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Cérebro é um
órgão. Mente é uma das funções desse órgão.
Entender esse funcionamento é básico para que
possamos sair do campo da mera opinião e
organizar ações efetivas para a resolução de
problemas. Entender a inter-relação entre órgão
e sua função significa sair da posição ilimitada
do "a mente pode tudo" ou "poder do pensamento
positivo", posto que esta mente e este
pensamento são produto e pôr conseguinte
limitados pelas leis físicas e biologicas que
delimitam o funcionamento de órgãos e sistemas
de todos os mamíferos, nós incluídos.
A segunda
limitação da mente se dá pela presença ou não de
disfunção mental, que longe de ser um castigo
pelos Deuses enviado, funciona como funcionaria
qualquer órgão de qualquer sistema.
Peguemos por ex.
o estômago, cuja função, juntamente com boca,
esôfago e intestinos, é a digestão.
Imaginem então,
que por uma série de agressões externas, como
por ex. comer todo o tempo comida muito
condimentada, beber em excesso, fumar demais
etc., este estômago desenvolva uma inflamação
conhecida como gastrite. Eis que a partir disso,
muita coisa começa a mudar, iniciando pelo humor
da pessoa, que ninguém é feliz com dor de
barriga, até alteração drástica dos hábitos de
vida. Ninguém com gastrite sente o mínimo
constrangimento de ir ao médico e tomar suas
cimetidinas da vida, posto que a gastrite é
"real", um órgão palpável que pode ser visto em
qualquer radiografia. Quando a questão é a
"mente", então o assunto muda de figura,
passando para o domínio do imponderável. Fica um
pouco mais difícil aceitar que uma alteração da
mente possa ser causado pôr algo tão prosaico
como uma "gastrite" cerebral, por excesso de
"condimentos" na alimentação desse mesmo
cérebro, sendo que esses "condimentos" no caso
possam ser desde excesso de estímulos ou falta
deles, até conseqüência de alterações de humor
interno, causadas pela própria gastrite , lá
embaixo no estômago, como antes falávamos.
Para que o órgão
cérebro funcione adequadamente, existem as
condições básicas que são:
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estrutura: já
vem embutida no desenvolvimento embrionário, e
salve erros, desenvolve-se a contento.
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maturação: ao nascermos, nosso cérebro pesa
cerca de ½ Kg, e
ao final de sua maturação, por volta dos sete
anos, vai
a 2,5 Kg , que é o peso que se manterá por toda
a
vida, salvo alterações demenciais ou perda de
substância por traumatismo.
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alimentação: como todo e qualquer organismo, o
cérebro
necessita de alimentação adequada, tanto para
desenvolver-se como para simplesmente funcionar |
Assim, havendo
estes itens básicos, o funcionamento é adequado
para a idade cronológica do sujeito que o
possui. Isto quer dizer que, uma criança de 3
anos que esperneia e grita porque não consegue
alcançae uma bala no armário da cozinha, está
perfeitamente adequada a seu estágio de
desenvolvimento mental, usando os recursos que
tem para pedir ajuda. Por outro lado, se um
adolescente de 15 anos enfia o nariz na cocaína
pôr se sentir incompreendido ou solitário,
certamente há algo de errado em algum nível
cerebral, posto que já deveria possuir o
repertório suficiente para pedir ajuda de forma
mais adequada e eficaz.
Entramos agora no ponto crucial : porque se, a
estrutura desse cérebro está normal, o
desenvolvimento e a maturação também o foram,
assim como a alimentação para o sistema, esse
mesmo sistema se transforma em algo disfuncional?
Usando o computador como exemplo: o hardware
está perfeito. O soft também, mas a informação
que forneço está errada, a conseqüência só pode
ser do micro não cumprir a tarefa que lhe foi
designada. E não adianta chutar o micro, berrar
com ele ou descabelar-se, uivando "onde foi que
errei?"
O mais prático e eficaz no caso, é começar com o
mais simples, isto é, checando a informação que
usei. O mesmo acontece com nosso cérebro, que
entra num tipo de pane quando as informações
recebidas não condizem com o sistema que se está
usando.
E aqui é que mora o perigo, pois, ao contrário
do computador, que tem sistemas totalmente
definidos, não tem cultura nem civilização, não
é penalizado se fizer uma bobagem federal,
porque o culpado a fim e a cabo é de quem o
manipula, o cérebro tem que dar conta de tarefas
cada vez mais complexas para as quais nem sempre
há uma estrutura muito definida, criando esta
estrutura.
Acontece assim: se aperto a tecla errada do
micro, a resposta será sempre errada. Se tenho
que apertar um parafuso numa estante e não tenho
o tamanho exato da chave de fenda, posso sempre
tentar com uma faca de ponta arredondada, um
grampo de cabelo, ou qualquer coisa que se
pareça com a chave de fenda ou que possa imitar
sua função. Só aqui já temos 3 funções mentais
que são: criatividade (fazer algo novo), que
depende da observação (uma faca arredondada pode
funcionar como chave de fenda), que depende da
atenção (observei muitas pessoas usando chaves
de fenda, aprendi o que é uma chave de fenda e
para que serve, e portanto, pude associar com
outros objetos parecidos).
Aqui a mente adestrada para, e compara o que
está sendo feito com o objetivo inicial, que era
o de apertar o parafuso. Se o resultado foi a
faca ter escapado de minha mão e ao invés de
apertar o parafuso, cortou meu dedo, criou-se um
novo objetivo mais premente: tratar do dedo
acidentado, para o que, a já citada mente usou
outra de suas fantásticas funções: a
priorização, que é saber o que é mais importante
fazer primeiro : cuidar do dedo ferido ou
ignorá-lo e continuar tentando apertar o
parafuso, espalhando sangue pela estante, pelo
chão e correndo o risco de pegar tétano.
Para que isso pudesse acontecer, muitos
ancestrais nossos morreram comidos por
Tiranossauros Rex, porque, ao invés de correrem,
foram verificar que bicho era aquilo. Os que
sobraram foram os que sabiam intuitivamente ou
apreenderam, qual é a hora de correr e qual é a
hora de lutar, mecanismo este embutido numa
parte de nosso cérebro chamada Sistema Límbico,
ou Mesencéfalo, que é também a parte que
controla nossas emoções e nosso sistema
endócrino (hormonal). É a parte que condividimos
com os mamíferos de qualquer tipo, de baleia a
cachorro. O que nos diferencia dos demais
animais é o Neocórtex , parte mais nova do
cérebro e que funciona, ou deveria funcionar,
para as funções assim chamadas mais nobres do
ser humano que são: aprendizado, memória, ética,
crítica e julgamento.
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