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Repelentes são
métodos utilizados para afastar insetos e evitar
suas picadas. Podem ser físicos (mosquiteiros,
telas, aparelhos eletrônicos) ou químicos
(sistêmicos, ambientais ou tópicos).
A classe insecta compreende milhares de espécies
muito diferentes, envolvendo mosquitos, moscas,
pulgas, piolhos, besouros, baratas, percevejos,
carrapatos, vespas, abelhas etc.
Essa variedade de
espécies causa a transmissão de inúmeras doenças
diferentes (e específicas para cada espécie),
bem como uma exclusividade de reações alérgicas,
além da sensibilidade a diferentes repelentes,
que devem ser adaptados aos vetores específicos.
Os mosquitos, são os insetos mais importantes na
transmissão de doenças no nosso meio, e com a
ocupação urbana descontrolada, desmatamento e
redução dos seus predadores, adaptaram-se às
cidades e aumentaram sua população
descontroladamente, principalmente nos meses
quentes do ano.
Algumas Doenças causadas pela picada de insetos:
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Infecciosas |
Imunoalérgicas |
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Febres Hemorrágicas (dengue, febre
amarela) |
Urticária |
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Leishmaniose |
Estrófulo |
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Malária |
Prurigo de Hebra |
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Filariose |
Anafilaxia |
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Peste |
Pênfigo foliáceo |
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Doença de Lyme |
Histiocitoma |
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Febre maculosa das montanhas
rochosas |
Reações bolhosas |
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Arboviroses / encefalites virais |
Hiperpigmentação pós-inflamatória |
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Doença de Chagas |
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Doença do sono |
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Somente as fêmeas dos mosquitos são hematófagas
(buscam a albumina do sangue) e capazes de
transmissão direta de doenças por picadas na
pele humana.
Há uma notável predisposição individual a
picadas de inseto decorrente de substâncias
exaladas pela pele, principalmente pele suada. A
presença de eczema aumenta 4 vezes a atração dos
insetos. Idade adulta, sexo masculino,
vestimentas escuras, calor, umidade, odor (CO2,
ácido lático, suor e perfumes) exalados pela
pele são fatores predisponentes. Há fatores
climáticos bem descritos, ou seja, em climas
quentes e úmidos, há um aumento na notificação
de doenças transmitidas por insetos, bem como
alergias a picadas.
Conhecendo os hábitos de movimentação dos
mosquitos, medidas de barreira como telas,
mosquiteiros ou o fechamento da casa impedem
efetivamente o alojamento dentro das residências
e as picadas noturnas.
O uso de dispositivos elétricos luminosos que
fulguram os mosquitos atraídos pela luz azul são
eficientes para eliminar certo número de
mosquitos (de ambos os sexos), mas não são
definitivos na prevenção de picadas, visto que a
atração individual e o instinto das fêmeas são
preferenciais ao estímulo luminoso do aparelho.
Em áreas abertas, os dispositivos luminosos
atraem um número maior de insetos para sua
região.
O emprego de aparelhos ultrassônicos não se
mostrou eficaz na prevenção de picadas em
diversos estudos.
O uso de alimentos como alho e vitamina B1, na
tentativa de promover uma proteção sistêmica
pelo odor exalado pelo suor são medidas válidas,
porém, de eficácia modesta, não beneficiando
aqueles indivíduos mais predispostos às picadas,
além da necessidade de ingestão de altas doses
desses produtos.
Os derivados piretróides exalados pelos
dispositivos térmicos ligados à corrente
elétrica ou borrifados como aerossóis são
inseticidas e repelentes de eficácia reduzida,
porém, sua potência pode ser aumentada se
atingir altas concentrações em ambientes
pequenos (10 a 20m2), quando ligados por horas
antes, sendo úteis na prevenção da invasão
domiciliar.
Os repelentes ditos “naturais”, baseados em
essências de ervas, certas fumaças, frutas
cítricas, óleo de citronela, óleo de coco, óleo
de soja, eucalipto, cedro, gerânio hortelã e
melissa têm sido usados por séculos, com
efetividade razoável, não favorecendo os
indivíduos mais susceptíveis.
Segundo pesquisa da FIOCRUZ, a vela de andiroba
(Carapa guaianensis) se mostrou eficaz em
prevenir 80% das picadas do Aedes aegypti em uma
área de 10m2 (ambiente fechado).
O emprego da vela acesa por 48h contínuas gera
um ambiente de até 27±10m2 100% livre do Aedes
sp., pela ação fago-repelente. O óleo de
andiroba, usado topicamente encontra-se em
estudo e parece oferecer até 100% de proteção.
Estudos com óleo de andiroba vão determinar a
sua efetividade no uso tópico. O que já é
empregado pela população leiga.
Os repelentes ambientais (velas, incensos,
aromatizadores) não oferecem proteção tão
eficiente contra as picadas quanto os tópicos,
porque sua concentração tende a diminuir
rapidamente em ambientes abertos, e dificilmente
protegem áreas maiores que 10m2 da sua fonte.
