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INTRODUÇÃO:
Um dos assuntos mais controversos em cefaléia
primárias é a assim chamada cefaléia do tipo
tensional. Esse termo não é muito adequado,
visto ser por demais abrangente. Poderia
englobar cefaléias provindas de numerosas
causas. Contudo, na opinião dos autores, ao
utilizarmos esse termo, queremos na verdade nos
referir a uma forma muito perniciosa de
cefaléia, que poderia evoluir a partir de
cefaléias intermitentes ou migrâneas, para uma
forma mais diária e duradoura, englobando o
conceito de cefaléia tipo tensional.
O conceito desse tipo de cefaléia surgiu no
século XIX. William Osler, nos EUA, foi o
primeiro a opinar que tais cefaléias pudessem
ser devidas à contração muscular. Referiu-se à
cefalodínia como reumatismo muscular da cabeça.
James Cyriax, também americano, injetou, no
início deste século, solução hipertônica nos
músculos da cabeça, levando-os a um espasmo
palpável e conseguente cefaléia. Cinco anos mais
tarde, Harold Wollf reproduziu essa experiência
e postulou que qualquer cefaléia poderia
resultar em contratura muscular reflexa, na
cabeça e pescoço, e também que tensão emocional
poderia resultar em contraturas musculares, as
quais resultam nas cefaléias mais comuns.
Segundo Harold Wolff, as assim chamadas
cefaléias por contração muscular ( sinônimo de
tensional) eram causadas pela contratura da
musculatura da cabeça, levando a compreessão das
artérias subjacentes, resultando num processo
isquêmico- doloroso. Não há duvida que existam
músculos na cabeça e no pescoço e que eles podem
doer. Porém , há sérias dúvidas se essa é a
verdadeira causa da assim chamada cefaléia
tensional.
A idéia de que a cefaléia tipo tensional
poderia ser uma variante da enxaqueca começou
com John Graham, o qual afirmava que uma
porcentagem de pacientes com enxaqueca
desenvolvem um aumento cada vez maior na
freqüência das crises, até que finalmente acabam
tendo cefaléias diárias. Mais recentemente,
Ninan Mathew introduziu o conceito de cefaléia
transformacional onde migrâneas intermitentes
evoluiriam, em alguns indivíduos, para cefaléia
crônicas diárias(1).
O quadro tipicamente, é de um paciente que
vinha apresentando cefaléias intermitentes
durante boa parte de sua vida, e que, entre os
26 e 40 anos de idade., evolui para uma cefaléia
e cervicalgia crônica. Dessa forma, poderia até
se tratar então da mesma doença em processo de
evolução, ou seja, dependeria apenas do aspecto
temporal. De modo que temos dor na cabeça e
pescoço (nuca) numa freqüência diária ou quase
diária, sendo que, periodicamente, haveria
crises de enxaqueca superimpostas (de modo que
realmente há dois tipos de cefaléias presentes).
Temos também fenômenos acompanhantes como
distúrbios do sono, estados de depressão ou
ansiedade e também um certo abuso de
analgésicos. O quadro é progressivo e vai
piorando, aumentando em intensidade e
deteriorando a qualidade de vida destes
pacientes.
AVALIAÇÃO E
DIAGNÓSTICO:
Quando comparamos pacientes com cefaléia
tensional com aqueles sofrendo de migrânea,
observamos, de modo geral, que a idade de início
das cefaléias dos pacientes com cefaléia
tensional é a mesma que a dos pacientes com
migrânea. Observamos predominância do sexo
feminino, exatamente como na migrânea,
antecedentes familiares de cefaléia em ambos os
casos e uma historia natural não muito diferente
daquela da migrânea.
Não há até agora evidencias suficientemente
válidas com relação aos limites da normalidade
da sensibilidade dolorosa da musculatura
pericraniana. Também não se tem dado suficiente
atenção à metodologia de palpação pericraniana.
Evidências com relação aos limites
eletromiográficos normais dos músculos
pericranianos são similarmente deficientes. Até
que evidências concernentes à sensibilidade
dolorosa à palpação e a eletromiografia
pericraniana se acumulem, cada investigador deve
julgar como puder, baseado em sua experiência
com pacientes sem cefaléia e por comparação de
áreas simétricas. A estimativa da sensibilidade
dolorosa pela palpação está evidentemente
sujeita a grandes distorções. A quantificação
fidedigna requer experiência e método de estudo
sistemático.
