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A anatomia das cobras é caracterizada
pela ausência total de pernas
e braços e por um corpo extremamente
longilíneo. É interessante como
a natureza empacotou todos os
órgãos em um tubo tão alongado.

Apesar da ausência de membros,
a locomoção das cobras é ágil
e rápida. Ademais é muito silenciosa
e deixa poucos rastos. Para
que a cobra possa rastejar é
necessário que esteja sobre
uma superfície em que seu corpo
possa se agarrar. Assim, este
animal é incapaz de progredir
sobre uma tábua lisa. Ficará
se debatendo inutilmente.
Que se soubesse, todas as cobras
são capazes de nadar, porém
nenhuma das cobras venenosas
brasileiras têm como habitat
a água e, por conseguinte, não
representam perigo aos banhistas
de águas doces ou salgadas.
As cobras têm vísceras que cumprem
todas as funções que conhecemos
nos mamíferos, como aquelas
próprias do cérebro, coração,
pulmão (elas só possuem um),
fígado, rim, tubo digestivo
e órgãos sexuais. Devido ao
formato do corpo, os órgão pares
(rins, ovários, testículos)
não estão em posição simétrica
como, por exemplo, em nós, mas
um mais a frente do que o outro.
As serpentes não têm bexiga,
os rins excretam ácido úrico
na cloaca que é uma bolsa onde
também se esvazia o intestino.
Nisto, os ofídios lembram as
aves.
O serpente macho tem dois pênis
(chamado de órgão intrometente,
pois é muito diferente do órgão
correspondente dos mamíferos).
"... ?"
.
.
.
"Não, o serpente só pode cortejar
uma fêmea de cada vez. "
As fêmeas põem ovos ou dão luz
a filhotes completamente maduros
para enfrentar a existência
sozinhos. Na verdade, neste
caso, os ovos chegam a termo
dentro dos ovidutos da cobra.
Portanto, todos as serpentes
reproduzem-se por meio de ovos.
Jamais têm placenta. Quando
efetivamente põem ovos, são
chamadas de
ovíparas,
e quando os ovos eclodem dentro
do animal e nascem filhotes,
são denominadas de
ovovivíparas.
A cabeça da cobra é curiosa.
Os olhos estão sempre abertos
porque não possuem pálpebras
e isto lhes dá um ar severo
de extrema atenção.
Talvez
fosse esta característica que
deu origem
à lenda de que as serpentes
hipnotizam.
As pupilas são redondas nos
ofídios de hábitos diurnos e
são em forma de fenda bem fechada
nas de hábito noturno (isto
na luz do dia; é claro que a
noite, a íris abre e as pupilas
ficam redondas).
Nunca há orelhas ou mesmo ouvido
interno. Não têm laringe alguma.
Portanto, poderíamos dizer que
são criaturas surdas e mudas,
se não fosse pelo fato de que
podem sentir ruídos, através
da condução do som pelos ossos
da cabeça, e emitir ruídos,
como o famoso silvar ou sibilar
dos serpentes.
As cobras têm narinas e sentem
odores. A língua é bífida (inofensiva;
ao contrário da crença popular,
não pica) e leva continuamente
informações químicas do mundo
externo para o órgão de Jacobson,
que está no céu da boca. Este
é um espécie de aparelho gustativo
incrivelmente apurado, muito
mais do que o nosso.
Em muitos ofídios venenosos,
entre as narinas e os olhos
há uma depressão que é a fosseta
loreal. Esta parece um orifício
de cada lado da cabeça e daí
que essas serpentes são popularmente
chamados de "cobras-de-quatro-ventas".
A fosseta loreal é um órgão
termorreceptor vital para a
sobrevivência da cobra. É por
meio desta que percebe a presença
de animais de sangue quente,
por exemplo um camundongo ou
um passarinho, e garante sua
comida.

a seta vermelha aponta
para a fosseta loreal |
Os ossos da mandíbula são ligados
entre si e ao crânio por articulações
tipo dobradiça que são extremamente
flexíveis. Quando o animal necessita
engolir algo que é maior do
que sua cavidade bucal normal,
ele luxa essa articulação e
afasta a sua mandíbula da maxila.
É desse modo que uma cobra pequena
consegue engolir um ovo de galinha,
ou um sucuri, um bezerro.

A dentição é muito importante
e é utilizada para fins de classificação
das serpentes. Assim temos:
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Serpentes áglifas,
sem presas no osso
maxilar (parte superior
da boca) que só
possui dentes pequenos.
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Serpentes opistóglifas,
que têm dentes maiores
(pequenas presas)
na região maxilar
posterior com sulcos
mais ou menos esboçados. |
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Serpentes proteróglifas,
que apresentam um
par de presas com
sulcos, fixas na
região anterior
do osso maxilar.
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Serpentes solenóglifas,
que possuem duas
presas grandes e
móveis, com canais,
na região anterior
da maxila. |
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A mobilidade das
presas permite que
as mesmas fiquem
deitadas quando
a cobra fecha a
boca ou come. De
outro modo, o tamanho
desses dentes atrapalharia
a passagem de alimentos.
O veneno está armazenado
em glândulas salivares
especializadas (G).
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Logo mais, falaremos da
cauda das cobras e uma boa
pergunta que você poderia
fazer é:
"onde
é que começa a cauda da
cobra ?"
A resposta é que se
convencionou chamar de cauda
a parte do corpo da serpente
posterior ao orifício anal.
E com
isto chegamos ao fim da
anatomia das serpentes.
As "principais
cobras venenosas do Brasil"
são o assunto do próximo
artigo. |