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Monóxido de Carbono
O monóxido de carbono (CO) é um gás inodoro,
incolor, insípido produzido por queima
incompleta de combustíveis que contém átomos de
carbono. Sua toxicidade foi uma das primeiras a
ser intensamente investigada e, portanto, é
muito bem conhecida.
Essencialmente, trata-se de uma substância que
prejudica a oxigenação dos tecidos e, por isso,
é classificada como um
asfixiante sistêmico. Vejamos este
mecanismo:
A substância que carrega oxigênio aos tecidos é
a hemoglobina que está dentro dos glóbulos
vermelhos do sangue (também chamados de hemácias
ou eritrócitos). Ao nível dos capilares
pulmonares, a hemoglobina recebe oxigênio (O2)
do ar que está nos alvéolos e, depois, continua
pelos vasos sangüíneos para levar este elemento
vital a todos os tecidos. O O2 é entregue a cada
setor do organismo conforme sua necessidade e a
hemoglobina recebe o CO2 lá existente, e que é o
produto resultante do metabolismo celular do
qual os tecidos precisam se livrar. Repetindo:
nos pulmões a hemoglobina troca CO2 por O2
nos tecidos a troca é inversa: O2 por CO2
A reação acima é possível porque a combinação
desses gases com a hemoglobina formam compostos
instáveis, facilmente liberando O2 ou CO2.
Esse é um processo essencial à vida. Se parar,
as células deixam de receber oxigênio e entram
em anóxia, ocorre
asfixia geral.
A periculosidade do CO resulta da estabilidade
do complexo CO + hemoglobina (carboxihemoglobina),
de modo que o mecanismo de troca fica
prejudicado: a hemoglobina não se consegue
livrar do CO, não pode trocá-lo por O2 e,
conseqüentemente, oxigenar o organismo. É por
isso que o CO é um asfixiante sistêmico.
Se 20% a 30% da hemoglobina ficarem saturados
com CO, aparecem os sintomas e sinais de
hipóxia
(falta de oxigenação do organismo);
acima de 60%
de saturação, ocorrem perda da consciência e
morte.
A hipóxia é um fenômeno biológico complexo e
suas manifestações clínicas são complicadas.
Todos os órgãos necessitam de O2, no entanto
alguns em maior quantidade do que outros. Assim,
o sistema nervoso central é o maior consumidor
desse gás e é muito sensível à sua falta.
Portanto, confusão mental, inconsciência e
parada das funções cerebrais caracterizam as
intoxicações graves pelo CO. Nos envenenamentos
crônicos, há perturbações mentais, cardíacas,
renais e hepáticas, principalmente. Entretanto,
é importante saber que nas intoxicações agudas
ou crônicas, se a vítima não mais respirar CO e,
desse modo, a concentração de carboxihemoglobina
se mantiver estável, a hemoglobina lentamente se
livra desse gás tóxico, o sistema sangüíneo
reage produzindo novos glóbulos vermelhos
prontos para a troca vital de gases e, após
vários dias, restabelece-se o ciclo normal da
oxigenação celular. A absoluta maioria dos
pacientes tem recuperação completa e sem
seqüelas.
Óxidos de Nitrogênio
Dois NOx são importantes na poluição do ar: o
monóxido de nitrogênio (NO) e o dióxido de
nitrogênio (NO2). Esses poluentes são formados,
principalmente, nas câmaras de combustão de
motores de veículos onde, além do combustível,
há ar que contém grandes quantidades de
nitrogênio e oxigênio que, devido à altíssima
temperatura existente, combinam formando os NOx.
(Esclarecimento: a composição do ar normal é:
78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de
argônio. Existem outros elementos, porém em
quantidades ínfimas.)
O NO, se permanecesse puro, seria um gás
praticamente inofensivo e não representaria
perigos à saúde. Entretanto, ele se oxida
facilmente para NO2 que é um gás invisível, de
odor característico e muito irritante. A pessoa
atingida sente imediatamente
ardência nos olhos,
no nariz e nas mucosas em geral. Como veremos há
vários outros gases irritantes que causam os
mesmos sintomas.