Portanto, julgar a sensibilidade dolorosa é
tão subjetivo quanto os outros elementos do
exame neurológico da sensibilidade. Para fins de
pesquisa é necessário que o exame do observador
seja cego.
Não se sabe com que freqüência a cefaléia do
tipo tensional episódica não está associada à
sensibilidade dolorosa da musculatura
pericraniana. Por outro lado, sabe-se que tais
casos existem. Os mecanismos da dor de cabeça
são desconhecidos nestes casos, mas suspeita-se
de etiologia psicogênica
Ouve-se muito argumentar que a cefaléia
tensional ocorre realmente naqueles pacientes
neuróticos, vulneráveis, tensos, sobrecarregados
e deprimidos. Contudo, há o que se pensar se a
ansiedade; as obsessões-compulsões; os
distúrbios do sono; a irritabilidade presentes
nestes pacientes seriam a causa ou a
conseqüência de tais queixas álgicas tão
freqüentes em suas vidas.
Algumas vezes uma migrânea transforma-se
gradualmente em cefaléia do tipo tensional
crônica, porém mais frequentemente é a cefaléia
do tipo tensional episódica que cronifica. Em
ambas as instâncias o uso excessivo de medicação
freqüentemente desempenha um papel no
agravamento do distúrbio. A descontinuidade da
ingestão diária de drogas freqüentemente resulta
em melhora.
Há também elos terapêuticos. Se tomarmos
medicações para migrâneas, estas certamente
também farão efeitos para cefaléia tensional. E
essas drogas não possuem como mecanismo comum de
ação o relaxamento muscular; o tratamento da
ansiedade; o bloqueio beta adrenérgico, etc. O
fator comum dessas drogas é a sua influência em
nível de neurotransmissores.
A cefaléia do tipo tensional episódica (CTTE)
apresenta como critérios diagnósticos a
ocorrência de pelo menos 10 ataques anteriores
de dor em menos de 15 dias por mês, com duração
de 30 minutos a sete dias e com pelo menos dois
dos seguintes aspectos: pressão ou aperto;
intensidade leve a moderada; localização
bilateral; não-agravamento por atividade física
rotineira. Náusea ou vômitos, assim como
fotofobia ou fonofobia, não estão presentes, ou
apenas um deles podem se manifestar associado à
dor de cabeça. Menos de 10% dos pacientes podem
apresentar dor pulsátil e até 2% podem referir
dor unilateral, sempre, entretanto, com
intensidade leve e não agravada por esforços
físicos rotineiros(2).
A sua prevalência situa-se em 90% das
mulheres e em 67% dos homens(3) durante a vida,
sendo que a maioria dos pacientes com esse tipo
de cefaléia não procura ajuda médica e utiliza
analgésicos e drogas para outros tipos de
cefaléia , como a migrânea, através da
automedicação. A CTTE é mais comum em mulheres
do que em homens, atingindo a proporção de 1,4
mulher pra cada homem, em caucasianos e em
indivíduos de melhor nível educacional.
O pico de sua prevalência é na quarta década
de vida, com maior incidência geral entre os 20
e os 50 anos de idade. Cerca de 35% dos
pacientes têm de um a sete dias de dor por ano,
60% têm de oito a 179 dias anuais e 3% têm mais
de 180 dias de cefaléia pr ano( configurando a
forma crônica)
A cefaléia tipo tensional crônica difere da
episódica apenas pela freqüência da dor, que
deve ser igual ou superior a 15 por mês ( vide
classificação). Os critérios diagnósticos devem
sem empregados com atenção, uma vez que a
migrânea transformada em cefaléia crônica diária
pode apresentar as mesmas características da dor
do tipo tensional e ser entremeada por crises
intermitentes, com a mesma apresentação típica
de migrânea episódica. Isso pode levar à
confusão diagnóstica e à falsa idéia de que o
paciente apresenta migrânea e cefaléia do tipo
tensional crônica (CTTC) simultaneamente.
Os pacientes com CTTC são freqüentemente
acometidos por distúrbios emocionais, como
depressão, ansiedade ou nervosismo, e por
distúrbios do sono, como insônia e sono
interrompido(4), não sendo incomum o uso abusivo
de medicamentos sintomáticos, muitas vezes
prescritos até por médicos desinformados.
Como ainda não se conhecem todos os
mecanismos subjacentes envolvidos na CTT, há
controvérsias quanto à possibilidade desse tipo
de cefaléia pertencer a um quadro de
fibromialgia acometendo músculos durante
atividade voluntária, pontos ou áreas mais
dolorosas e alívio com a infiltração de
pontos-gatilhos (trigger points)(5).
