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Quando iniciamos
a Ultra-sonografia mamária em 1978, a mamografia
era nitidamente superior ao ultra-som no
diagnóstico das patologias mamárias. Entretanto,
a melhora dos equipamentos de Ultra-sonografia
foi muito rápida, tendo havido incorporação de
novas tecnologias com um rítmo surpreendente e
recentemente superou a mamografia na capacidade
de diagnóstico da patologia mamária.
Em março de 1996,
o FDA aprovou o Ultra-Mark 9, High Definicion
Image, para fazer a diferenciação dos nódulos
benignos e malignos de mama sem a necessidade de
biópsia. Esse é um avanço indiscutível da
Ultra-sonografia que beneficiou enormemente a
mulher pois reduz em até 50% o número de
biópsias mamárias necessárias . Economiza-se
hospitalização, cirurgia, anestesia, exames
subsidiários pré e pós-operatórios e muito
stress.
Naturalmente que
para atingirmos esses resultados é necessário
seguirmos o protocolo aprovado pelo FDA
procedendo-se a análise morfológica e
fluxométrica com Doppler colorido da lesão.
Jamais a mamografia , em uso há mais de 50 anos
e desfrutando da sua plenitude tecnológica ,
substituiu o exame anátomo-patológico na
caracterização da lesão mamária.
A incidência de
câncer de mama vem aumentando progressivamente
nas últimas décadas, tendo crescido ao rítmo de
4.7% ao ano a partir de 1984. Nos EUA, uma em
cada oito mulheres (12.5 %) terão câncer de mama
durante a sua vida. É a neoplasia mais comum do
sexo feminino no Brasil .É indiscutível a
importância do diagnóstico precoce do câncer de
mama, para garantir a terapêutica mais efetiva e
maior sobrevida.
O desenvolvimento
dos equipamentos ultra-sonográficos de alta
resolução , associados ao Doppler colorido e
maior experiência do operador , aumentaram muito
a acuidade diagnóstica do ultra-som mamário e o
transformaram em um dos principais métodos de
diagnóstico das patologias mamárias.
A área de
alteração focal da arquitetura e textura (AA)
mamária é um critério indireto de malignidade
que descrevemos recentemente e que permite a
caracterização das lesões mamárias
potencialmente malignas ou com chance de sofrer
malignização a médio prazo. Esse sinal tem valor
preditivo positivo (VPP) de 23.3 %, sinaliza a
mama como de maior risco e permite o diagnóstico
de algumas lesões muito iniciais, antecipando em
até 5 anos o diagnóstico clínico. É
relativamente frequente no carcinoma multifocal,
de difícil diagnóstico clínico e radiológico,
tendo portanto grande valor propedêutico.
O exame com
Doppler colorido realizado nas áreas de AA
aumenta a capacidade de distinguir entre as
lesões altamente suspeitas de malignidade , que
são as hipervascularizadas e com VSM > 15 cm/s (
42% são lesões malignas ou pré malignas ) e as
menos suspeitas de malignidade, ou seja, normo
ou hipovascularizadas e com VSM < 15 cm/s ( 96%
são lesões benignas ). Baseados nestes
resultados é nossa recomendação que sempre que
se detectar uma área de AA no parênquima mamário
e o exame com Doppler colorido verificar que se
trata de lesões hipervascularizadas e com VSM
>15 cm/s , elas deverão ser sistematicamente
biopsiadas.
Uma limitação
frequentemente lembrada para a Ultra-sonografia
é a sua incapacidade de detectar
microcalcificações tissulares e baseando-se
nessa premissa alega-se que o método não tem
capacidade de detectar tumor mínimo. Poderíamos
da mesma forma alegar que a mamografia não
consegue detectar as áreas de AA que o ultra-som
detecta.
Os FN da
mamografia em nossas pacientes portadoras de
áreas AA foi de 25%, valor muito elevado, que
coloca a mamografia como inferior ao exame
fisico. A baixa acuidade da mamografia nessas
pacientes provavelmente se deve a ocorrência
frequente de AA em mamas de densidade moderada
ou acentuada. Como se sabe de longa data, os
falsos negativos da mamografia (média de15% para
todos os tipos de densidade mamária), aumenta
significantemente nas mamas muito densas (78.9%)
. Cerca de 10% dos nódulos palpáveis não são
diagnosticados na mamografia, quer devido a
hiperdensidade do parênquima mamário examinado,
quer pela incapacidade da mamografia realizar o
exame completo das mamas ( as margens e o
prolongamento axilar são de difícil acesso para
o exame radiológico) . O Instituto Nacional do
Câncer dos EUA(INC) reviu os resultados da
mamografia utilizada como screening proveniente
de vários países e constatou falsos negativos da
ordem de 40% em mulheres com idade inferior a 50
anos e divulgou esses resultados em nota aberta
à imprensa em junho de 1994 (foi noticiado
inclusive no Brasil) .Baseado nesse estudo o INC
contestou a recomendação da Sociedade Americana
de Câncer e Colégio Americano da Radiologia, de
realização da mamografia em mulheres com menos
de 50 anos, alegando que, até o presente, não há
nenhuma evidência de que a mamografia realizada
nesta faixa etária poderá melhorar a sobrevida
das mulheres portadoras do câncer mamário
diagnosticando-o mais precocemente . Essa
notícia afetou seriamente a confiança na
mamografia realizada de rotina para rastreamento
do câncer mamário. Quanto mais jovem for a
mulher, mais indicado estará o ultra-som para
exame das mamas, tanto para evitar os efeitos
biológicos potenciais da radiação ionizante da
mamografia, que são mais intensos nesta faixa
etária, quanto por ser este indivíduo o que pior
se presta ao exame mamográfico devido à grande
densidade do parênquima mamário.
Os nossos
resultados vem confirmar a importância crescente
da Ultra-sonografia no diagnóstico das
patologias mamárias malignas, não apenas por
sinais diretos já bem estudados na literatura,
mas também através do sinal indireto da área de
AA, com VPP similar aos das microcalcificações
na mamografia para o diagnóstico de lesões
potencialmente malignas e bastante superior à
mamografia quando associado ao Doppler colorido.
Também reforça a
tendência de diminuição progressiva das
desvantagens do ultra-som no diagnóstico da
lesão mamária maligna, como não diagnosticar
lesão sólida inferior à 5 mm de diâmetro, o que
já não é verdadeiro.
Persistem como
fatores negativos e desvantajosos do ultra-som a
ausência de uma imagem global das mamas e a
dificuldade de se interpretar estudos realizados
em outros serviços, pois nem todos adotam a
mesma técnica e também não documentam
extensamente todas as posições examinadas, o que
dificulta análise comparativa a longo prazo.
O fato da
ultra-sonografia requerer um operador experiente
e um equipamento de alta resolução de grande
porte, com Doppler colorido, torna este método
ainda não disponível na maioria dos centros de
diagnóstico da atualidade, sendo este o
principal fator limitador na difusão do método.
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