O NO2 reage com todas as partes do corpo
expostas ao ar, pele e mucosas, e provoca
lesões
celulares. Os epitélios (revestimentos
celulares) que mais sofrem são aqueles das vias
respiratórias, por serem mais sensíveis do que a
pele ou os epitélios da boca e da farínge, e,
portanto, ocorrem degenerações celulares e
inflamações no sistema respiratório, desde o
nariz até à profundidade dos alvéolos
pulmonares.
Em caso de intoxicação grave, instalam-se edema
pulmonar, hemorragias alveolares e insuficiência
respiratória, causando morte. Se a exposição for
aguda, porém não fatal, ou houver inalação
crônica de doses nocivas, teremos doenças
respiratórias de vários tipos, dependendo da
intensidade e duração da exposição. A mais
branda será uma inflamação passageira das
mucosas das vias respiratórias. Seguindo em
ordem crescente de gravidade aparecerão:
traqueites e bronquites crônicas, enfisema
pulmonar (dilatação anormal dos alvéolos),
espessamento da barreira alvéolo-capilar
(dificuldades nas trocas gasosas que ocorrem nos
pulmões: CO2 por O2)
e broncopneumonias químicas
ou infecciosas.
As broncopneumonias químicas são inflamações dos
pulmões e vias respiratórias causadas por
substâncias químicas. (Inflamação nada mais é do
que uma das muitas formas com que os tecidos
reagem perante irritantes químicos ou físicos,
ou a microroganismos. Certamente, você já teve
uma reação inflamatória : por exemplo, nos olhos
em conseqüência à poluição ou nos dedos ao
sofrer uma queimadura.) Já as broncopneumonias
infecciosas são causadas por microorganismos
patogênicos. Durante a respiração, as bactérias
que existem no ar normalmente penetram nos
pulmões, no entanto, as defesas do sistema
respiratório evitam que elas provoquem doenças.
Porém, quando um agente irrita e inflama os
tecidos, como no caso do NO2, estas defesas
ficam prejudicadas, as capacidades bactericidas
do sistema respiratório falham e rompe-se o
equilíbrio entre as bactérias e o organismo.
Desta forma, instalam-se as broncopneumonias
infecciosas que têm de ser tratadas com
antibióticos.
Assim, uma vez que houver um dano permanente ao
sistema de defesa respiratória, o indivíduo
estará sempre sujeito a infecções das vias
respiratórias e dos pulmões.
O NO2, tal como os
gases irritantes em geral, é capaz de induzir
alterações permamentes ao organismo,
especialmente ao sistema respiratório.
Dióxido de Enxofre
No ar de São Paulo há, relativamente, pouco
dióxido de enxofre (SO2). Felizmente! Trata-se
de um gás amarelado, com o odor característico
do enxofre e terrivelmente irritante. Porquê? O
problema é que, em contato com superfícies
úmidas, transforma-se em ácido sulfúrico. A
reação é simples:
SO2 + H2O ---> H2SO3 (ácido sulfuroso)
para chegar a ácido sulfúrico só falta um átomo
de oxigênio, que é facilmente obtida da
atmosfera, pois nela não faltam substâncias
oxidantes e, nem mesmo, oxigênio livre. A reação
continua assim:
HO2SO3 + O ---> H2SO4 (ácido sulfúrico)
A intoxicação aguda e fatal por SO2 simplesmente
queima as vias respiratórias, desde a boca e o
nariz até aos alvéolos. A destruição é marcada
por inflamação, hemorragia e necrose dos
tecidos. Esta situação dramática não ocorre, nem
mesmo quando se queima o pior tipo de óleo
diesel com os mais altos teores de enxofre, pois
a quantidade de SO2 é pequena.
As quantidades de SO2 lançados no ar, sobretudo
pelos canos de escapamentos de ônibus e
caminhões, provocam irritações discretas mas
importantes ao longo prazo. Se o nível do gás
for alto, como quando a CETESB decreta atenção,
as pessoas sentem ardência nos olhos, nariz e
garganta e, por vezes, tossem. (E' evidente que
na situação real há uma somatória de efeitos com
outros gases mas, agora, por razões de clareza,
ignoraremos esse fato.) Nas situações habituais
do centro de São Paulo (!), em que o ar é apenas
inadequado, não há sintomas, porém as
quantidades ínfimas de SO2 liberadas pelos
milhares de escapamentos vão minando as defesas
respiratórias.
Como?
