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Muita confusão tem sido feita em relação às
necessidades nutricionais para a manutenção da
saúde, principalmente em algumas situações
especiais, como a sobrecarga profissional
(trabalho excessivo), de intensa atividade
física (atletas em treinamento ou em período de
competição) ou simplesmente em determinados
período de nossa vida (fase de crescimento, de
gestação ou durante o avançar da idade).
Vem daí um conceito fundamental:
devemos nos
alimentar conforme as necessidades de cada
período ou de cada situação. Tudo que for feito
neste sentido permitirá que possamos saber
o que
e quanto é necessário constar do nosso cardápio
para que nossa saúde possa ser mantida ou
readquirida.
Embora ainda existam desvios alimentares em
inúmeras situações, vamos aproveitar esta
oportunidade para enfocar principalmente
o que
muda em nosso organismo com o passar dos anos,
justificando as necessidades especiais de
alimentação nesta longa e importante fase da
vida.
Há quem pense que com o avançar da idade as
nossas necessidades alimentares simplesmente
diminuem. Isto acaba provocando os freqüentes
erros dietéticos observados entre os "mais
maduros". Vamos, daqui para frente, tentar
desfazer mitos e
firmar conceitos sobre a
alimentação mais adequada para esta faixa
etária.
A capacidade do
aparelho digestivo diminui com a idade?
Este é um freqüente erro de interpretação do
processo de envelhecimento. Embora muitas
mudanças ocorram neste processo,
a grande
maioria delas não limita as principais funções
do nosso organismo.
Se conseguirmos evitar o aparecimento de doenças
importantes ou se cuidarmos delas com
eficiência, provavelmente teremos um organismo
saudável em qualquer idade, o que inclui um
aparelho digestivo com plena capacidade de
trabalho. Isto significa dizer que este conjunto
de órgãos pode e deve ser bem cuidado para poder
exercer plenamente suas funções durante a vida
toda.
Algumas regiões do aparelho digestivo costumam
ser especialmente maltratadas. É o caso da
boca
e em especial os dentes. Poucos se lembram, na
juventude, de quanto os dentes são importantes
na boa alimentação. Todos os esforços para
preservá-los serão extremamente influentes no
nosso futuro. Para quem não sabia disto e já não
tem mais dentes, resta o importante recurso de
manter as dentaduras bem adaptadas.
Sem uma boa
mastigação não há uma boa alimentação.
Outro órgão freqüentemente agredido pelos maus
tratos é o estômago.
Bebidas, fumo e
medicamentos em excesso são as causas mais
comuns de gastrites ou mesmo de úlceras. O
constante estado de "stress" emocional e os
longos períodos de jejum também são muito
prejudiciais à saúde do estômago. Com o avançar
da idade, estes fatores vão se tornando cada vez
mais importantes e conseqüentemente nosso
cuidados serão cada vez mais necessários.
Não podemos nos esquecer do intestino nesta
apresentação. São tantas as queixas relacionadas
ao seu mal funcionamento que muitos acreditam
que isto é próprio do envelhecimento. Total
engano. Quem cultivar bons hábitos alimentares e
intestinais, "educando" seu aparelho digestivo a
funcionar regularmente, terá este conforto
durante, provavelmente, a vida toda. Para isso é
necessário uma certa regularidade alimentar
(tipo de alimentos, quantidade e horários) e um
respeito ao hábito intestinal, permitindo que
haja a evacuação quando for necessário e não
apenas quando nos for socialmente possível.
Para quem não sabia que a saúde do aparelho
digestivo poderia ser preservada com a nossa
total participação, estes foram alguns
importantes exemplos. Com estes cuidados, não
apenas estaremos mantendo a saúde destes órgãos
mas também a dos outros que funcionam
conjuntamente (fígado, vesícula, pâncreas, etc.)
e conseqüentemente do organismo como um todo.
A alimentação só é
importante na fase de desenvolvimento?
Total engano. Na fase inicial de nossa vida
temos necessidade maior de alimentos que são
responsáveis pela "construção" do nosso
organismo. Com o avançar da idade, porém,
necessitamos manter o que foi construído,
repondo as perdas naturais ou as decorrentes de
processos agressores de nossa saúde (infecções,
fraturas, etc.). Fica claro, portanto, que
embora em diferentes fases da vida,
a
alimentação continua sendo muito importante para
a preservação da saúde.
Cabe aqui lembrar que praticamente todas as
funções do nosso organismo dependem de
alimentos. Seja como combustível, para fornecer
energia, seja como
aditivos para promover o bom
funcionamento dos processos metabólicos, todos
estes elementos devem vir, direta ou
indigenamente da alimentação.
