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INTRODUÇÃO
As intoxicações, acidentais ou intencionais, são
importantes causas de doenças. A OMS estima que
1,5 a 3% da população é intoxicada anualmente.
Para o Brasil, isto representa até 4.800.000
novos casos a cada ano. Cerca de 0,1 a 0,4 % das
intoxicações resultam em óbito.
Mais de 70% das intoxicações são agudas, isto é,
ocorrem em menos de 24 horas. Em aproximadamente
90% destas, a exposição ao(s) agente(s)
tóxico(s) ou toxicante(s) se dá por ingestão,
isto é por via oral.
Por esta razão, sempre foi dada muita ênfase à
descontaminação do sistema digestivo como medida
de emergência eficaz nas intoxicações.
No entanto, estudos e reavaliações nos últimos
cinco anos têm colocado estas medidas sob
crítica e revisão (e até reversão!!!).
Os métodos de descontaminação gastrintestinal
são:
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DILUIÇÃO |
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NEUTRALIZAÇÃO |
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INDUÇÃO DE VÔMITOS (EMESE) |
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LAVAGEM GÁSTRICA
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ADMINISTRAÇÃO DE CARVÃO ATIVADO |
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ADMINISTRAÇÃO DE CATÁRTICOS E LAXANTES |
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LAVAGEM INTESTINAL
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DILUIÇÃO
A diluição está contra-indicada em qualquer
circunstância e, principalmente, na ingestão de
álcalis corrosivos e ácidos fortes, pois esta
medida aumenta a superfície exposta à
queimadura. Na ingestão de outras substâncias, a
diluição aumenta a quantidade absorvida,
principalmente de xaropes e comprimidos,
piorando a intoxicação.
NEUTRALIZAÇÃO
A neutralização também está formalmente
contra-indicada em qualquer ingestão e,
principalmente, de ácidos e álcalis. Esta medida
aumenta intensamente a temperatura local (em até
76ºC), acrescentando a queimadura térmica à
lesão química.
INDUÇÃO DE VÔMITOS (EMESE)
A indicação de emese hoje é muito controvertida
e está limitada apenas às ingestões de
quantidades significantes de substâncias
reconhecidamente tóxicas. Além de eficácia e
utilidade relativamente pequenas, a relação
risco/benefício é razoavelmente elevada e até
inaceitável em determinadas circunstâncias.
Hoje, é considerada menos eficaz do que a
lavagem gástrica (em até 50%). Deve ser
realizada até 1 hora após a ingestão do
toxicante e apenas se a vítima estiver
plenamente consciente. Sua indicação se limita
ao lar ou pequena clínica que não possua outros
recursos.
A indução de vômitos deve ser feita com xarope
de ipeca (que pode ser tomado com leite,
refrigerantes, medicamentos antiemetizantes e
mesmo carvão ativado). A dose recomendada é de
15ml para pacientes pediátricos e de 30-60ml em
pacientes adultos. Pode ser repetido se não
houver resposta satisfatória em 30 minutos.
A substituição pelo detergente deve ser restrita
pois existem diversas formulações, algumas
complexas (e.g., em pó, de máquina, lavadora de
pratos que contém soda cáustica, etc.). O uso de
xampu infantil pode ser indicado, desde que a
mãe o aceite! Nestes casos a dose é igual à do
xarope de ipeca.
As contra-indicações à indução de vômitos são:
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Paciente idoso ou debilitado |
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Criança menor de 9 meses |
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Paciente com cardiopatia potencialmente
descompensável |
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Paciente portador de insuficiência respiratória
aguda ou crônica |
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Paciente com depressão neurológica, inclusive
sonolência |
LAVAGEM GÁSTRICA
A lavagem gástrica sempre foi muito abusada nas
salas de emergência. Embora mais eficaz do que
emese, sua indicação, hoje, também está mais
limitada.
A lavagem gástrica deve ser realizada se a
ingestão do toxicante ocorreu a menos de 1 hora
no paciente plenamente consciente, sem depressão
neurológica, respiratória ou cardíaca. Lembrar
de sempre proteger as vias respiratórias. Mesmo
no caso de depressores como o fenobarbital,
quantidades insignificantes são recuperáveis
após uma hora. É importante ressaltar que a
presença de restos de comprimidos não significa
a presença da substância ativa, mas de talco ou
outro veículo.
A lavagem gástrica deve ser realizada com sonda
gástrica de grosso calibre com orifícios
terminal e laterais - em adultos: 34 a 40F e em
crianças: 24 a 28F. A lavagem pode ser mais
eficiente em determinados casos (fenobarbital,
aminofilina, antidepressivo tricíclico), se
carvão ativado for acrescentado.
Lembrar de administrar carvão ativado ao término
quando não houver contraindicação.
As contra-indicações à lavagem gástrica são as
mesmas acima para indução de vômitos.
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