A mucosa respiratória que atapeta o nariz, a
traquéia e os brônquios, enfim a região chamada
de vias aéreas superiores, é muito engenhosa.
Possui uma camada celular com vários tipos de
células, dos quais apenas dois interessam agora:
as células mucosas e as células ciliadas. As
primeiras secretam muco recobrindo com uma
camada fina as vias aéreas superiores; as outras
movimentam seus cílios de tal modo que a camada
de muco é continuamente deslocado de dentro para
fora, dos pulmões para à boca. O muco é pegajoso
e próprio, portanto, para prender partículas de
todo tipo que entram pelas vias aéreas durante a
respiração. Graças ao trabalho das células
ciliadas, as partículas ou mesmo bactérias
coladas ao muco não chegam à intimidade dos
pulmões mas são expulsas para a boca e
imperceptivelmente deglutidas. Uma vez no
estômago, o ácido clorídrico e o restante do
tubo digestivo se encarregam delas. Este sistema
de defesa é chamado de aparelho mucociliar.
O gás SO2 é muito solúvel e ao chegar na mucosa
respiratória, sabidamente úmida, encontra água.
Assim transforma-se em ácido sulfuroso e/ou
sulfúrico que, mesmo em quantidades muito
pequenas, ao longo do tempo lesam o aparelho
muco-ciliar e, em conseqüência, uma das defesas
importantes do pulmão. A doença que provoca é a
tráqueo-bronquite crônica que, depois de certo
tempo é irreversível, pois as defesas foram
definitivamente comprometidas. Deste modo
teremos uma afecção inflamatória crônica das
vias aéreas superiores, cujo portador fica
predisposto a frequentes
infecções
respiratórias, por exemplo
broncopneumonias,
porque o ar que respiramos contém, na mais das
vezes, bactérias e virus.
Hidrocarbonetos
Os HCs constituem uma grande família de
substâncias orgânicas compostas de hidrogênio e
carbono. Os combustíveis fósseis, a gasolina e o
óleo diesel, têm centenas de HCs alguns formados
por longas cadeias de carbono.
Na queima dos combustíveis fósseis a situação
persiste: os gases de emissão da gasolina e do
óleo diesel contém muitos HCs distintos, entre
eles uma família especial, a dos hidrocarbonetos
policíclico aromáticos (HPAs). Dá-se o nome de
aromáticos a todos os compostos orgânicos que
têm núcleo benzênico (benzeno) na molécula.
Chamam-se de cíclicos aqueles compostos que
apresentam mais de um anel em sua estrutura, por
exemplo o antraceno, que tem 3 anéis.
HPAs são, pois, compostos orgânicos de carbono e
hidrogênio que possuem mais de uma estrutura em
anel e, pelo menos, um núcleo benzênico.
Muitos HCs não têm efeitos sobre a saúde, a não
ser em concentrações altíssimas que nunca
ocorrem nas poluições atmosféricas. Entretanto,
existem HCs que são perigosos por serem
irritantes, por agirem sobre a medula óssea
provocando anemia e
leucopenia, isto é,
diminuindo o número de glóbulos vermelhos e
brancos, e, sobretudo, por provocarem
câncer. Os
mais ativos são os HPAs e suas potencialidades
neoplásicas ou carcinogênicas - a capacidade de
induzirem câncer - foram e são intensamente
investigadas.
Na indústria petroquímica existe o risco das
leucemias (câncer do sangue) e, por isso, os
níveis dos HCs perigosos são constantemente
controlados. Nas poluições atmosféricas por
automóveis, a correlação entre os níveis de HPAs,
densidade de tráfego e incidência de câncer
pulmonar foi demonstrada e, em conseqüência,
foram desenvolvidos os catalizadores que reduzem
a quantidade de HPAs emitida pela queima de
gasolina e óleo diesel. No Brasil esses
catalizadores já são utilizados.
