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Dermatologia Fotografia dermatológica

Dr. Dacio Burjato Júnior
Dermatologista
Médico assistente do Departamento de Dermatologia do HC-USP

A fotografia em dermatologia tornou-se um acessório obrigatório porque - a imagem é um suporte perfeitamente adaptado a observação médica. Com ela é possível o seguimento do quadro clínico e a troca de comunicação médica.

Leia sobre:

bullet Equipamento Fotográfico
bullet Iluminação
bullet Fotografia Dermatológica (Macrofotografia e Microfotografia)
bullet Arquivamento e conservação

EQUIPAMENTO FOTOGRÁFICO

O equipamento fotográfico para uso dermatológico resume-se numa câmara que usa filme de 35mm de bitola, por ser mais leve, fácil de usar e pode produzir imagem em filmes reversíveis de 35mm que após processado serão montados em molduras de 5x5cm de fácil manejo e arquivamento.

A câmara fotográfica é composta por:

  1. Corpo - constitui de uma caixa formada de vários componentes que protegem o filme contra qualquer tipo de luz, menos aquele que entra através da objetiva no momento da foto.
  2. Visor - mostra o objeto a ser fotografado, permitindo ao fotógrafo o estudo do ângulo a ser fotografado. Denominamos sistema reflex quando esse ângulo de visão é feito através da objetiva, evitando-se assim erro de paralax.
  3. Diafragma e obturador - O diafragma controla a quantidade de luz que chega ao filme, e o obturador, o tempo de incidência de luz. Na hora do disparo, o diafragma e o obturador se abrem e se movimentam dentro de um sincronismo ótimo previamente programado pelo fotógrafo, ou de forma automática comandada pela próprio câmara (câmaras automáticas).
  4. Objetiva - Elemento fundamental do aparelho fotográfico onde se acenta toda a qualidade óptica do sistema. É possível através dela, focar o objeto e via de regra, substituí-la por outra objetiva de distância focal menor ou maior, dependendo do trabalho a ser executado.

Denominamos distância focal (DF) a distância entre o plano do filme e o centro da objetiva. Essa focal (DF) pode ser fixa ou variável.

A escolha da distância focal determina a perspectiva. Uma objetiva de distância focal de 50mm corresponde aproximadamente ao ângulo de visão humana (58 ). Na prática dermatológica não é aconselhável o uso de objetivas grande angulares devido a deformação por elas produzidas, exceto quando desejamos fotografar paciente de corpo inteiro.

Para fotos de face e mesmo de segmentos do corpo humano a objetivar de distância focal entre 70 e 105mm (macro) é a desejada, pela comodidade de seu uso, não necessitando muita aproximação do objeto e apresentar perspectiva favorável.

Quando a câmara fotográfica permite a medida da luz através da sua objetiva, feita por sensor (fotômetro) localizado no plano do filme, denominamos sistema TTL (Through the lens) avanço técnico importante que evita erro na medida da incidência da luz.

As objetivas de foco automático apresentam um avanço tecnológico e funcionam baseando-se na diferença de contrastes objeto a ser fotografado, podendo ser, de valor limitado em fotografia dermatológica, quando necessitamos de grande aproximação e os contrastes muitas vezes são discretos.

Para obtermos uma boa fotografia não necessitamos, muitas vezes, um bom equipamento mas para obter uma boa fotografia dermatológica sim.

ILUMINAÇÃO

Para o olho humano, numa folha de papel é sempre branca em qualquer hora do dia, qualquer que seja a iluminação do ambiente, o filme fotográfico não possui essa mesma capacidade de adaptação. Podemos verificar isso, nas fotografias tomadas pela manhã quando há predomínio do tom azul e tom avermelhado quando a fotografia é realizada no fim da tarde. Por isso é de fundamental importância a padronização de luz utilizada na fotografia dermatológica, usando-se sempre um "flash" como fonte de luz. O "flash" pode ser colocado sobre a câmara, embutido na mesma (câmara moderna) e ainda sobre a extremidade da objetiva.

O controle da exposição ao "flash" pode ser normal baseado na experiência do fotógrafo que escolhe o diafragma apropriado em função do objeto, e distância a ser fotografada, uma vez que a quantidade de luz lançada pelo "flash" é constante.

Mais recentemente uma célula que mede a quantidade de luz foi integrada a alguns "flashs" mais modernos medindo essa quantidade de luz vinda através da objetiva ("flash" e objetiva TTL) podendo assim interromper a quantidade de luz do "flash", quando esta já se tornou ideal no filme a ser impressionado.