Bons exemplos destes tipos de alimentos são:
Os carboidratos (hidratos de carbono),
principais responsáveis pelos nossos suprimentos
de energia. Os melhores exemplos são as
massas e
doces, ricos em amido e açúcares, cuja
facilidade de digestão permitem que possamos
adquirir grande quantidade de calorias em curto
espaço de tempo. Por um lado, isto é muito
interessante para quem está em pleno desempenho
físico. Pode, porém, ser prejudicial para quem
não utiliza todo o equivalente energético, pois
o excedente será transformado em depósito, o que
significa acúmulo de gordura. Temos, portanto,
que equilibrar nossa ingestão de carboidratos
com os nossos gastos, quando queremos manter
nosso peso estável. Se, por outro lado, nos for
recomendado uma redução do peso, podemos tanto
restringir a quantidade de calorias como
aumentar o consumo, sendo que ambas atitudes são
benéficas, desde que devidamente orientadas.
Calcula-se que metade da dieta de um dia deva-se
constituir de hidratos de carbono.
As proteínas são o melhor exemplo de matéria
prima para a constituição das nossas estruturas.
Praticamente todos os nossos tecidos dependem da
existência de uma adequada matriz protéica.
Mesmo no sangue, temos uma grande quantidade de
proteínas circulantes que são fundamentais a
inúmeras funções. Os anticorpos, por exemplo,
que nos defendem dos agentes agressivos, são
proteínas especificamente fabricadas para cada
tipo de atuação. Para manter sua produção
adequada, necessitamos ingerir estas substâncias
cotidianamente, em especial aquelas conhecidas
como "de alto valor biológico". Suas melhores
fontes são os produtos de origem animal (carnes,
ovos, leite) e devem se responsabilizar por pelo
menos um terço da nossa dieta diária.
As gorduras exercem funções muito mais
importantes do que pensamos. Todas as membranas
do nosso corpo são compostas de derivados de
gordura. Mesmo aquela depositada na pele tem a
importante função de proteger-nos contra a perda
de calor. Não pode, porém, ser excessiva. Com o
envelhecimento, já ocorre naturalmente um
aumento do tecido gorduroso. Se contribuirmos
para que este acúmulo seja exagerado, certamente
teremos todos os prejuízos da obesidade que,
além da questão estética, também é muito
importante em todas as doenças do aparelho
circulatório e das articulações.
Quem carrega
excesso de peso, submete seu organismo a um
desgaste desnecessário. Devemos preferir as
gorduras de origem vegetal e evitar as derivadas
da carne, nata ou gema, em uma proporção em
torno de 20% do total da dieta.
As vitaminas, tão valorizadas popularmente, não
fazem nada sozinhas. São fundamentais nos
processos metabólicos e promovem inúmeras
reações essenciais ao nosso organismo.
Frutas e
verduras frescas são suas principais fontes e,
desde que ingeridas rotineiramente, são
suficientes para suprir as nossas necessidades.
Complexos de vitaminas devem ser reservados para
situações muito especiais.
Cada vez posso comer
menor variedade de alimentos?
Por tudo que foi demonstrado até agora, não há
motivo para reduzirmos a variedade da nossa
alimentação. Primeiro porque continuamos
necessitando de todas as substâncias que foram
importantes em outras idades, com pequenas
diferenças quantitativas e segundo porque temos
plena capacidade de digerí-las e aproveitá-las
desde que tenhamos o aparelho digestivo bem
conservado. Portanto, se podemos e precisamos,
porque não nos alimentamos bem?
Um outro aspecto muito importante é a sensação
de liberdade que experimentamos quando "podemos
comer de tudo". Sempre que possível, devemos
cultivá-la. Mesmo que hajam algumas restrições
(sal ou doces, por exemplo) lembrar que existem
centenas de opções interessantes que podem
transformar nossa refeição em um importante
momento de prazer.
A alimentação é apenas
uma necessidade?
Além de todas as funções nutricionais do corpo,
a alimentação também pode ser um bom momento
para "nutrir o espírito", fazendo da refeição um
momento de interação social. Muito do interesse
pela alimentação depende mais desta
possibilidade de convívio, que para ser
incrementada deve prestigiar as necessidades
afetivas de cada um. Podemos valorizar tanto
aquele que prepara o alimento como aqueles que
deve se servem, de modo que todos acabem sendo
reconhecidos pela sua importância.
Todo idoso perde o
apetite?
Não necessariamente. Sabemos que há uma redução
do paladar e do olfato com o avançar da idade
mas isto pode ser compensado com temperos mais
aromáticos ou que acentuem sabores. Por outro
lado, a apresentação visual dos pratos pode
favorecer o interesse em melhor se alimentar.
Muitas são as possíveis estratégias capazes de
incrementar o interesse pela alimentação.
Posso substituir a
alimentação por remédios?
Depois de todas estas explicações, fica claro
que uma alimentação adequada é uma das melhores
formas de manter ou recuperar a saúde. Podemos,
aliás, devemos, encontrar uma composição de
alimentos que seja ao mesmo tempo agradável,
nutritiva, variada e prazerosa. Nenhum
medicamento, por mais sofisticado que seja, pode
preencher estas necessidades. Vamos valorizar a
alimentação como uma estratégia de promoção da
saúde em qualquer idade e reservamos aos
medicamentos o papel exclusivo do tratamento de
doenças.
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