Aldeídos
Aldeídos são compostos químicos resultantes da
oxidação parcial dos álcoois. Assim, o álcool
metanol ao perder um átomo de hidrogênio (a
perda de hidrogênio aumenta a proporção de
oxigênio e, por isso, fala-se em oxidação dos
álcoois) dá origem ao aldeído fórmico e o
etanol, ao acético:
HO3C-OH (metanol) ---> HO3C=O (aldeído fórmico)
HO3C-HO3C-OH (etanol) ---> HO3C-HO3C=O (aldeído
acético)
Na temperatura ambiente o aldeído fórmico (AF) é
um gás incolor e de cheiro muito agressivo. O
que se encontra como formol no comércio é a
solução aquosa de AF. Na Medicina é usado como
desinfectante de salas cirúrgicas ou outras, e
pelos anatomistas e patologistas para
preservarem tecidos, órgãos ou cadáveres. O AF
também é muito consumido na indústria da
madeira, de plásticos e de vernizes.
O aldeído acético (AA) é um líquido a 21oC ,
acima desta temperatura transforma-se em gás. É
explosivo, incolor e de cheiro característico,
desagradável quando em altas concentrações. E'
extensivamente utilizado na indústria química
para a preparação de outros produtos como
cloral, ácido tricloroacético, inseticidas,
etc...
No contexto da poluição do ar de São Paulo, os
aldeídos interessam por causa do combustível
álcool usado em automóveis.
Os aldeídos emitidos pelos carros são o AF e o
AA. O AF é componenete dos gases de escapamento
e é emitido em quantidades muito pequenas, tanto
no caso da gasolina como no do álcool. O que
polui o ar em quantidades maiores é o AA e isso
só ocorre com o automóvel a álcool. Conforme já
explicado, o etanol é parcialmente oxidado em AA
que nas temperaturas do motor transforma-se em
gás, e é emitido junto com todas as outras
substâncias. Sua permanência na atmosfera é
curta porque é extremamente reativo,
transformando-se em outros compostos. Por essa
razão é muito difícil obter altas concentrações
de AA no ar, de forma estável e por longo tempo.
Para efeitos biológicos, o AA é classificado
como irritante e
narcótico. Em altas doses e se
injetado no organismo, este solvente também se
mostra cancerígeno. Contudo, na prática, ninguém
é injetado com AA e, conseqüentemente, seu
potencial neoplásico é, até prova em contrário,
apenas experimental. Sua
neurotoxicidade é
comprovada e altas concentrações na atmosfera,
obtidas em laboratório, causam vertígens,
convulsões, coma e morte a ratos. A autópsia
evidencia graves lesões no sistema nervoso
central dos animais. Concentrações menores
irritam as mucosas dos olhos, do nariz e das
vias respiratórias em geral, e provocam
constrição dos brônquios, ou seja, uma
crise
asmática.
É muito interessante que, no caso das bebidas alcóolicas, o organismo livra-se de grande parte
do álcool ingerido por meio de uma série de
transformações químicas realizadas no fígado que
terminam decompondo-no em água e dióxido de
carbono, substâncias essas facilmente
elimináveis pelos rins e pulmões. A reação é
complicada e nem nós interessa a não ser num
aspecto: o seu primeiro passo é oxidar o álcool
em aldeído, sendo álcool etílico em aldeído
acético. Isto significa que, frequentemente, uma
certa quantidade de AA é fabricada pelo próprio
organismo que, no caso dos alcóolatras ou os
assim chamados "bebedores sociais", pode
alcançar níveis indesejáveis, tendo efeitos
sobre o psiquismo e as próprias células
hepáticas. Assim, salvo algum acidente
extraordinário, a maior quantidade de AA que
atinge o organismo é fabricada por ele mesmo a
partir do álcool etílico. Certamente, nenhuma
poluição por gases de escapamento de carros a
álcool se quer se aproxima dos níveis de AA
fornecidos por uma dose dupla de cachaça ou de
uísque!
Material Particulado
As fábricas e todos os veículos a motor enchem a
atmosfera com material particulado (MP). Os
caminhões e ônibus a diesel lançam ao ar gases e
MP; esse constitui a maior parte da massa da
exaustão de seus motores. 80% da MP é fuligem, a
fumaça negra que se vê saindo pelos canos de
escapamento. A MP não é uma substância mas, sim,
um complexo muito grande de elementos que se
agregam em partículas. No caso da fuligem, a
maior parte da partícula é constituida por
carvão, que não causaria por si grandes danos ao
organismo; contudo, acontece que há uma
tendência das outras substâncias existentes no
ar a se aderirem à partícula, e aí que começa o
problema do sistema respiratório.
