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Reações alérgicas ou anafilaxias
não são freqüentes com o uso
de ervas chinesas. A resposta
mais extrema, o choque anafilático,
pode ser causado pela injeção
de extratos herbáceos. Não está
claro se esta resposta é inerente
ao uso de uma erva em particular
ou se é devido a uma má preparação
da substância injetada, uma
vez que falhas em remover impurezas
e componentes antigênicos poderiam
causar uma reação em um indivíduo
que não teria reagido a uma
erva preparada corretamente.
Há exemplos de ervas que de
forma injetável, foram relatadas
como causadoras de anafilaxias
de grau moderado a grave:
Bupleurum, Gastrodia, Andrographis
e Raiz de Ísatis.
Embora o uso de extratos herbáceos
injetáveis não seja uma prática
aceita no Ocidente, alguns médicos
ao retornarem da China procuram
extratos injetáveis que poderiam
ser usados por aqui. A possibilidade
de choque anafilático deve sempre
ser considerada antes que esse
tipo de tratamento seja iniciado.
É importante também ressaltar
que uma injeção inicial pode
produzir sensibilidade sem reação
e que uma segunda injeção pode
causar uma reação intensa. Isso
ocorre, por exemplo, com
Trichosanthin (Compound
Q) derivado da Raiz de Trichosanthes.
Substâncias aplicadas topicamente
podem facilmente causar uma
dermatite de contato, se houver
algum tipo de sensibilidade
aos componentes utilizados.
Algumas substâncias têm sido
relatadas como responsáveis
por esse tipo de reação como
por exemplo: Óleo de Almíscar
para Reumatismo, Decocção de
Ácoro e Artemísia, Pílula de
Liusen Triturado, ungüento
de Lycopodium (jin bu
huan), Pteris em pó e
Osso de Dragão em pó.
Houve relato na literatura de
uma reação tipo alérgica ao
tratamento com moxabustão (a
moxa é composta de Artemísia).
Ervas frescas aplicadas topicamente
podem apresentar um potencial
maior para induzir essas reações,
por exemplo: já houve relatos
de dermatite de contato com
o uso de Clematis e
Euphorbia frescas.
A reação mais grave relatada
na literatura chinesa foi com
a Fruta da Brucea, uma
erva tópica utilizada para tratar
tumores e verrugas. No caso
de verrugas, as mesmas são extirpadas
e a erva Brucea é aplicada,
entrando em contato com a corrente
sangüínea, podendo desencadear
um choque anafilático. Ervas
tóxicas como Bruceas
e ervas chinesas frescas não
são disponíveis aos médicos
do ocidente e por isso não se
torna um problema em potencial.
Entretanto, deve ser salientado
que ervas frescas ocidentais
e algumas ervas secas chinesas
também apresentam potencial
similar. Dezenas de plantas
capazes de causar dermatite
de contato foram relacionadas
de acordo com a experiência
ocidental, no livro Medical
Botany (1977). As plantas contendo
óleos voláteis e resinas são
as principais causadoras de
reações alérgicas quando aplicadas
topicamente, por exemplo:
Yunnan Pai Yao usada para
tratar feridas com sangramento
e Mirra e Frankincense
usadas em emplastros.
A principal preocupação da prática
moderna ocidental de Medicina
Chinesa é com as substâncias
ingeridas. A resposta alérgica
usual é uma combinação que pode
envolver rashes, rubores,
pústulas, prurido e outros sinais
de dermatite. Essas reações
desaparecem espontaneamente
e podem ser aliviadas rapidamente
com o uso de corticosteróides
tópicos. Também podem ocorrer
outras alterações decorrentes
da reação alérgica como opressão
no peito, dores articulares
e distúrbios gastrointestinais.
Devido à baixa incidência de
reações relatadas com a alta
freqüência do uso de ervas chinesas,
a possibilidade de reações alérgicas
não se torna algo alarmante.