Podemos dividir ainda as CTTE e CTTC em
subtipos segundo o acometimento ou não da
musculatura pericraniana, que serve de base o
fato da musculatura estar mais ou menos sensível
dolorosamente, o qual poderíamos “medir” usando
um algômetro de pressão ou presença de
eletromiografia; porém temos que lembrar do fato
de que existem indivíduos com cefaléias muito
intensas e baixo grau de contração, e indivíduos
com alto grau de contração, porém praticamente
sem cefaléia.
MECANISMO ENVOLVIDOS
NA GÊNESE DA DOR:
Como já dissemos anteriormente, a
fisiopatologia da CTT é complexa e pouco
conhecida. Antes e por anos, pensou em ser uma
contratura exagerada, anormal e que perdurasse
da musculatura da cabeça, pescoço, ombros e até
face, que levaria à isquemia muscular e
liberação de substâncias algiogênicas que
causariam a dor (5,6). Existem indivíduos que
tem, à Eletromiografia, grande repercussão com
pequena dor e vice-versa.
Não se considera, que esse estado de
contratura da musculatura pericraniana e
cervical, seja tão somente a causa da CTT.
Por outro lado, foi evidenciado níveis
reduzidos de serotonina plaquetária e de
endorfinas liquóricas em pacientes com CTT e na
Eletromiografia supressão exteroceptiva(ES2)
alterada, sugerindo sensibilidade neuronal
exagerada a estímulos variados e modulação
anormal de interneurônios que conectam o nervo
trigêmeo aos neurônios motores(6,7).
Todas essas alterações podem sugerir que a
CTT resulta da interação de estímulos
nociceptivos endógenos decorrentes da atividade
anormal do tronco encefálico e de aferências
nociceptivas externas, como a contração
muscular.
Os fatos psicológicos agravariam ou
precipitariam esse desequilíbrio. O aumento do
input nociceptivo em alguém com modulação de dor
alterada e resposta antinociceptiva incompleta
corroboraria a interação de mecanismos centrais
e periféricos e representa explicação atraente
para a CTT.
É importante a lembrança de que aspectos
psicológicos poderiam criar um estado de
contração exagerada de músculos pericranianos,
os quais representariam fonte permanente e
excessiva de impulsos aferentes sobre um sistema
antinociceptivo alterado e com disfunção na
modulação central da dor e da resposta
neurotransmissorial. Esse processo poderia
exacerbar os sintomas psicológicos já presentes
e trazer mais dor e sofrimento ao paciente.
CLASSIFICAÇÃO DAS
CEFALÉIAS TIPO TENSIONAL:
A seguir citaremos a classificação das
Cefaléias Tensionais da Sociedade Internacional
de Cefaléia (11) a saber:
CEFALÉIA DO TIPO
TENSIONAL:
Termos previamente usados: cefaléia de
tensão, cefaléia de contração muscular, cefaléia
psicomiogênica, cefaléia do estresse, cefaléia
comum, cefaléia essencial, cefaléia idiopática e
cefaléia psicogênica.
Cefaléia do tipo
tensional episódica:
Descrição: Episódios recorrentes de dor de
cabeça que duram de minutos a dias. A dor tem
caráter típico de pressão/aperto, de intensidade
fraca ou moderada, localização bilateral e não
se agrava com as atividades físicas de rotina.
Não há náusea mas podem estar presentes
fotofobia e fonofobia.
Critérios diagnósticos:
Pelo menos 10 episódios prévios de dor de
cabeça preenchendo os critérios B-D listados a
seguir. Número de dias com cefaléia < 180/ano (
< 15 mês).
Cefaléia durando de 30 minutos a 7 dias.
A dor deve ter pelo menos 2 das seguintes
características: Caráter de pressão/ aperto (não
pulsátil), intensidade fraca ou moderada (pode
limitar, porém não impede as atividades),
localização bilateral, não é agravada por subir
escadas ou por atividade similares físicas de
rotina.
Ambos os itens seguintes.
1. Ausência de náuseas ou vômitos (anorexia
pode ocorrer)
2.Fotofobia e fonofobia estão ausentes, ou
uma mas não a outra está presente.
Obs: a tensão muscular involuntária física ou
mentalmente induzida é importante, e também o
são mecanismos puramente psicogênicos.
