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Sexo Parafilias ou perversões sexuais ou transtornos de preferência sexual

Alexandre Saadeh

Este é um capítulo à parte, no que se refere à sexualidade. Apesar de nossas crenças, de sabermos o que é certo ou errado, aqui todas as fronteiras se tornam sutis.

Os autores e os manuais de classificação médica divergem em alguns tópicos na caracterização diagnóstica destes transtornos.

Em linhas gerais, podemos dizer que as parafilias ou transtornos de preferência sexual são distúrbios diretamente relacionados à "escolha" do objeto sexual. O termo escolha está em aspas porque até hoje, apesar de toda contribuição da psicanálise e da biologia, não podemos dizer que a definição de um objeto sexual é totalmente inconsciente, determinada socialmente, ou tem sua origem biológica. O que podemos e devemos afirmar é que esta "escolha" é involuntária.

Na definição do objeto sexual, a pessoa acaba fixando-se ou num determinado comportamento ou fantasia relacionado com qualquer outra coisa que não um outro ser humano adulto - ou adulto jovem -, inteiro e voluntariamente disponível para o ato sexual.

Difícil, não?

Não muito, se pensarmos que fantasias sexuais todos temos, mas elas ocupam uma pequena parte de nossas atividades sexuais, e nos preparam para o ato sexual em si.

Nas parafilias, o ato sexual em si perde a importância tanto para o objeto, quanto para a fantasia.

Segundo autores americanos, só a fantasia duradoura (mais de seis meses) basta para o diagnóstico, não sendo necessário o comportamento - a ação propriamente dita. Só fantasiar de vez em quando, ou usar recursos fantasiosos com a finalidade de incrementar uma relação sexual, não faz de ninguém um parafílico.

Esta característica deve também causar sofrimento psíquico ao indivíduo, para que possamos chamá-lo de parafílico.

Um dado importante, mas que deve - se tomar cuidado com interpretações feministas, é que a quase totalidade das parafilias se dá em homens, muitas vezes heterossexuais.

Tão longa é a lista das possíveis parafilias, quanto a imaginação humana. Aqui, busca-se caracterizar os comportamentos ou fantasias duradouras:

bullet fetichismo
Uso, ou fantasias de uso, de objetos inanimados com a finalidade de estímulo para a realização sexual; muitas vezes os objetos são extensões do corpo humano, como por exemplo, meias ou luvas
 
bullet exibicionismo
Exposição da genitália a estranhos, com o intuito de chocar. Geralmente é um homem heterossexual, muitas vezes casado e com uma vida sexual ativa.
 
bullet pedofilia
Preferência sexual por crianças pré-puberes ou no início da puberdade. Alguns autores estabelecem uma idade máxima de treze anos para a caracterização de pedofilia. O interesse pode ser por meninas, meninos, ou ambos. Se o comportamento é estabelecido por outra criança, ou um adolescente, deve-se tomar muito cuidado para estabelecer este diagnóstico, pois pode se tratar de um acontecimento isolado. As vezes este quadro também pode ser caracterizado como incestuoso.
 
bullet sadomasoquismo
Alguns autores dividem em quadro separados, sadismo e masoquismo, outros não. Envolve submissão e/ou inflição de dor, humilhação ou sofrimento. O sufocamento como forma de aumentar o prazer pode ser incluído como um comportamento sadomasoquista.
 
bullet tranvestismo fetichista
Uso de roupas do sexo oposto para a obtenção de prazer sexual. Geralmente é um homem heterossexual, que após a masturbação ou o ato sexual desvencilha-se das roupas. Não deve ser confundido com o que popularmente chamamos de travesti, que é um homossexual que se veste de mulher com o intuito de atrair outros homens. Nem deve ser confundido, também, com transexual
 
bullet voyeurismo
Ato de observar, sem a anuência ou consentimento, uma pessoa despir-se, ou em atividade sexual. Geralmente é acompanhada de masturbação. Atitudes esparsas de voyeurismo na adolescência é comum e não deve ser considerada anormal. O uso de filmes ou revistas pornográficas para a excitação sexual, também não deve ser considerado patológico ou voyeur, tendo em vista que são confeccionados para esta finalidade

Além destas, muitas outras são possíveis, mas com menor freqüência:

bullet zoofilia
atração por animais,
 
bullet necrofilia
atração por cadáveres,
 
bullet frotteurismo
tocar ou esfregar-se em uma pessoa sem o seu consentimento,

e outras.

Muitas vezes, as alterações de preferência se associam, transformando-se em múltiplas. Por exemplo, um sadomasoquismo com fetichismo, uma pedofilia com voyeurismo, etc.

Os parafílicos sofrem não só psiquicamente, mas também socialmente, pois, em nossa sociedade, estes comportamentos são de difícil aceitação.

Tratamentos existem, mas ainda têm efeitos parciais, e dependendo do tipo de parafilia, quase nenhum.

Em alguns países os parafílicos tentam se associar em grupos, tentando legalizar-se como minorias, a exemplo do que aconteceu com os homossexuais - considerados como doentes durante décadas.

Outro fenômeno interessante é o uso da internet como veículo de fantasias parafílicas, ou como canal de comunicação para encontros, ou como troca de informações.

A veiculação de fotos ou filmes, via internet, envolvendo crianças, e portanto se referindo a pedofilia, é alvo de críticas e censura em vários países.

De qualquer forma, o parafílico ainda é considerado um doente, que merece tratamento médico, desde que busque ajuda para o seu sofrimento.

Se você ou alguém que você conhece está buscando tratamento, procure o Pro-Sex, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
  Publicado em 25.07.1997

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