Entretanto, é importante estar
ciente de que esses tipos de
reações podem ocorrer. As substâncias
relatadas na literatura como
responsáveis por um ou mais
distúrbios alérgicos podem ser
divididas em quatro categorias:
Óleos
Voláteis: Fengyoujing
(preparação de óleos essências),
Pílula de Houzheng para
laringite (contém borneol),
Mirra (contém resina),
borneol, Murhuang Jiedu Pian
(contém borneol e outros aromáticos),
Ácoro, Flor de Magnólia,
Prunella, Huoiang Zhenqi Shui
para resfriados (contém pogostemon
e outros aromáticos), Guanxin
Suhexiang Pill (contém borneol),
Yunnan Pai Yao (contém
boneol).
Cogumelos:
Coriolus, Hoelen e Muer
(cogumelo preto usado na cozinha
chinesa), Ganoderma.
Substâncias
Animais: escorpiões,
minhocas, secreções de sapo,
chifre do cervo.
Outras:
infusão de Biyanling
(contém ninho de vespa, pó de
pérola, Taxillus, Zizyphus,
Taraxaco, Xiaokechuan para
resfriados, Comprimidos de
Houtujum, Comprimidos de San
Qi, Andrographis, Ísatis, Houttuynia,
Ilex, Flor de Sophora, Verbena.
Apenas poucas dessas ervas como
por exemplo Hoelen, Flor
de Magnólia, Prunella, Zizyphus,
Ísatis e Taraxaco são comumente
utilizadas por médicos ocidentais.
Como a maioria das reações às
ervas chinesas não são de natureza
alérgica, mas sim devido a outras
respostas fisiológicas às substâncias
ingeridas, deve-se ter cautela
ao interpretar quaisquer aparentes
reações adversas.
Uma idéia incorreta a respeito
do potencial alérgico de ervas
ocorreu no passado e deveria
servir de alerta para a utilização
de ervas chinesas no futuro.
Por exemplo, houve um caso relatado
na literatura médica, de uma
mulher de 35 anos que em poucos
minutos após ingerir chá de
camomila passou a apresentar
sintomas de cólicas abdominais,
sensação de opressão na garganta,
edema de lábios, olhos e língua,
prurido e sensação de entupimento
dos ouvidos. Foram realizados
testes com um fragmento de pele
e se confirmou hipersensibilidade
à camomila. O chá de camomila
é talvez o chá herbáceo mais
consumido no ocidente, sendo
um modelo de bebida em muitos
países, competindo até com chá
preto ou café. Este caso isolado
foi usado por médicos e jornalistas
sugerindo que o consumo de qualquer
erva derivada da família da
planta camomila (a compositae,
a maior fonte de ervas usadas
pelos médicos herbáceos ocidentais)
trazia um risco inerente de
causar reações alérgicas graves.
A questão potencial de reações
alérgicas a plantas da família
Compositae continua sendo uma
reação freqüentemente citada
entre autores ocidentais para
se evitar remédios herbáceos.
Um "susto" similar a respeito
de potencial alérgico de cogumelos
medicinais entre aquelas pessoas
consideradas sensíveis à
Candida albicans tem sido
semelhantemente utilizado para
advertir potenciais usuários
a não consumir combinações herbáceas
úteis. Embora algumas pessoas
sejam, de fato, alérgicas a
um ou mais cogumelos medicinais
(por exemplo hoelen), a maioria
das pessoas que sofrem de Candida
ou sensibilidade associada ao
organismo não demonstram quaisquer
reações a cogumelos medicinais.
A conexão que se quer fazer
é que leveduras e fungos são
intimamente relacionados. De
fato, fungos e leveduras são
próximos quanto a sua natureza
biológica, entretanto os cogumelos
em árvore, os principais cogumelos
utilizados na medicina chinesa,
são parentes distantes.
Pessoas com tendência a sofrer
de vários tipos de alergia são
mais predispostas a ter reações
alérgicas a ervas. Muitas das
substâncias herbáceas relatadas
como tendo sido indutoras de
reações alérgicas em uma ou
mais pessoas também se incluem
entre aquelas utilizadas para
tratar alergias. Na conteúdo
constando na "Chinese Materia
Medica with Anti-Atopy Effect"
(Abstrats of chinese medicine,
1986), foi dado especial atenção
à artemísia (que tem sido citado
em reação à aplicação tópica)
e à Ganoderma. Uma lista mais
abrangente fornecida pelos autores
incluem flor da magnólia
e bupleurum e prunella.