Cefaléia do tipo
tensional episódica associada a distúrbio dos
músculos pericranianos.
Termos previamente usados: cefaléia da
contração muscular.
Descrição: Cefaléia tensional episódica com
aumento dos níveis de sensibilidade dolorosa
e/ou de Eletromiografia dos músculos
pericranianos.
Critérios Diagnósticos:
- Preenche os critérios para 1.1.
- Pelo menos um dos itens seguintes:
- Aumento da sensibilidade dolorosa dos
músculos pericranianos, demonstrada pela
palpação manual ou por algômetro de pressão.
- Aumento da atividade eletromiográfica dos
músculos pericranianos em repouso ou durante
testes fisiológicos.
Cefaléia do tipo tensional episódica não
associada a distúrbio dos músculos pericranianos
Termos previamente usados: cefaléia idiopática,
cefaléia essencial, cefaléia psicogênica.
Descrição: Cefaléia do tipo tensional episódica
com níveis normais de sensibilidade dolorosa
e/ou de Eletromiografia dos músculos
pericranianos
Critérios diagnósticos:
- Preencher critérios para 1.1
- Não há aumento da sensibilidade dolorosa dos
músculos pericranianos. Se for feita
Eletromiografia, os músculos pericranianos
mostram níveis normais de atividades.
2. Cefaléia do tipo tensional crônica
Termos usados: Cefaléia crônica diária, cefaléia
de tensão, cefaléia de contração muscular,
cefaléia psicomiogênica, cefaléia do estresse,
cefaléia comum, cefaléia essencial, cefaléia
idiopática e cefaléia psicogênica.
Descrição: A cefaléia está presente por pelo
menos 15 dias no mês, durante pelo menos 6
meses. Usualmente tem caráter de pressão/
aperto, severidade média ou moderada, é
bilateral e não piora com as atividades físicas
rotineiras. Náuseas, fotofobia e fonofobia podem
aparecer.
Critérios diagnósticos: Cefaléia com freqüência média de > 15 dias/mês
(180 dias/ano) por > 6 meses, preenchendo os
critérios B-D listados abaixo.
A dor tem pelo menos duas das seguintes
características:
- Caráter de pressão/aperto
- Intensidade fraca ou moderada (pode limitar
porém não impede as atividades)
- Localização bilateral
- Não é agravada por subir escadas ou por
atividades físicas similares de rotina.
Ambos dos seguintes itens:
- Ausência de vômitos
- Não mais que um dos seguintes: náuseas,
fotofobia ou fonofobia.
2.1.Cefaléia do tipo tensional crônica associada
a distúrbio dos músculos pericranianos.
Termos previamente usados: cefaléia de contração
muscular crônica
Descrição: Cefaléia tensional crônica associada
a aumento dos níveis de sensibilidade dolorosa e
/ou de Eletromiografia dos músculos
pericranianos.
Critérios diagnósticos: Preenche critérios para item 2
Pelo menos um dos seguintes itens: Aumento da sensibilidade dolorosa dos músculos
pericranianos em repouso ou durante testes
fisiológicos. Aumento dos limites eletromiográficos dos
músculos pericranianos em repouso ou durante
testes fisiológicos
2.2 – Cefaléia do tipo tensional crônica não
associada a distúrbio dos músculos pericranianos.
Termos previamente usados: Cefaléia idiopática
crônica com níveis psicogênico crônico.
Descrição: Cefaléia do tipo tensional crônica
com níveis normais de sensibilidade dolorosa
e/ou Eletromiografia dos músculos pericranianos.
Critérios diagnósticos: Preenche os critérios para item 2.
Não há aumento de sensibilidade dolorosa dos
músculos pericranianos. Se for feito
eletromiografia os músculos pericranianos
mostram níveis normais de atividade.
2.3- Cefaléia do tipo tensional que não preenche
os critérios acima.
Descrição: Cefaléia que se acredita ser uma
forma de cefaléia do tipo tensional mas que não
atende completamente aos critérios diagnósticos
operacionais para quaisquer das formas de
cefaléia do tipo tensional.
Critérios diagnósticos:
Preenche todos exceto um critério para uma ou
mais formas de cefaléia do tipo tensional. Não preenche os critérios para migrânea sem
aura.