Na atmosfera, em qualquer ar por mais limpo que
seja, existe poeira. São partículas de diversos
tamanhos: se muito grandes caiem logo ao solo
pela força da gravidade, se menores flutuam no
ar e podem ser inalados pelos seres vivos. No
homem essas são retidas nas vias respiratórias
superiores pelo aparelho mucociliar já descrito,
porém, algumas partículas muito pequenas
(menores do que 10 micra), penetram até a
intimidade do pulmão e depositam-se nos
alvéolos.
O tecido pulmonar possui um sistema de defesas
eficiente que remove a poeira que nele penetra.
Células especializadas, os
macrófagos, procuram fagocitar as partículas e o
sistema linfático
drena àquelas que escaparam dessas células a
filtros apropriados, chamados de
linfonodos.
Enquanto que o aparelho mucociliar retira
rapidamente do organismo as partículas que nele
ficaram presas, os macrófagos e o sistema
linfático mantém por um tempo longo as sujeiras
nos pulmões e tecidos adjacentes.
A fuligem é composta de partículas
suficentemente pequenas para penetrarem nos
alvéolos pulmonares e carregam consigo todas as
substâncias adsorvidas a elas. Este é o problema
! No ar há poluentes de todos os tipos,
irritantes, tóxicos e cancerígenos, cuja ação é
facilitada pelo MP porque, além de levá-los ao
tecido pulmonar, como explicamos acima,
mantém-nos por longo tempo junto às células,
permitindo que pequenas quantidades de tóxicos
causem danos graças à sua prolongada
permanência.
Portanto, o MP é simplesmente o mais eficiente
transportador de poluentes atmosféricos para a
intimidade do organismo.
Chumbo
O Pb é um metal pesado que se adiciona à
gasolina em forma de tetra-etila ou tetrametila
de Pb, a fim de aumentar a octanagem desse
combustível. Até há poucos anos, a cada litro de
gasolina acrescentava-se em torno de 1g de Pb e
os gases de escapamento liberavam praticamente
toda essa quantidade de Pb no ar. Na década dos
70, estimou-se nos USA em 200.000 toneladas o Pb
emitido anualmente pelos carros. Mais
recentemente, em 1982, verificou-se que na
cidade do México caía 2,3 toneladas de Pb sobre
cada km². Como se trata de um metal pesado, ao
ser lançado na atmosfera pelo escapamento, uma
pequena parte pode ser respirada por seres
vivos, porém todo o resto precipita-se
rapidamente ao solo. Aí, na terra, o Pb
contamina águas, alimentos, pastagens, enfim
tudo que existe. Desta forma, além de entrar no
organismo por inalação, o Pb também penetra por
ingestão de alimentos contaminados. Já se
calculou que um cidadão de uma grande cidade,
onde circulam automóveis a gasolina com Pb,
ingere aproximadamente três vezes mais Pb do que
um indivíduo de área rural, longe de tráfego
intenso.
A intoxicação pelo Pb é conhecido há longa data
e a doença que provoca é chamada de
saturnismo.
Existem alguns historiadores que atribuem a
decadência do Império Romano ao saturnismo,
visto que o encanamento hidráulico, que apenas
servia ao elite, era de chumbo. Esse metal afeta
principalmente o sangue, o sistema nervoso, os
rins e o aparelho gastrintestinal. No
sangue
causa anemia e uma degeneração das hemácias. No
sistema nervoso verificam-se neurites nos
adultos e encefalopatias nas crianças. Lesões
dos túbulos proximais caracterizam o
acometimento renal e, finalmente, a
sintomatologia da intoxicação por Pb do
aparelho
digestivo é expressa por dores violentas em
cólica.
Os problemas renais, neurites e cólicas
abdominais só aparecem com doses altas de Pb e,
geralmente, são conseqüentes a acidentes ou
intoxicações industriais. Portanto, afeta mais a
população adulta. No caso das poluições de ar
urbano, a quantidade de Pb jamais atinge níveis
dramáticos, contudo, assim mesmo preocupa as
autoridades santitárias. Acontece que o Pb
absorvido, seja pelos pulmões, seja por via
digestiva, é cumulativo. Isto quer dizer que o
organismo tem dificuldades em se livrar desse
metal e há uma tendência de acumulá-lo nos
dentes e nos ossos. Com o correr do tempo, mais
e mais Pb é juntado no organismo e a sua taxa no
sangue vai aumentando.
