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Será possível envelhecer com saúde?
Embora muitos ainda associem o passar do anos ao
acúmulo de doenças, entendendo que
invariavelmente teremos que conviver com
inúmeros problemas de saúde e limitações com o
avançar da idade, os atuais conceitos
científicos demonstram que o processo natural de
envelhecimento não é um fator impeditivo para a
maioria das atividades cotidianas de um adulto
em qualquer idade, e que as verdadeiras
responsáveis pelas deficiências e disfunções
atribuídas à velhice são
as doenças, que podem
ser prevenidas e/ou tratadas eficientemente na
maior parte das vezes.
O conhecimento desta realidade pode mudar
completamente nossa atitude. Ao invés de nos
lamentarmos por estar envelhecendo, de buscarmos
obstinadamente as "modernas fontes da juventude"
ou de tentarmos disfarçar os efeitos aparentes
do passar dos anos, deveríamos estar atentos aos
verdadeiros inimigos da saúde em qualquer idade:
os fatores determinantes e/ou predisponentes das
doenças.
Devemos lembrar, porém, que a ausência de
doenças não significa obrigatoriamente a
presença de saúde. A Organização Mundial de
Saúde (OMS) já há muito tempo definiu saúde como
um estado de bem estar biopsíco-social, ou seja,
um estado de equilíbrio entre todos os
determinantes físicos e emocionais do ser
humano.
Sabemos, porém, que inúmeras são as pessoas que,
por vários motivos, não se encontram neste
estado de bem estar e, por outro lado, não
apresentam nenhuma doença classicamente definida
que justifique esta condição. Entretanto, são
muitos os exemplos de portadores de doenças bem
tratadas e bem controladas que apresentam
desempenho adequado, independente das
enfermidades que possui ou dos tratamentos que
realiza.
Este modo atual de entender
Saúde nos permite
almejar um presente e um futuro de maneira muito
mais otimista. Isto, porém, nos confere uma
responsabilidade direta. Dificilmente
atingiremos este estado de equilíbrio sem nos
esforçarmos objetivamente por isto. Muitos são
os cuidados a serem tomados e quanto mais
precocemente dermos atenção a eles, mais
eficiente serão nossas atitudes. Isto que dizer
que podemos cuidar do nosso envelhecimento desde
as idades mais precoces.
Em verdade, com o avançar da idade nos tornamos
mais propensos a desenvolver doenças crônicas.
Em parte por alterações orgânicas próprias do
envelhecimento mas, principalmente, por hábitos
inadequados que, durante toda a vida,
prejudicaram nossos determinantes básicos da
saúde.
Infelizmente, porém, a maioria das pessoas só se
lembra de cuidar das doenças que já produziram
sintomas, ou seja, que já estão instaladas e
conseqüentemente só poderão, na melhor das
hipóteses, ser controladas ou atenuadas. Poucos
são aqueles que, na fase adulta, preocupam-se
com prevenção, e esta é, sem dúvida,
a nossa
melhor arma para atingir o envelhecimento
saudável. Mesmo aqueles que acreditam na sua
importância, muitas vezes utilizam métodos pouco
eficientes, onerosos e por vezes enganosos, ao
invés das regras básicas de saúde,
reconhecidamente efetivas. A seguir forneceremos
alguns exemplos fundamentais de atitudes que, em
conjunto, são sabidamente responsáveis pela
eliminação dos fatores de risco e
conseqüentemente prevenção primária ou
secundária da saúde com o avançar da idade.
Por uma analogia com os cuidados destinados aos
primeiros anos de vida, criamos o termo
SENECULTURA, que inclui todas as técnicas
diagnósticas e terapêutica, incluindo as
educacionais, que visem contribuir direta ou
indiretamente para a Promoção de Saúde do Idoso.
Aspectos como nutrição, que no idoso é tão
fundamental quanto no jovem, são freqüentemente
desvalorizados. Raros são aqueles que reconhecem
as necessidades alimentares do organismo em cada
idade. A maioria prefere simplesmente eliminar a
maioria dos alimentos "nutritivos", trocando-os
pelos farináceos, ricos em calorias mas pobres
em todos os demais componentes. Chá, bolachas,
sopas ralas, macarrão e batatas não podem ser
considerados a alimentação básica do idoso.
Teremos, em futura apresentação, a oportunidade
de detalhar melhor o assunto.