Comentários: Codificar neste número os casos que
tiveram menos de 10 episódios típicos de
cefaléia do tipo tensional ou muitos episódios
nos quais falta um dos critérios e também
pacientes que não são crônicos, mas que tem
episódios durando mais de 7 dias ou com cefaléia
por mais de 15 dias no mês, mas que ainda anão
completaram os 6 meses requeridos pela descrição
da cefaléia tensional do tipo crônico.(8)
TRATAMENTO:
Medicamentoso:
Os tratamentos propostos são variados. No
entanto, poucos deles demonstram real eficiência
no controle da dor com uma boa qualidade de vida
para o paciente. A maioria dos pacientes fazem
automedicação, não procurando ajuda médica.
Os pacientes com CTTC são difíceis de tratar, de
seguir um tratamento médico em virtude da baixa
intensidade da dor; seu caráter muitas vezes
contínuo e a presença de aspectos fisiológicos;
psicológicas (7); rotina de trabalho diário
(posição viciosa no trabalho); stress
concomitante ao quadro; tentando o paciente
mesmo concordar e conformar-se de que está
realmente passando por uma situação difícil (o
que não é incomum no mundo atual), e que serão
esses não procurariam ajuda médica.
O efeito placebo aqui excede 30% e atrapalharia
a avaliação correta das opções de tratamento
(7,9).
O tratamento preventivo de escolha tanto para a
CTTC como para a CTTE com freqüência de
episódios alta (igual ou superior a 2 vezes por
semana sem ainda ultrapassar 15 dias por mês),
são os antidepressivos tricíclicos (5,7). A
amitriptilina é a mais utilizada, mas a
clomipramina pode ser um pouco superior, porém
com mais efeitos colaterais (7). A dose deve ser
iniciada gradualmente e por 4 meses, se o
paciente responder a melhora de 80% ,
diminuiríamos progressivamente até a suspensão.
O aumento da serotonina devido à inibição de sua
recaptaçao, a liberação de endorfinas e a
inibição dos receptores NMDA que atuam na
transmissão dolorosa podem desempenhar papel
importante na melhora da CTT (7). A regulação
para baixo de receptores 5-HT 2 e a diminuição
da densidade de beta-receptores também são
mecanismos propostos (10). Os efeitos colaterais
dessas drogas são bem conhecidos e muitas vezes
limitam o tratamento.
Poderíamos associar à amitriptilina ou ao seu
derivado secundário desmetilado nortriptilina, o
carisoprodrol (11) ou a tizanidina, pelo grande
componente muscular associado às CTT.
O carisoprodrol é um relaxante muscular de ação
central com ação ansiolítica, já que é
convertido em meprobamato, e pode ser usado em
doses de até 250-300 mg duas vezes ao dia, com
boa tolerabilidade.
A tizanidina é um agonista alfa-2 adrenérgico
pré sináptico central que diminui o tônus
simpático e também exerce efeito miorrelaxante
(12)
Naqueles pacientes com sintomas psicológicos
exuberantes, como depressão, ansiedade e
nervosismo, associamos a fluoxetina ao derivado
tricíclico, permitindo assim a redução de sua
dose, e por conseguinte, de seus efeitos
adversos.
O tratamento das crises pode ser realizado com
analgésicos ou com Antiinflamatórios
não-esteroidais (AINEs) e ficariam como primeira
opção . Poderíamos fazer a associação de
paracetamol e cafeína que aumentaria a eficácia
desse analgésico de ação central, já que a
cafeína possui ação de analgesia no próprio
cérebro, além de elevar a velocidade de absorção
do paracetamol e outras substâncias no trato
gastrintestinal.
Antiinflamatórios mais recentes, como o
clonixinato de lisina, o ácido tolfenâmico e os
novos membros da classe denominada de inibidores
seletivos da COX2( ciclooxigenase 2), são opções
mais eficazes e bem toleradas.
Deve ser ressaltado que o uso de drogas
sintomáticas mais de duas vezes por semana é
contra-indicado, e o paciente precisa ser
orientado claramente quanto a esse fato.
Tratamento adjuvante:
Tratamentos não-medicamentosos também são
preconizados para a CTT (12). Abordagens
fisioterápicas, como acessórias ao tratamento
medicamentoso, visando alongar e relaxar os
músculos do segmento cefálico, são úteis, desde
que indicado por médico atualizado. Não se
justificam manobras de tração e tração mecânica
nesses pacientes, correndo o risco de até piorar
o quadro clínico.
Abordagens odontológicas tem sido comuns, mas
são injustificáveis uma vez que as cefaléias do
tipo tensional são primárias e diferem daquelas
causadas por disfunções oclusais e de
articulações temporomandibulares, descritas e
classificadas em outro item das Cefaléias.
