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A Homeopatia constitui um traço de união entre a
medicina Hipocrática e a contemporânea.
Nascido em 10 de Abril de 1755 em Saxe, Meissen,
Samuel Hahneman defende sua Tese de Doutoramento
em 10 de Agosto de 1779 em Erlangen.
Exerce inicialmente em Hettstedt, em 1780 e
depois em Dessau. Em 1784, encontra-se em
Dresden, onde entrevista-se com Lavoisier que
está revolucionando a Química.
Depois de ter vivido 4 anos atormentado por
escrúpulos, angústias, crises de desespero, ele
parte para Leipzig, em 1789 onde ele decide não
mais exercer a Medicina tal como lhe ensinaram.
Para assegurar sua subsistência ele torna-se
tradutor cientifico. Nessa ocasião ele
refugia-se no estudo de autores antigos:
Hipócrates, os árabes, Paracelso, e mais próximo
dele, Van Helmont, Stahl, Haller.
Entretanto, o individualismo e liberdade na
observação geral das leis naturais conduzem a
uma segunda renascença.
A esta revolução, Hahneman traz o episódio
terapêutico. Contemporâneo de Lavoisier, de
Jenner, de Bichat, de Laennec, de Beethoven, de
Goethe, ele tem 34 anos em 1789. Terapeuta antes
de tudo ele sofre profundamente com sua
impotência para tratar os doentes.
Em 1790, com 35 anos, em Stoetteritz, traduzindo
a "Matéria Médica de Cullen" ele ficou chocado
com as propriedades da Quinina e pelas
EXPLICAÇÕES incoerentes que ali encontrou .
Nesse momento decide experimentar a ação desta
substância nele mesmo . Com esse fim , ele toma
durante vários dias fortes doses de China e logo
os sintomas de um estado febril intermitente
idêntico ao das febres que são curadas por essa
mesma substância aparecem . Ele então escreve na
margem de seu exemplar: "As substâncias que
provocam uma espécie de febre cortam as diversas
variedades de febre intermitente" . Ele renova a
experiência nele mesmo, experimentando desta vez
o Mercúrio, a Belladona e o Digital. Constatando
sempre uma resposta concordante, ele verifica a
antiga "Lei da Semelhança".
Em 1796 ele cria a Homeopatia.
Hahneman em 1810, publicou o Manuscrito da
Doutrina Homeopática: "O Organon da Arte de
Curar ", onde expoe com a Doutrina suas
CONCEPÇÕES gerais da vida, da saúde e da doença
sob a epígrafe "Aude Sapere" ( A Força Vital ).
Esta época muito fecunda viu nascer também todas
as grandes patogenesias contidas na "Matéria
Médica Pura" com a ajuda de cientistas que foram
também os primeiros discípulos: Staff, Gross,
Hartmann, Hornbeng, Langhammer, Wislicenus, e os
dois irmãos Ruckert.
Hahneman é, então professor da Universidade de
Leipzig, onde suas conferências lotam as salas e
a exposição da Doutrina degenera freqüentemente
em ataques radicais contra os clássicos
provocando o escândalo e a hostilidade da
Faculdade.
Com 66 anos Hahneman bate em retirada diante da
horda de seus inimigos, deixando Leipizig e se
instala em Koethen. Ele encontra um meio de
reacender, pela introdução de altas DILUIÇÕES,
as DISCUSSÕES que tinham se acalmado e também de
cansar seu maior aliado, Hufeland, professor da
Faculdade de Berlim.
Em 1825, surgiu o "Tratado das Doenças
Crônicas", sua obra mais contestada, trazendo o
papel dos "Miasmas", Psora, Sífilis e fornecendo
a explicação da cronicidade.
Hahneman trata doentes vindos de toda Europa,
mas sua vida não é serena; pois morrem sua
esposa e quatro de suas filhas, perdendo também
o contacto com seu único filho.
Em junho 1835, Hahneman casa-se com
Marie-Melanie D'Hervilly; sendo que esta jovem e
distinta parisiense literalmente retira - e o
conduz a Paris.
Ele tenta levar consigo seu amigo Boenninghausen,
um dos raros amigos que lhe permanece fiel até a
morte.
Hahneman obtém um sucesso fantástico em Paris.
Sua presença fornece um grande impulso à
Homeopatia que já se encontra bem representada
na França pelo Conde de Guidi.
A Academia de Medicina, contrariada, solicita a
Guizot, então Ministro, que impeça Hahneman de
exercer a Medicina, obtendo a famosa resposta: "Hahneman
é um sábio de grande mérito. A ciência deve ser
livre a todos. Se a Homeopatia é uma quimera ou
um sistema sem valor útil, ela cairá por si
mesma. Se ao contrário, ela for um progresso, se
espalhará a despeito de suas medidas de
prevenção e a Academia deve assim desejar, antes
de tudo, pois é sua missão avançar a ciência e
encorajar as descobertas".
Em 2 de julho de 1843 com a idade de 88 anos,
Hahneman morre de "Bronquite". Seus restos
mortais jazem no Cemitério de Pere Lachaise.
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