Dentre os hábitos deletérios à saúde, o
alcoolismo e o tabagismo são aqueles que, embora
freqüentemente utilizados durante toda a idade
adulta, vão manifestar suas graves complicações
quanto o indivíduo apresenta idade avançada.
Estudos atuais demonstram os benefícios
decorrentes da interrupção destes hábitos em
qualquer idade. Portanto, não há mais dúvida de
que é benéfico parar de fumar e/ou de beber
mesmo após várias décadas de utilização destes
agressores. Isto favorece não apenas a saúde
como um todo. Há absoluta necessidade de
criarmos novas expectativas para a nossa vida a
fim de podermos optar entre aquilo que nos
prejudica e o que possa nos fazer bem.
A inatividade ou o sedentarismo se constitui,
hoje, em um comportamento praticamente
epidêmico. Todos, em qualquer idade, são
estimulados cada vez menos ao movimento. Com
isso, o tempo de inatividade se responsabiliza
pela progressiva disfunção dos idosos,
freqüentemente atribuída à própria idade. O
desuso pode ser mais deletério que a velhice.
Também neste assunto, estaremos dedicando em
breve uma matéria especial.
O uso indiscriminado de medicamentos pode ser, e
freqüentemente é, um agente prejudicial à nossa
saúde. Infelizmente, muitos ainda acreditam em
drogas que promovem o rejuvenescimento. Preferem
crer a fantasia cômoda dos remédios ao invés da
participação ativa no processo de manutenção da
saúde. Não apenas se expõem aos eventuais
malefícios de medicamentos como também dedicam
seu recursos, por vezes escassos, em uma efêmera
fantasia. Os prejuízos são portanto, de ordem
clínica (pelos efeitos colaterais das drogas),
de ordem social (pelos gastos) e de ordem
emocional, visto que freqüentemente a decepção
pela recuperação prometida e não alcançada deixa
um forte sentimento de frustração e de
descrédito nos outros e em si mesmo.
Quem souber usar medicamentos, seguindo as
orientações médicas, terá maior possibilidade de
benefícios e menos chances de efeitos
colaterais. Para tal é absolutamente necessário
que participemos ativamente no processo
terapêutico, por um lado
entendendo bem os
motivos de uso dos medicamentos e por outro
cooperando para que o plano seja executado com
precisão, seguindo os horários, doses e duração
prescritas.
Outras medidas preventivas, como as vacinas,
estão sendo cada vez mais utilizadas na
prevenção das doenças infecciosas no adulto. As
mais recomendadas são: anti-tetânica,
anti-pneumocócica, e anti-gripal. Já estão sendo
feitas algumas campanhas em hospitais
universitários mas, em breve, teremos aprovado a
disponibilidade destas vacinas na rede de saúde.
Os projetos que normatizam estes programas de
vacinação já se encontram em fase avançada de
desenvolvimento. Todos podem ser vacinados mas
temos recomendado especialmente àqueles que
podem ser mais graves nas infecções
respiratórias.
Prevenção de acidentes é uma atitude
absolutamente necessária à saúde do idoso.
Dentro de casa, iluminar melhor o trajeto, as
escadas, colocar corrimão nos pontos de
desequilíbrio, retirar ou fixar no piso os
tapetes, desimpedir os caminhos. Na rua, como
pedestre, observar pontos de travessia, com
atenção aos sinais e aos veículos, usar roupas
coloridas, calçados estáveis, observando as
irregularidades do piso.
Usar uma bengala é
sinal de prudência, não velhice. Como
passageiro, o uso do cinto de segurança é
fundamental. Mantenha-se atento ao trajeto,
aproveitando para desfrutar o passeio e aumentar
o seu conhecimento sobre o local visitado. Como
motorista o cuidado é ainda maior, pois várias
pessoas podem ser prejudicadas pela nossa
imprecisão. Devemos estar aptos a dirigir
naquele momento. Uso de álcool, medicamentos,
limitações físicas, preocupações e estado
emocional abalado podem ser importantes causas
de acidentes graves. O motorista deve ser
consciente em qualquer idade. Dirigir bem é mais
uma demonstração de competência ainda maior.
Estas, entre outras recomendações, demonstram
como vem crescendo a atenção de todas as áreas
do conhecimento em função de um ENVELHECIMENTO
SAUDÁVEL. Cabe a nós, idosos do presente ou do
futuro, acreditar e trabalhar por isso.
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