Biofeedback, condicionamento autógeno e terapias
congnitivo-comportamentais podem ser úteis
quando feitos em associação ao tratamento médico
e parecem exercer ação de relaxamento muscular e
de diminuição do tônus simpático.
Tratamento com Acupuntura:
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a
Cefaléia tipo tensional poderia ser precipitada
pelo aspecto emocional no que concerne a alguns
aspectos, a saber:
Raiva: Ascensão do Yang do fígado, ascensão do
Fogo do fígado, causaria cefaléia na região do
meridiano da Vesícula biliar.
Preocupação: Cria nódulo no Qi, em particular no
Qi do pulmão e coração. Está é freqüentemente
uma causa indireta de cefaléia, uma vez que a
deficiência de Qi do pulmão pode permitir a
ascensão do Yang do fígado.
Medo: Um estágio crônico de ansiedade e medo
prejudica os rins e causa dores de cabeça tanto
diretamente pela deficiência do Rim, como
indiretamente, quando a deficiência do Rim
provoca a ascensão do Yang do Fígado.
Essas condições anteriores são apenas algumas
das que poderia acontecer no início do quadro de
CTT.
Cefaléia crônicas na região occipital são
geralmente atribuídas à Deficiência do Rim
manifestando-se no Meridiano da Bexiga. Dores
agudas nesta região são atribuídas à invasão do
vento externo ( geralmente vento frio) e
determinam um padrão de ascensão de Yang do
figado(23).
Nos últimos anos têm surgido muitos estudos
investigando a eficácia da acupuntura na
cefaléia. Alguns destes estudos sugerem que a
acupuntura poderia ser usada em larga escala
como tratamento único (13), outros não mostram
superioridade para se usar a acupuntura(14) e
outros mostram a acupuntura como alternativa de
tratamento(15) , ou seja, como uma arma a ser
usada quando na falência de outros tratamentos.
Como o placebo poderia ser usada no tratamento
da cefaléia, e com resposta (15), isso ficaria
difícil para os estudos com acupuntura.
Para estudos clínicos na acupuntura, o mesmo
seria single clind, e imitaria acupuntura com
falsa estimulação transcutânea elétrica do
nervo, esses são métodos placebos requeridos
(16).
Para a metodologia do estudo da acupuntura na
cefaléia tipo tensional, a acupuntura com
placebo parecido com agulhas são mais
apropriados porque daria uma boa credibilidade
para o estudo duplo-cego com a acupuntura
verdadeira (17), sem o estímulo “errado” da
imitação da acupuntura.
Os estudos de Loh e cols(12), mostram que a
resposta ao tratamento da migrânea e da cefaléia
tipo tensional é melhor quando se faz o
agulhamento nos tender points.
Nos estudos de Carlsson e cols (13), os tender
points foram reduzidos a alguns músculos após
acupuntura, sugerindo que a nocicepção para os
músculos pericranianos pode se fazer importante
para a patofisiologia da cefaléia Tipo Tensional,
conforme já dito anteriormente.
No estudo randomizado controlado com placebo,
feito por Karst e cols.(18), sua finalidade foi
mostrar se o tratamento com acupuntura nos
pontos locais ou distais seria capaz de mudar ou
aumentar o escala analógica visual ou outros
parâmetros ( impressão clínica global,
freqüência de dores, escore da depressão,
consumo de analgésicos).
Este estudo se mostra interessante onde Karst e
cols. estudaram 69 pacientes com média de idade
de 48 anos classificando-os no grupo de cefaléia
tipo tensional episódica e crônica segundo os
critérios da International Headache Society(11).
Na discussão deste estudo os autores observaram
que de 6 semanas a 5 meses de tratamento, não
foram animadores os resultados com a acupuntura
tanto na impressão clínica global e na VAS, mas
justificam que os pacientes com dores crônicas
geralmente são acompanhados de depressão no
curso da dor, o que dificultaria a real análise
do resultado final da terapia com a agulha
verdadeira e o placebo, no entanto, a resposta à
terapia com acupuntura verdadeira foi
significativa no relato da duração das crises de
dor.
Os pacientes foram cuidadosamente examinados
imediatamente após a seção de acupuntura, 6
semanas e com 5 meses com tratamento.
Os pacientes foram investigados quanto ao
consumo diário de analgésicos, intensidade da
dor (VAS), local e duração do ataque de dor,
freqüência da dor de cabeça( número de dias do
mês com dor).
