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Dermatologia A micose na praia

Dr. José Trindade Filho
Dermatologista

As micoses se incluem no grupo das doenças da pele mais freqüentes. A condição de vivermos em um país tropical ensolarado, a freqüência às praias, o contato com roupas molhadas e a sudorese intensa são, dentre outros, os ingredientes que influem na disseminação das micoses.

Há diversos tipos de micoses: as superficiais, em geral, banais, de bom prognóstico e tratamento fácil, e as profundas, mais graves e de tratamento mais difícil.

A micose de praia é a mais freqüente e banal das micoses superficiais. Pano, pano branco ou manchas do fígado são outras denominações populares desta micose que, dermatologicamente, tem o nome de Pitirase versicolor.

É muito difundida em todas as partes do mundo, predominando nos países de clima quente. É produzida por um fungo (cogumelo) microscópico - Malassezia furfur - que parasita a superfície da pele do indivíduo onde clinicamente vão determinar o aparecimento de manchas amareladas, brancos ou pardecentas, podendo assumir, porém outras tonalidades, daí o termo versicolor na denominação da doença.

Para sua melhor caracterização clínica é também importante uma descamação fina que se evidencia ao serem raspadas as lesões com a unha.

Normalmente, não há queixas de sintomas, embora alguns possam se queixar de coceira ou formigamento, principalmente devido a exposição solar.

Com certa freqüência, a P. versicolor está associada com oleosidade e descamação no couro cabeludo (caspa) onde também costumam ser encontrados os fungos.

As lesões localizam-se, de preferência, no tronco, pescoço e braços, sem tratamento adequado podem-se espalhar para toda a superfície corporal.

A denominação popular de micose de praia se prende a crença de que o contágio se dê na praia, o que nem sempre é verdadeiro. Ocorre que a constatação da micose, na maioria das vezes, se faz após a freqüência intensa e repetida à praia, em dias de sol muito forte. É provável que o fungo já esteja presente na pele do indivíduo antes da ida à praia. Sob a ação dos raios solares, as áreas da pele isentas do parasita se pigmentam normalmente enquanto que nos locais onde estão as colônias do fungo, a pele assume tonalidades diferentes, surgindo daí o contraste, indicador da micose.

A denominação de mancha do fígado também não tem fundamento, pois, este órgão não tem qualquer participação na causa desta micose.

O diagnóstico é relativamente fácil, pois, em geral, as lesões são bem características. O próprio paciente, quase sempre, ao consultar o dermatologista, já refere ser portador de micose de praia.

No entanto, é bom lembrar que em casos especiais, as lesões de P. versicolor podem ser confundidas com outras doenças de pele que também dão manchas brancas, tais como: Vitiligo, Hanseníase, Dermatite Seborréica, Sífilis, Discromias, etc...

A confirmação do diagnóstico, em caso de dúvida, pode ser feita em laboratório, através do exame da descamação fina que se desprende das lesões, por raspagem. Ao microscópio, os fungos são facilmente visualizados.

Há diversos esquemas terapêuticos e profiláticos da Pitiriase versicolor. Caberá ao seu dermatologista indicar o melhor para o seu caso.
  Publicado em: 25.02.1998

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