uma
grande e estratégica base de dados para tomadas de decisão
em relação a endemias e epidemias.
Multiprofissionalidade: o projeto prevê a integração das
profissões envolvidas na atenção primária: Medicina,
Odontologia, Enfermagem, agentes comunitários de saúde,
técnicos, entre outros.
Iniciativas
O início da elaboração do projeto ocorreu na primeira
quinzena de dezembro de 2005 e, desde então, por meio de um
esforço do DEGES/SGTES/Ministério da Saúde, foram
desenvolvidas várias ações de envolvimento multisetorial.
Entendendo a necessidade da participação multi-institucional,
de unir os expertises acadêmicos com as necessidades
governamentais de saúde pública, de somar recursos através
de um envolvimento interministerial e de envolver gestores
estaduais e municipais, o Ministério da Saúde fez um grande
esforço de integração. Para isto, desenvolveu várias
iniciativas, sendo algumas das mais importantes:
- Criação da Comissão Permanente de Telessaúde do Ministério
da Saúde, em portaria publicada em 16 de Março de 2006, com
representantes de diversas instituições, órgãos,
universidades e Ministérios. Recentemente (dezembro de
2006), a SGTES incluiu um representante do Conselho
Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde (CBTms) na comissão,
atendendo à solicitação do Presidente da entidade. A
Comissão teve três reuniões em 2006 e constituiu quatro
grupos de trabalhos. A partir do diagnóstico das diversas
ações existentes por iniciativa de diferentes órgãos,
pretende-se buscar a sua articulação, potencializando os
resultados em prol de uma atenção à saúde de maior qualidade
e resolubilidade. A Comissão deverá também propor um plano
nacional de desenvolvimento da Telessaúde no Brasil.
- Criação do Comitê Executivo de Telessaúde, em portaria
publicada em 11 de agosto de 2006, para coordenar e
acompanhar o projeto, e incentivar os trabalhos integrados
entre os diversos núcleos. Em primeira fase, foram
realizadas visitas presenciais a quatro núcleos
participantes do projeto.
- Assinatura do Protocolo de Intenções entre os Ministérios
da Saúde, da Ciência e Tecnologia e da Educação, que
viabilizará a aplicação da RNP (Rede Nacional de Ensino e
Pesquisa) para interligar 32 pontos, para fins de
Telemedicina e Telessaúde, no final de outubro de 2006.
- Promoção de debates em reuniões da Câmara Técnica de
Recursos Humanos em Saúde da Comissão Intergestores
Tripartite/CIT para pactuação do projeto piloto, com
envolvimento do CONASS e CONASEMS, e encaminhamento de
portaria instituindo o Programa Nacional de Telessaúde.
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