De acordo com as idéias da Medicina
Tradicional Chinesa, as respostas
alérgicas ocorrem quando há
uma desarmonia afetando o baço,
os pulmões e /ou os rins. A
indução de resposta alérgica
é atribuída freqüentemente às
influências ambientais do vento
e da umidade, afetada pelos
acúmulos internos de calor e/ou
flegmão. Quando esses fatores
estão presentes, as chances
das terapias herbáceas induzirem
uma reação alérgica podem ser
maiores. Certas ervas utilizadas
para remover calor, secar umidade
ou remover flegmão induzem a
reações alérgicas. Essas mesmas
ervas são utilizadas para tratar
síndromes comuns, básicas de
pacientes alérgicos. Por isso,
não seria surpreendente se um
paciente que estivesse tratando
de alergias apresentasse alguma
reação alérgica à terapia herbácea.
Quando maior o número de alérgenos,
aos quais o paciente é sensível,
maior a chance da reação alérgica
ocorrer. Daí, aqueles pacientes
com "síndrome alérgica ambiental"
necessitarem de ser tratados
muito cautelosamente.
Uma vez que reações alérgicas
à ingestão de ervas é um evento
incidental, exigindo um tratamento
a curtíssimo prazo, o uso de
medicamentos ocidentais para
neutralizar os sintomas pode
ser bem justificado. Ervas chinesas
podem ser utilizadas para combater
os rashes cutâneos associados
a alergias. Exemplos de preparações
apropriadas para esse fim incluem
Combinação de Coptis
e Scute (ou outras fórmulas
que contenham as mesmas ervas,
como Tang-Kuei e Combinação
de Gardênia ou Combinação de
Bupleurum e Rehmannia),
Pílula Armadillo para Neutralizar
Envenenamento e aplicações
tópicas de ungüentos contendo
lithospermum. Por outro
lado, para se tratar alergias
crônicas como febre do feno
crônica ou sazonal e prurido
persistente; outras prescrições
poderiam ser utilizadas, como
por exemplo, seleções de ervas
baseadas na combinação da análise
dos sintomas, fatores constitucionais
e história da doença.
Com poucas exceções, as reações
alérgicas a ervas são reações
desconfortáveis porém não são
perigosas. Se a reação à ingestão
de ervas for de fato alérgica,
ela começará a apresentar sintomas
durante a primeira hora após
a ingestão da erva. Entretanto,
algumas reações gastrointestinais
não alérgicas podem ocorrer
imediatamente. A maioria das
outras reações como, por exemplo,
resposta à ingestão de fórmulas
herbáceas incorretas, geralmente
levam de horas a vários dias
para produzir sintomas. A resolução
das respostas alérgicas, assim
como outros tipos de reações
às ervas, ocorrem dentro de
24 a 72 horas após a suspensão
do uso das mesmas. A ausência
de reações dermatológicas ou
de membranas mucosas pode indicar
que a reação às ervas não é
de natureza alérgica.
Obs.: Registros de reações alérgicas
são relatados em língua inglesa
no Abstrats of Chinese Medicine.
Um resumo com poucos detalhes
específicos publicado no Advanced
in Chinese Medicine (Materia
Reserch 1984) faz menção a várias
ervas que teriam causado reações
alérgicas em variados graus.
Tabela 1: As substâncias
relatadas na literatura como
responsáveis por um ou mais
distúrbios alérgicos podem ser
divididas em quatro categorias:
| |
Nome em Latim |
Fórmulas Encontradas |
|
Óleos Voláteis: |
|
|
|
Mirra |
Myrrha |
AR-125,
PA-623, TR-797.
|
|
Flor
da Magnólia |
Magnoliae
Lilifrora Flos |
NA-551. |
|
Cogumelos:
|
|
|
|
Hoelen |
Poria |
DI-221,
GL-325, HB-345, LI-485,
PA-623, PM-637, PR-681,
RE-699, SL-749. |
|
Substâncias Animais:
|
|
|
|
Gelatina
do Chifre do Corvo |
Cervi
Colla Cornu |
MA-511. |
|
Outros:
|
|
|
|
Zizyphus |
Zizyphi
Spinosi Semen
|
SL-749. |
|
Taraxaco |
Taraxaci
Herba |
SK-741,
WT-907. |
|