Os pacientes foram requeridos para dar o padrão
do VAS e sua impressão para a melhora do CGI (
impressão clínica global), quando seguidos.
O tratamento foi feito com o placebo; utilizando
a ponta da agulha romba e “grossa” para causar a
sensação de pressão sem a punção na pele( 17) e
com a agulha de acupuntura verdadeira ( 0.3 x
0.3 mm) e (0.2 x 0.15 mm).
Após o tratamento, os grupos com placebo e com
agulha verdadeira não mostraram diferenças
“estatisticamente significativas” em termos de
VAS, freqüência da dor, exceto para os níveis de
ansiedade, critério que foi estatisticamente
significante.
A diminuição da freqüência das dores e o VAS foi
significativa nos 2 grupos. A freqüência das
dores diminuíram 20% no placebo e 38% no grupo
com agulha verdadeira; o consumo de analgésicos
diminuiu de 29% para 41% , e com o placebo
aumentou 66%, esses números, apesar de bastante
distintos não foram estatisticamente
significantes(22).
Em um outro estudo, no caso, randomizado
multicentrico, no qual participaram 5 centros;
vimos que houve uma exacerbação da dor ( 2
casos; um com agulhamento verdadeiro e outro com
placebo) e quatro casos de dor local do
agulhamento. Nesse estudo chegou-se à conclusão
de uma diminuição não estatisticamente
significativa da freqüência das dores, mas em
contando ambos os grupos ( placebo e agulhamento
verdadeiro), a diminuição da freqüência e da
intensidade das crises foi significativa.
O grupo com acupuntura verdadeira apresentou
significativa diminuição das crises de dor
enquanto no curso do tratamento(21).
OBJETIVO:
Revisar a literatura atual (mais recente) no
sentido de estimular mais estudos com Acupuntura
para tratamento da cefaléia tipo tensional e
firmar alguns pontos para esse tratamento,
baseado em experiências de autores anteriores
(vide referencias bibliográficas) e na Medicina
Tradicional Chinesa.
SUGESTÃO DE PONTOS SEGUNDO A LITERATURA
PESQUISADA PARA O TRATAMENTO COM ACUPUNTURA NA
CEFALÉIA TIPO TENSIONAL CRÔNICA:
PONTOS SUGERIDOS :
GB 20 –Fengchí – Piscina do Vento – Ponto de
comunicação com o Yangwei Mai. Localiza-se
abaixo da borda occipital, na depressão da
inserção dos músculos trapézio e
esternocleidomastóideo, na altura de Fengfu ( GV
16). Faz-se o agulhamento deste ponto
transversal, oblíquo ou perpendicular, 0.5 a 1.2
Tsuns de profundidade. Evita-se o agulhamento
oblíquo profundo devido à medula.
LI 4 – Hégu – Encontro dos vales – Ponto Yuan (
fonte)- Localiza-se no dorso da mão, entre os
ossos do primeiro e segundo metacarpos, no ponto
médio do lado radial do segundo osso do
metacarpo( ou na elevação do musculo interósseo,
ao se aduzir o polegar) – Agulhamento
perpendicular, 0.5 a 1.0 Tsun de profundidade.
LR 3 - Taichong- Grande caminho- Ponto Shu (
córrego) e ponto Yuan ( fonte), pertence ao
elemento Terra- Localiza-se no dorso do pé, na
depressão proximal entre o primeiro e segundo
ossos do metatarso. Agulhamento perpendicular ou
oblíquo, 0.3 a 0.8 tsun de profundidade.
GB14 – Yangbái – Brilho do Yang – Ponto de
comunicação com o Yangwei Mai. Localiza-se 1
Tsun acima da sobrancelha, diretamente acima da
pupila, faze-se o agulhamento transversal 0.3 a
0.8 Tsun de profundidade.
GB 8 – Shuàigu – Vale do Comando – Ponto de
comunicação com o meridiano da bexiga –
Localiza-se diretamente acima do ápice da
orelha,1.5 tsuns de profundidade acima da linha
do cabelo, acima do Jiaosun (TE 20). Agulhamento
transversal 0.3 a 0.8 Tsun de profundidade.
GB 21 - Jianjing- Poço do Ombro – Ponto de
comunicação com os meridianos do Sanjiao e
Yangqei Mai. Localiza-se no ponto médio entre
Dazhui ( GV 14) e o acrômio do ombro,
diretamente acima na linha do mamilo.