Os níveis de Pb no sangue podem ser medidos e
aceita-se como normal 25ug de Pb por dl de
sangue, no entanto há indícios de que esse nível
é alto demais e, muito provavelmente, haverá um
consenso internacional para corrigi-lo. Acima de
25ug começam disfunções do sistema nervoso
central que são bem evidentes quando a
concentração de Pb atinge 40ug. Ao chegar a 60ug
começam anemias, nefropatias, desordens
gastrintestinais, além da encefalopatia. A
observação de que a taxa de Pb estava aumentando
no sangue de pessoas que trabalhavam no tráfego
ou com motores de carros: policiais, mecânicos,
manobristas e outras, assim como em crianças que
viviam próximas a grandes rodovias, chegando a
atingir níveis preocupantes, levou alguns países
a tomarem medidas no sentido de diminuir o teor
de Pb na gasolina e mesmo de eliminá-lo
completamente, com substitutivos que elevassem a
octanagem como, por exemplo, os álcoois.
No Brasil a gasolina vendida nos postos não
contém Pb porque o etanol o substitui (a
gasolina vendida nos postos contém 22% de
etanol), e está bem demonstrado que os níveis
atmosféricos deste metal diminuíram na cidade de
São Paulo nos últimos anos. Isto não quer dizer
ausência absoluta de Pb no combustível, pois
durante a produção, armazenamento e distribuição
ocorre contaminação da gasolina pelo metal. Essa
quantidade de chumbo por contaminação acidental
não ameaça a saúde da população, porém é um
estorvo sério à utilização de catalisadores nos
automóveis que se pretende implantar brevemente
em nosso país.
Oxidantes Fotoquímicos
A luz solar causa uma série de reações entre as
substâncias existentes na atmosfera que, muito
apropriadamente, são chamadas de reações
fotoquímicas. Os produtos que resultam dessas
reações são milhares e são divididos em
categorias. Aqueles compostos que são
resultantes da ação do luz solar e de oxidações
químicas foram denominados de oxidantes
fotoquímicos (OFs). Os principais são: ozônio,
aldeídos, cetonas e peróxidos.
As reações foto-oxidantes são complexas e,
geralmente, têm várias etapas. Antes de dar
alguns exemplos, vejamos de modo simplificado:
Substância A + Substância B + Luz Solar =
Substância C
A substância C é o OF e quase sempre é instável,
de forma que gera novos OFs:
Substância C + Substância D + Luz Solar --->
Substância E
e assim por diante.
O ozônio forma-se deste modo:
NO2 + Luz Solar ---> NO + O
O + O2 + Luz Solar ---> O3 (ozônio)
O ozônio é considerado o oxidante fotoquímico
mais importante e é muito irritante.
Vejamos um famoso OF, o peroxiacetil nitrato (PAN):
HCs + O2 + Luz Solar ---> separa o radical livre
dos HCs
Radical Livre + NO2 ---> nitratos de peroxila,
entre eles
o PAN.
Os aldeídos também produzem oxidantes
fotoquímicos:
H2C=O (aldeído fórmico) + Luz Solar ---> H + HCO
HCO + O + Luz Solar ---> CO + HO2
(hidroperóxido)
ou, outra reação:
HO3C-H2C=O (aldeído acético) + Luz Solar --->
H + HO3C-HCO
2 HO3C-HCO + O2 + Luz Solar ---> 2 H3C-CO + H2O2
(peróxido de hidrogênio)
PAN, O3, aldeídos e outros oxidantes
fotoquímicos formam o famoso "smog" fotoquímico,
parte daquela nuvem marrom-avermelhada em dia
quente de inverno paulistano que irrita os olhos
e a garganta. ("smog" vem da contração das
palavras inglesas "smoke", fumaça, e "fog",
neblina, e expressa uma poluição atmosférica
típica.) Sua ação tóxica deve-se,
principalmente, à capacidade de oxidar
proteínas, lipídios e outras substâncias
químicas integrantes das células, lesando ou
matando as mesmas, dependendo da concentração e
do tempo de exposição.
Assim, os oxidantes fotoquímicos agravam a ação
irritante dos outros poluentes e intensificam as
inflamações e infecções do sistema respiratório. |