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Antes de mais nada, vamos
dizer o que
NÃO
FAZER. Lamentamos
desapontar você e
contradizer todos os filmes,
livros e histórias de
aventuras, quando
homens-macacos, heróis do
faroeste, nobres selvagens e
mocinhos de todos os tipos,
aplicam torniquetes na
perna, cortam os músculos
com a faca, chupam o veneno
com a boca e aplicam brasas,
ferros incandescentes, fumo,
bosta de vaca e outros
remédios heróicos sobre a
mordida de cobras.
Não
faça nada disto.
Nem o torniquete. Tampouco
aplique pó de café,
querosene ou teia de aranha,
seguindo a sabedoria
popular. Hoje, a experiência
nacional é muito grande e
sabe-se que todas essas
tentativas de cura,
consagradas ao longo dos
tempos, só prejudicam.
Repetimos:
não
faça intervenção alguma, é
melhor. Procure
manter a calma: lembre-se
que a maioria dos acidentes
ofídicos não matam nem mesmo
quando não tratados;
lembre-se que a soroterapia
resolve seu caso, mesmo se
instituída muitas horas – 6
a 12 horas – depois. Se
sentir dor, tome um
analgésico.
"Se tiver ampolas de soro
anti-ofídico por perto?"
Primeiro considere as
condições de armazenamento.
As ampolas de soro
anti-ofídico devem ser
conservadas em geladeira
entre 4oC e 6oC positivos;
na temperatura ambiente
duram pouco: alguns meses. A
seguir, observe a validade
dos soros, pois é muito
comum estarem vencidos há
anos. Depois de certificadas
as condições de estocagem e
o vencimento das ampolas,
elas devem ser aplicadas
mas
não por você, sobretudo se
estiver sozinho. É um
remédio para mãos
experientes. A soroterapia
tem suas dificuldades que
colocaremos logo mais.
Busque socorro e leve as
ampolas consigo.
O que fazer?
Procure imediatamente chegar
ao primeiro centro médico
que tiver a seu alcance e
transmita suas observações
(aquelas
quatro observações
mencionadas no texto sobre o
"reconhecimento das cobras
venenosas") à
primeira
pessoa que lhe socorrer, a
fim de que, em caso de
desmaio, haja alguém para
prestar informações ao
médico. Se estiver fácil,
lave o local da mordida com
água e sabão mas não perca
tempo:
procure um centro
médico.
O que é que o médico vai
fazer ?
Ao chegar no posto médico,
sua história será ouvida
enquanto a região mordida
for lavada. Depois seguirá
um exame cuidadoso. As
primeiras preocupações serão
de diagnosticar o tipo de
cobra responsável pelo
acidente e avaliar a
intensidade do
envenenamento. O médico
procurará examinar bem as
alterações locais, isto é a
região em que você foi
picado e, também, as suas
condições sistêmicas ou
gerais.
A região mordida por cobras
dos gêneros Bothrops e
Lachesis são os que mais
provocam manifestações
locais. Aparecem a dor, o
edema (inchaço), hemorragia,
bolhas na pele, reação
inflamatória, com ou sem
infecção, e a necrose (morte
do tecido), em graus
variados. Quanto mais
intensos forem esses sinais,
maior dose de soro será lhe
administrado. A cascavel e a
cobra coral não costumam dar
sinais locais importantes, a
não ser quando é aplicado
garrote, incisões a faca,
etc... Contudo, a primeiro
costuma deixar sinais
evidentes da picada, visto
que suas presas são bem
desenvolvidas, enquanto que
a segunda, praticamente, só
deixa escoriações.
Os aspectos sistêmicos
variam bastante:
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As cobras dos gêneros
Bothrops e Lachesis causam
hemorragias várias, das
gengivas, do tubo digestivo
e dos rins, principalmente.
Também provocam choque
(queda da pressão arterial)
e insuficiência renal. A
surucucu tem neurotoxicidade
maior e, portanto, pode
causar choque mais
precocemente do que a
jararaca, devida uma forte
estimulação vagal (sistema
nervoso autônomo). |
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A mordida da cascavel é
seguida de náuseas e
vômitos. Pouco tempo depois,
nas primeiras 6 horas,
aparecem queda de pálpebra,
distúrbios visuais,
dificuldade de movimentação
dos membros e, até, dos
movimentos respiratórios.
São os sinais típicos da
neurotoxicidade do veneno
crotálico. A vítima também
se queixa de dores
musculares generalizadas,
pois o veneno é miotóxico.
Em fases avançadas, costuma
instalar-se a insuficiência
renal. |
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A coral é basicamente
neurotóxica e impede a
transmissão do sinal nervoso
ao músculo. Seu veneno
potente provoca queda de
pálpebra, distúrbios visuais
e paralisias musculares
graves. Ainda bem que o
animal é pequeno e, em
geral, inocula pouco veneno.
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Feita a avaliação, a equipe
do hospital instalará a
soroterapia, a mais
específica possível. Você
receberá de 4 a 12 ampolas
de 10 ml cada, dependendo da
gravidade do seu caso, por
via intravenosa. Após o
medicamento anti-ofídico,
receberá soro
glicofisiológico pela veia,
a fim de evitar a
insuficiência renal. Também
lhe aplicarão uma injeção de
soro antitetânico,
profilaticamente. Se
existirem complicações, como
infecção, necrose ou
insuficiência renal aguda já
instalada, as medidas serão,
respectivamente,
antibioticoterapia,
intervenção cirúrgica para
remover os tecidos
necrosados e diálise renal.
Em caso de acidentes
causados por cobra coral ou
cascavel, o médico observará
a ação neurotóxica do veneno
e tratará de corrigir a
situação com medicações que
ajudam a neurotransmissão,
que fica seriamente
comprometida e provoca as
paralisias.
Finalmente, o médico terá
que observar cuidadosamente
suas reações durante a
soroterapia. É que, com
certa freqüência, aparecem
reações de
hipersensibilidade,
imediatamente na hora da
administração do antiveneno
ou até um dia após a mesma,
que precisam ser
controladas. Isto é feito
com vários medicamentos
simpatomiméticos
(adrenalina, por exemplo) e
anti-histamínicos.
Considerando as reações de
hipersensibilidade, é que se
desaconselha que a
soroterapia seja instalada
por leigos.
Mais detalhes sobre "como
atuam os venenos das cobras"
aparecem no próximo artigo.
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