Os repelentes químicos tópicos são os mais
usados ao redor do mundo, agem a partir da
formação de uma camada de vapor com odor
ofensivo aos insetos. É importante escolher o
tipo de veículo adequado para aplicação na pele
(aerossol, gel, loção) e no vestuário
(aerossol/spray), as associações com
hidratantes, protetores solares (que costumam
reduzir a eficácia do repelente); bem como
conhecer a durabilidade da ação e sua
efetividade para cada tipo de inseto.
A permetrina (0,5 a 1%) é um repelente e
inseticida, segura, apresenta alta taxa de
proteção (>90%) quando aplicado no vestuário,
telas e mosquiteiros.
A permetrina impregnada nas roupas é eficiente
na prevenção de infestações por carrapatos.
Houve um severo impacto na transmissão de
malária desde que foram empregados cortinas e
mosquiteiros nos quartos dos moradores de áreas
endêmicas.
Soldados com a farda impregnada por permetrina
reduziram em mais de 70% o contágio por malária
e leishmaniose.
Dietiltoluamida (DEET) vem sendo empregada há
mais de 40 anos como repelente (moscas,
mosquitos, percevejos) e encontra-se na
formulação das marcas líderes de mercado. De
baixa toxicidade, a sua eficácia se correlaciona
com a concentração empregada. Apesar disso já
houve relato de intoxicação em crianças após o
uso tópico.
Concentrações entre 30 e 50% proporcionam
proteção de 80 a 95% contra o Aedes aegypti, por
cerca de 3h. Quando empregado acima de 50%, a
proteção chega a 100%.
Há várias marcas de mercado que empregam <10% de
DEET, oferecendo proteção subótima contra
mosquitos (<30 min).
A associação de DEET tópico e permetrina nas
roupas permite a mais ampla proteção disponível
contra carrapatos e uma grande variedade de
mosquitos.
Perfil de Repelência da associação DEET 50%
tópico + permetrina 1% nas roupas:
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Excelente |
Boa |
Nula |
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Anofelinos |
Triatomídeos |
Vespas |
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Flebótomos |
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Abelha |
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Aedes |
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Culicídeos |
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Simulídeos |
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| Carrapatos |
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| Moscas |
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| Pulgas |
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Outros produtos sintéticos incluem
dimethyphtalate, ethylexanediol, IR35/35,
piperidine, bayerepel e KBR 3023.
A associação de DEET 20% e ethilexanediol (EHD)
15% é uma forma eficiente de aumentar a eficácia
do DEET sem aumentar sua toxicidade.
Em estudo de dose-resposta entre os repelentes
do mercado norte-americano, a repelência em
minutos e a variação entre os testes foram
publicados por Fradin, conforme a figura abaixo:

Diretrizes no uso de repelentes:
1. Medidas Inespecíficas
Conhecer: Hábitos dos mosquitos / Epidemiologia
local
Usar telas / mosquiteiros
Higiene pessoal / casa / quintal
Lixo / Depósitos de água fechados
Preservar sapos, pássaros, aranhas, lagartixas,
peixes
Caminhar em trilhas / estradas, evitar se
embrenhar pela mata
Usar roupas compridas / claras / espessas /
chapéus
2. Repelentes
Ambientes fechados: Andiroba, permetrina
(contínuo)
Adultos: DEET (30-50%) + permetrina nas roupas
Gestantes: Mosquiteiros / roupa (permetrina) +
andiroba tópica
Crianças (2 -10 anos): Mosquiteiros / roupa (permetrina)
/ DEET <10% / Etylhexanediol (EHD) 25%
Selva / epidemia: DEET (50%) + permetrina nas
roupas
Carrapatos: Permetrina roupas e calçados
Literatura Sugerida:
- Brown, M; Hebert, AA. Insect repellents:
An overview J Am Acad Dermatol 1997;36:243-9
- Fradin, MS. Mosquitoes and Mosquito
Repellents: A Clinician's Guide. An Int Med
1998. 128:931-940.
- Griffiths, WAD; Wilkinson, JD. Cap 78:
Topical Theraphy: Repellents and related
contents. In: Rook: Textbook of Dermatology.
1998. London. Blackwel-Science.
- Curtis CF. Fact and fiction in mosquito
attraction and repulsion. Parasitology Today.
1986;2:316-8
- Buescher MD, Rutledge LC, Wirtz RA,
Nelson JH. The dose-persistence relationship
of deet against Aedes aegypti. Mosquito
News. 1983;43:364-6.
- Quarles W. Botanical mosquito repellents.
Common Sense Pest Control. 1996;12:12-9.
- Nasci RS, Harris CW, Porter CK. Failure
of an insect electrocuting device to reduce
mosquito biting. Mosquito News.
1983;43:180-3.
- Lewis DJ, Fairchild WL, Leprince DJ.
Evaluation of an electronic mosquito
repeller. Canadian Entomologist.
1982;114:699-702.
- Fradin MS et al. N Engl J Med 2002; 347
(1):13-6
Comentários e
Sugestões:
heliomiot@uol.com.br
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