Agulhamento perpendicular,0.5 a 0.8 tsun de
profundidade, evitando o agulhamento profundo
devido ao ápice do pulmão.
BL 2 – Cuanzhu- Bambuzal – Localiza-se na
extremidade medial da sobrancelha. Agulhamento
perpendicular ou transverso, 0.3 a 0.8 Tsun de
profundidade.
BL 10 – Tianzhú- Pilar do céu – Localiza-se na
nuca,na depressão da borda lateral do músculo
trapézio, 1.3 tsuns lateral a linha média
posterior, 0.5 Tsun acima da linha posterior do
cabelo. Agulhamento perpendicular ou oblíquo,
0.3 a 0.5 tsun de profundidade.
BL 60 – Kunlún – Montanhas Kunlún- Ponto Jing ,
pertence ao elemento fogo. Localiza-se na
depressão entre o tendão do calcâneo e o ponto
mais alto do maléolo lateral do tornozelo-
Agulhamento perpendicular, 0.5 a 1.0 Tsun de
profundidade.
LU 7 – Liéque - Fora do alinhamento – Ponto Luo
, de comunicação com o Ren Mai- Localiza-se na
fissura do processo estilóide do rádio, 1.5
Tsuns proximal à prega do punho. Agulhamento
oblíquo, 0.5 a 1.0 Tsun de profundidade.
TE 5 – Wàiguan – Ponto Externo – Ponto Luo de
comunicação com o Yangwei Mai - Localiza-se na
face dorsal do antebraço, na linha que liga o
Tángchi (TE 4) à ponta do olecrano, 2 tsuns
proximal à prega do punho, entre os ossos radio
e ulna. Agulhamento perpendicular , 0.5 a 1.0
Tsun de profundidade.
ST 8 - Toúwéi- Suporte da Cabeça – Ponto de
comunicação com os meridianos da Vesícula Biliar
e Yangwei – Localiza-se na entrada do cabelo,
0.5 Tsun acima da linha anterior do cabelo, 4.5
Tsuns lateral à linha média central. Agulhamento
antero-posterior, 0.5 a 1.0 tsun de
profundidade.
ST 36 - Zúsanli – Tres milhas a pé – Ponto Ho (
mar), pertencente ao elemento Terra. Localiza-se
na face antero-lateral da perna, 3 tsuns abaixo
de Dúbi ( ST 35) e a largura do dedo médio
lateral à borda anterior da tíbia, com o joelho
fletido, perpendicular ao plano de fundo.
Agulhamento perpendicular ou oblíquo 0. a 2.0
tsun de profundidade.
ST 44 - Néiting - Vestibulo Interno – Ponto Ying
(nascente) – Localiza-se no dorso do pé, na
articulação metatarso –falangeana entre o
segundo e terceiro dedos, na transição da pele
clara para a escura, próxima a margem da planta
do pé. Agulhamento perpendicular ou oblíquo, 0.3
a 0.8 tsun de profundidade.
GV 20 – Baihuí - Encontro dos Cem - Ponto de
comunicação com todos os meridianos Yang e do
Fígado – Localiza-se na linha média, 5 tsuns
acima da linha anterior do cabelo, no ponto
médio da linha que une o ápice das orelhas ( 7
tsuns acima da linha posterior do cabelo).
Agulhamento transversal, 0.3 a 0.8 tsun de
profundidade.
Como já foi provado em estudos laboratoriais que
o nível de endorfinas liquóricas são alterados
para mais após seções de Acupuntura e de acordo
com os trabalhos evidenciados de que os
indivíduos com CTT possui um nível menor de
serotonina e endorfinas liquóricas (10,11),
realmente, embora não estatisticamente
significativo, a acupuntura melhoraria a
intensidade das crises durante o tratamento e a
ansiedade sobretudo como sintoma associado (21),
e quem sabe como sintoma da gênese da CTT, já
que ainda existem controvérsias a respeito.
Muitos pontos citados nos trabalhos publicados
são coincidentes com os trigger points (21,22),
demonstrando indiretamente, que o quadro
tensional muscular poderia contribuir também
para a gênese da cefaléia tipo tensional. Esse
estudo e essas perguntas seriam respondidas e
resolvidas no decorrer de mais trabalhos usando
a acupuntura para o tratamento da CTT.
Temos que encarar a Acupuntura como um real
tratamento alternativo, senão principal, para a
Cefaléia Tipo Tensional.
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