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Os toxicologistas afirmam
que todas as substâncias
podem ser tóxicas conforme a
dosagem utilizada. Eles
atentam para o fato de que
até mesmo a água 100% pura
pode ser tóxica quando
consumida em certas
quantidades e que disfunções
fisiológicas graves e morte
já ocorreram como resultado
da toxicidade pela água. Por
isso, os toxicologistas
classificam as substâncias,
geralmente comparando as
dosagens nocivas ou fatais à
dosagem tipicamente
ingerida. Existe uma escala
contínua de toxicidade
relativa e três níveis
básicos que naturalmente
surgem: substâncias que são
essencialmente não tóxicas e
que podem ser consumidas
numa dosagem de pelo menos
dez vezes a mais do que
normalmente são ingeridas,
sem nenhum efeito
substancialmente nocivo;
substâncias que são
levemente tóxicas causarão
reações adversas nesse nível
e podem até mesmo ser fatais
para algumas pessoas, mas
são relativamente livres de
efeitos adversos numa
dosagem normal e até três
vezes o limite normal de sua
utilização; substâncias
tóxicas têm um potencial de
causar efeitos adversos
mesmo no limite normal de
uso e podem causar efeitos
nocivos significativos ou
fatais, se consumidas em
quantidades pequenas de até
três vezes a dosagem usual.
Dessa forma, a maioria dos
alimentos são essencialmente
não tóxicos, a maioria dos
medicamentos de fácil acesso
são levemente tóxicos e há
muitas substâncias tóxicas
bem conhecidas, que
geralmente só são
disponíveis por meio de
prescrição, como por
exemplo, os digitálicos. Há
ainda substâncias altamente
tóxicas, não indicadas em
dosagem alguma, por exemplo:
petroquímicos, cogumelos
venenosos. Até mesmo
pequenas quantidades dessas
substâncias podem provocar
danos substâncias ou morte.
A toxicidade potencial de
uma substância pode ser
influenciada pela saúde do
paciente que a consome. Por
exemplo, algumas doenças
tornam a pessoa mais
suscetível à ação tóxica de
componentes herbáceos do que
outras pessoas sadias. Isso,
de fato, pode ocorrer quando
o fígado ou o rim está
acometido por algum processo
patológico.
As substâncias em seu estado
natural são, freqüentemente,
mais tóxicas do que aquelas
processadas ou cozidas. A
erva mais freqüentemente
usada na China e que causa
reações tóxicas é o
Acônito em estado
natural. Essa substância é
utilizada principalmente no
tratamento para dores por
artrite e como um tônico em
situações de debilidade.
Dependendo da espécie
coletada e de sua preparação
(o processo de cozimento
prolongado reduz sua
toxicidade), mesmo pouca
quantidade, dois gramas
(peso seco) podem produzir
reações tóxicas ou até mesmo
fatais. A erva Acônito
processada utilizada na
China e no Ocidente possui
pouquíssima toxicidade
devido a oxidação dos
componentes ativos
principais. Solicitações de
fórmulas contendo 10 a 12
gramas de Acônito processada
em decocção não são incomuns
e não há relatos de
produzirem efeitos tóxicos.
As frutas Ginkgo são
utilizadas tanto como ervas
medicinais para tratar asma
quanto um item alimentar.
Entretanto, há casos de
crianças terem sido
envenenadas ao comerem
pequena quantidade da fruta
em seu estado natural, a
qual contém ginkgotoxin.
Esta toxina é amplamente
eliminada quando a
substância é utilizada como
alimento ou medicação
através de processamento,
secagem e oxidação.
As ervas Pinellia e
Arisaema são
altamente tóxicas em seu
estado natural, porém quando
processadas, elas perdem a
maior parte de suas
toxicidades. Na literatura
tradicional chinesa, a erva
Pinellia natural é
contra-indicada durante a
gravidez. Entretanto, a
Pinellia processada é um
componente comum em fórmulas
para tratar náuseas e
vômitos em gestantes. Um
estudo com ratas grávidas
demonstrou que a Pinellia
natural e após decocção
causavam sangramento vaginal
e redução de peso nos fetos.
Por outro lado a Pinellia
processada, utilizada na
mesma dosagem não produz
esses efeitos adversos.
