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Drogadependência Efeitos comportamentais e sinais físicos

Projeto Phoenix
Dra. Patrizia Donatella Streparava

Alucinação: Ocorre quando os órgãos dos sentidos funcionam na ausência de objetos concretos externos ou sem acontecimentos que os estimulem.

SUBSTÂNCIA EFEITOS COMPORTAMENTAIS SINAIS FÍSICOS
Álcool Alterações (em geral fraqueza) do julgamento, loquacidade, alteração do humor, agressividade, prejuízo na atenção, amnésia Nístagmo, rubor facial, ataxia, fala arrastada
Depressores do SNC (Barbitúricos, Benzodiazepínicos, Meprobamato, Metaqualona) Sonolência, falta de atenção, confusão Diaforese, ataxia, hipotensão, convulsões
Estimulante do SNC
(Anfetaminas, Cocaína, Crack, Merla, substâncias simpaticomiméticas).
Alerta, loquacidade, euforia, hiperatividade, irritabilidade, agressividade, agitação, tendências paranóides, impotência, alucinações visuais e táteis. Midriase, tremores, halitose, boca seca, taquicardia, hipertensão, perda de peso, arritmias, febre, convulsões, perfuração do septo nasal.
Hidrocarbonos Voláteis e Derivados do Petróleo (cola, thinner, gasolina, acetona, fluido de isqueiro, benzeno, aerossóis) Euforia, sensório obnubilado, fala arrastada, ataxia, alucinações em 50% dos casos, psicoses, dano cerebral permanente, se usado intermitentemente por mais de 6 meses. Odor no hálito, taquicardia com possível fibrilação ventricular; possível dano cerebral, hepático, renal e ao miocárdio.
Opiáceos (ópio, morfina, heroina, metadona, meperidina, pentazocina) Euforia, sonolência, anorexia, impulso sexual diminuído, hipoatividade, alterações na personalidade. Miose, prurido, náuseas, bradicardia, constipação, marcas de agulhas em braços, pernas, virilhas.
Alcalóides da Bela Dona
(encontrados em xaropes), atropina, escopolamina, hisociamida.
 
Pele quente, eritrema, fraqueza, sede, visão turva, confusão, excitação, delirium, estupor, coma (delirium anticolinérgico) Boca e garganta secas, midriase, contrações musculares, disfasia, sensibilidade a luz, pirexia, hipertensão seguida por choque, retenção urinária.
Alucinógenos (LSD, psilocibina (cogumelos); mescalina, DET, DOM ou STP (metilanfetaminas); MMDA (Exctasy) Duração de 8 - 12 hs com flash-back após abstinência, alucinações visuais, ideação paranóide, falso senso de conquistas e força, tendências suicidas ou homicidas, despersonalização, desrealização. Midriase, ataxia, conjuntiva hiperêmica, taquicardia, hipertensão.
Óxido Nitroso (inalante) Euforia, sonolência, ataxia, confusão. Analgesia, depressão respiratória, hipotensão.
Fenilciclidina (PCP ou pó de anjo) Duração de 8-12 hs, alucinações, ideação paranóide, humor instável, afrouxamento das associações (pode imitar esquizofrenia), catatonia, comportamento violento, convulsões. Nistagmo, midriase, ataxia, taquicardia, hipertensão.
Modificado do Desk Reference on Drug Misuse and Abuse, N.Y. State Medical Society, N.Y. tendo-se colocado as substâncias em ordem decrescente de acordo com uso no Brasil.

No caso de DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIA no geral, Talbott, Hales e Yudofsky no "Tratado de Psiquiatria", Artes Médicas, 1992, recomendam os seguintes passos possíveis:

bullet Avaliação Diagnóstica
bullet Períodos sem drogas
bullet Tentativas com medicação
bullet Abordagem de Equipe
bullet Terapia de Grupo
bullet Psicoeducação
bullet Avaliação e Tratamento Familiar
bullet Programas de 12 fases (ex.: AA e NA)
bullet Aconselhamento individual
bullet Terapia Ocupacional
bullet Testes de Urina como orientação para abstinência
bullet Planejamento de Alta
bullet Tratamento de Seguimento (follow-up)

Porém, cada tipo de dependência traz consigo fatores psicossociais e diagnósticos associados que tornam quase impossível um tratamento padrão. Veremos então os Tratamentos mais recomendados para cada grupo de substâncias de abuso.

Álcool

O tratamento mais atualizado é o que lida com diagnostico duplo, isto é o que oferece uma combinação de tratamento psiquiátrico e reabilitação por transtorno de substancia, isto porque o alcoolismo está intimamente relacionado a distúrbios tais como: ansiedade, depressão, sociopatias.

O problema é que as poucas instituições que trabalham nessa linha são bastante caras e ainda não se tem dados que demonstrem que o custo vale o beneficio.

Assim, é importante que se usem os recursos que cada comunidade oferece, pois até o momento a literatura sobre resultados reflete que fatores do paciente, tais como : família estável, emprego estável, menos sociopatia, menos psicopatologia e uma historia familiar negativa para o alcoolismo são preditores mais poderosos de um bom prognostico do que o tipo de tratamento.

Cocaína, Crack e Anfetaminas

Segundo Weiss e Mirin, 1986, pacientes abusadores das substancias acima em geral apresentam diagnostico composto relativo a:

bullet transtornos afetivos (ciclotimico ou distimico);
bullet personalidade narcisista, bordeline ou anti-social;
bullet transtornos da atenção.

Pacientes distimicos podem usar cocaína para evitar o afeto depressivo.

Pacientes ciclotimicos, para intensificar ou manter o humor elevado, e aqueles com transtornos da atenção, quando não diagnosticados e tratados com metil-fenidato, automedicam-se com cocaína, que paradoxalmente seda, diminui a estimulação e melhora a concentração.

Segundo Spotts e Shontz (1984), os usuários de doses mais baixas usam os Estimulantes do SNC para : apoiar defesas, intensificar a coragem e conseguir estimulação e excitação. Os abusadores pesados e crônicos podem parecer muito bem sucedidos com relação à ambição, independência e competitividade, pois a cocaína dá a sensação de expansão do Ego, retarda a passagem do tempo e aumenta o estado de alerta do que é percebido como um mundo perigoso, oferecendo assim um apoio direto, embora transitório, às necessidades psicológicas, afastando quaisquer problemas com intimidade.

Khantzian (1985) propôs que as pessoas usam cocaína para:

bullet Aumentar a inquietude e hiperatividade de certos estilos de vida.
bullet Por uma necessidade já exagerada de auto suficiência.
bullet Para fugir da depressão.
bullet Intensificar a grandiosidade em pessoas narcisicamente prejudicadas.

A partir disso, os tratamentos propostos são:

A) TRATAMENTO HOSPITALAR para:

Uso crônico intravenoso ou uso de Crack;
Dependência concomitante de outras drogas que provocam dependência;
Problemas médicos ou psiquiátricos sérios;
Prejuízo severo do funcionamento ambulatorial;
Motivação insuficiente para tratamento ambulatorial.

B) TRATAMENTO AMBULATORIAL para:

Pacientes que já ultrapassaram a fase de "fissura" (crack - craving - desejo intenso pela substância)

Casos não complicados clínica ou psiquiatricamente, em que o paciente se beneficia mais ficando em seu ambiente natural.

O álcool e os estimulantes do SNC oferecem o parâmetro de tratamento para todas as outras dependências e que dependem, no final de um diagnostico acurado e da escolha, não da crença do medico sobre o melhor tipo de tratamento, mas sim de que tratamento o paciente mais se beneficiaria.

  Publicado em: 08/12/1997

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