Poucas ervas tóxicas são
utilizadas na medicina
chinesa moderna a despeito
de um pequeno número
relativa de casos de reações
tóxicas serem esperados
ocorrer. A planta
Trypterigium (leigongteng)
utilizada como fonte de uma
droga moderna possuindo
propriedades quase idênticas
aos corticosteróides, pode
causar reações tóxicas
significativas, mesmo no
limite da dosagem normal. De
fato, mel coletado de
abelhas que visitam essa
planta pode causar nefrite
naqueles que o consomem.
Estricnina é uma erva
tóxica freqüentemente
utilizada. Estudos recentes
demonstraram que a erva
Estricnina mesmo processada
é tão tóxica quanto sua
forma não processada, apesar
da crença popular ser
contrária. Em dosagens
normais utilizadas na
prática médica chinesa e no
uso comum de acordo com o
folclore, a erva Estricnina
aparece como erva não
nociva. Entretanto, a
superdosagem é um acaso
potencial se a pessoa não
estiver familiarizada com as
limitações de seu uso
seguro. Outra erva, datura,
utilizada como analgésico,
pode causar distúrbios
substanciais no sistema
nervoso em doses pouco mais
elevadas que o nível
terapêutico.
Algumas espécies de uma
planta são muito mais
tóxicas que outras. A erva
dioscorea (shanyao),
utilizada como um tônico de
Qi, possui pouquíssima
toxicidade e é incluída
entre os itens alimentares
comuns na China. A erva
huangyaozi, derivada da
Dicoscorea bulbifera,
é utilizada para dissolver
flegmão e eliminar edema de
tireóide. Tem sido relatado
que ela pode causar hepatite
tóxica, se utilizada
regularmente por mais de um
mês numa dosagem diária de
15 gramas. Seu limite normal
de dosagem é de 3 a 12
gramas diários, embora até
30 gramas diários sejam
utilizados em algumas
terapias oncológicas. O
conteúdo de terpenoides
nessa é muito maior do que
na erva utilizada como
tônico. Não há relato de que
a semente de cássia (juemingzi)
cause efeitos tóxicos,
embora seu conteúdo de
emodina possa levar a fezes
soltas ou causar diarréia. A
semente da Cassia
occidentalis (wanjiangnanzi)
é freqüentemente utilizada
como alimento para crianças
malnutridas, porém ela pode
causar envenenamento grave e
morte se for tomada em
quantidade abundante.
A maioria das ervas chinesas
são essencialmente não
tóxicas de acordo com
estudos realizados no Brion
Research Institute em
Taiwan. Elas são utilizadas
numa dosagem diária
recomendada de 6 a 15 gramas
(através de decocção) e de
acordo com avaliações
laboratoriais de suas
toxicidades (com
determinações em ratos e
relacionadas a uma escala de
medidas de peso do corpo
humano). Essas ervas e as
fórmulas feitas com elas não
produzem toxicidade fatal.
Isso só ocorreria quando se
atingisse um excesso de 200
gramas ou mais de 10 vezes
sua dosagem usual.
Entretanto, algumas
substâncias herbáceas
comumente utilizadas são
levemente tóxicas. A Semente
de damasco contém ácido
hidrociânico, o qual em
dosagens elevadas pode
causar envenenamento por
cianureto. A combinação
Ma-Huang e Semente de
Damasco (que contém
ervas levemente tóxicas como
Ma-huang e alcaçuz)
quando testadas em
laboratório, demonstraram
ser 2 vezes e meia mais
tóxicas do que outras ervas
e fórmulas chinesas típicas.
Entretanto, elas são seguras
em até 3 vezes o limite de
dosagem usual para
aplicações medicinais. A
erva Melia contém
todsendanin, uma toxina
hepática. É recomendado o
uso cauteloso em pacientes
com doenças hepáticas, o que
é um comentário importante,
uma vez que,
tradicionalmente, ela é
recomendada para tratamento
de dores na região hepática.
A erva ásaro e ninho
de vespa são levemente
tóxicas para os rins. Em
doses elevadas elas podem
causar inflamação e altera a
filtração pelos túbulos
renais. Essa é uma
preocupação básica que se
deve ter com aqueles
pacientes que já sofrem de
doenças renais, mas uma
razão para se evitar
dosagens elevadas após um
período longo, mesmo se
outros benefícios
terapêuticos foram
conseguidos. Tem sido
relatado que a erva
capillaris derivada de (Artemísia
capillaris) numa dose de
24 gramas (3 vezes mais do
que a dose total diária em
decocção) pode causar
tontura, náusea, distensão
abdominal e pirose. Outras
espécies de Artemísia usadas
comumente na China também
podem causar essas reações
se utilizados em dosagens
elevadas. A erva Akebia
se utilizada em mais de 60
gramas (4 vezes a dose
diária total de decocção no
tratamento de doenças
agudas) pode causar
insuficiência renal aguda. A
cimicífuga (uma erva
raramente utilizada sozinha
ou em pequenas fórmulas e,
por isso não é tomada,
freqüentemente, em doses
elevadas) pode causar
reações tóxicas se usada em
grandes quantidades. Isso
pode ocorrer se a mesma for
utilizada isoladamente.
Em muitos estudos clínicos
chineses relatados em
jornais médicos, decocções
em dosagens muito elevadas
(excessos de um total de 150
gramas para todas as ervas
da fórmula) são utilizadas
e, em alguns casos, ervas
isoladas são utilizadas (em
doses de 30 gramas diárias
ou mais) contrariamente à
prática tradicional, a fim
de se tentar reproduzir o
estilo das avaliações
ocidentais de simples
componentes em invés de
misturas complexas. A
dosagem elevada é empregada,
em parte, para assegurar um
máximo de resposta às ervas,
dessa forma, uma resposta
substancial pode ser
demonstrada num estudo
relativamente a curto prazo.
Nesses níveis de dosagem, há
alguns relatos de respostas
tóxicas não específicas,
como boca seca, náuseas e
tonturas. Isso significa que
a dosagem utilizada está se
aproximando de níveis
tóxicos e que a dosagem não
tóxica essencial deveria
ser, portanto,
aproximadamente 1/3 dessa
quantidade, ou 50 a 70
gramas para as misturas
herbáceas na decocção. Esse
é o nível recomendado para a
maioria das decocções
utilizadas pelos médicos
ocidentais, mesmo se a
eficácia for por isso, um
pouco reduzida.
Podem ocorrer irritações do
sistema gastrointestinal com
uma ampla variedade de ervas
e isto vai depender muito da
sensibilidade individual
daqueles que as consumirem.
Vômitos, diarréias, náuseas,
cólicas estomacais ou
sensação de queimação podem
ocorrer quase que com
qualquer substância, mas
especialmente com aquelas de
sabor amargo e aquelas com
conteúdo elevado de
fragrantes ou óleos pesados.
As reações gastrointestinais
às ervas podem ser parte de
um mecanismo protetor
desenvolvido para o
organismo se livrar de
toxinas ingeridas. Mesmo que
a substância herbácea não
for tóxica, ela pode ter
propriedades que alertam
esse mecanismo de resposta a
uma possível toxicidade e
então se inicia a reação.
Acredita-se que os vômitos e
náuseas associados às fases
iniciais da gravidez possam
ser duas outras
manifestações desse sistema
de resposta, em que a reação
ocorreria sem a introdução
de uma toxina.
As reações adversas às ervas
nem sempre são reações
tóxicas e podem estar
relacionadas tanto quanto a
forma de administração como
com os componentes
herbáceos. As reações
alérgicas às ervas chinesas
são raras, entretanto muito
mais comum que as reações
tóxicas. As ervas quando
injetadas possuem um
potencial muito mais elevado
para reações alérgicas. Uma
descrição da reação ao
taraxaco chinês (pugongying)
ilustra a influência do
método de administração. De
acordo com um resumo
relatado no Pharmacology e
Applications of Chinese
Materia Medica: "Em doses
terapêuticas normais (30 a
60 gramas em decocção,
existem poucos efeitos
colaterais usando esta erva.
A decocção apenas
ocasionalmente causou
sintomas gastrointestinais
como náuseas, vômitos,
desconforto abdominal e
diarréia leve ... alguns
pacientes apresentam pirose
após tomarem comprimidos. O
vinho preparado com a
erva pode causar tonturas,
náuseas, sudorese devido ao
conteúdo alcoólico e em
alguns pacientes urticária e
em casos individuais
urticárias complicados com
conjuntivites ... a injeção
administrada intramuscular
pode causar dor local e a
injeção intravenosa pode
causar calafrios, palidez,
cianose e sintomas mentais
em pacientes." Cada uma
dessas reações pode ser
explicada pelos aspectos
peculiares do método de
administração. A maioria dos
médicos ocidentais
utilizariam uma dosagem
menor, evitariam métodos
injetáveis intramusculares
ou intravenosas e limitariam
a quantidade de álcool
utilizada na preparação com
a erva.
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