Essa tecnologia (TTL) é encontrada na maioria das câmaras e "flashs" modernos e representam uma evolução considerável mas apresentam algumas limitações em fotografia dermatológica.

O "flash" usado deve ser possante (Número guia > 12) e três tipos são disponíveis:

"Flash" frontal exterior - colocado frontalmente em uma inclinação de 85 possibilita boa iluminação com detalhe em lesões em relevo (pápula, nódulo).

"Flash" circular - por longo tempo considerado indispensável para fotografia médica por possibilitar foto de mucosa e cavidades e ainda diminuir reflexos e sombras sendo contudo, imperfeito nas fotografias onde o relevo é fundamental.

"Flash" incorporado - sua força luminária é limitada deixando muito a desejar quando necessário fotografar um objeto em grande aumento.

O uso de "flash" eletrônicos duplos, de luz refletida e de grande potência apresentam grande performance, mas exigem maior espaço físico e maior investimento financeiro.

FOTOGRAFIA DERMATOLÓGICA (Macrofotografia e fotomicrografia)

Denominamos macrografia a técnica de se obter uma imagem (I) maior do que o objeto (O) fotografado.

Uma câmara comum com objetiva normal não nos permite obter fotografias com grande aumento de imagem. Para termos uma idéia da relação imagem (I) e objeto (O) fotografados damos abaixo uma visão

Tipo de Foto 1:0
Fotografia comum < 1:10
Close-up 1:10 - 1:4
Macrofotografia 1:1 - 30:1
Fotomicrografia (microscópio) 30:1

Em fotografia dermatológica usamos uma relação de imagem objeto (1:0) 1:2 - 1:10 para fotografia de imagem de rosto inteiro e pequenas lesões nela localizadas. Com menor solicitação usamos 1:15 - 1:30 para foto de segmento de corpo.

Para obtermos um aumento de imagem em relação ao objeto podemos usar as lentes chamadas "close-up" que colocadas na frente da objetiva normal, permitem aumento da imagem fotografada. É solução econômica, mas com perda da definição da imagem nas bordas das lesões.

O uso de objetivas especiais denominadas "macro" é o mais indicado para a fotografia dermatológica, sendo a "macro" de l00mm a mais indicada, pois apresenta a melhor perspectiva. A macro 50 mm produz distorção em fotos de face "aumentando" o tamanho do nariz, mas com ela podemos resolver cerca de 90% dos trabalhos fotográficos dermatológicos.

Nas objetivas "macro" modernas as escalas de aumento vem rotuladas ao longo da objetiva facilitando o seu uso. Para tanto, quando vamos fotografar uma lesão com aumento 1:2 (por ex.) colocamos inicialmente o "foco" nesse aumento e depois com movimentação da câmara para diante e para traz focalizaremos o objeto. Isso é útil quando desejamos fazer seguimento terapêutica, pois a lesão poderá ser fotografada sempre com o mesmo aumento.

Para fotos de rosto inteiro devemos usar uma escala de aumento 1/0 de 1/10 procurando sempre montar uma linha imaginária horizontal que passa na ponta do nariz e lobo de orelha.

Fotos de cavidade bucal sugerimos escala de ampliação 1/4 usando-se sempre o flash circular.

Nos grandes aumentos 1:3, 1:2 e 1:1 devemos procurar usar um tripé, pois nesses aumentos, o foco torna-se extremamente lábil.

Para a iluminação usando-se a lente macro devemos usar sempre "flash" de razoável potência (número guia > 12) esse número geralmente é fornecido pelo fabricante e a abertura utilizada poderá ser calculada pela fórmula:

NG = Abertura do diafragma X Distância do flash ao objeto
Abertura do diafragma = NG : Distância do flash do objeto

Contudo, esse método mesmo sendo válido para a fotografia em geral, bem como o uso de sistemas automáticas no controle de luz e foco, não são às vezes recomendáveis para o uso de macrofotografia em medicina, quando necessitamos grande aumento da imagem recomendamos o uso de testes prévios com anotações para o perfeito controle das fotografias em dermatologia.

bullet abertura
bullet aumento 1/0
bullet sensibilidade do filme usado

Uma solução econômica para fotografia e fotografias dermatológicas com aumento não mais que 1:4 (Imagem: Objeto) seria o uso de câmara TTL reflex e objetiva zoom 35/70mm (macro). Essa objetiva teria uso em fotografia de modo geral e fotografia dermatológica.

Contudo, o máximo aumento está restrito na relação 1:4.

Além da parte técnica é muito importante que uma imagem científica seja registrada sem qualquer interferência como brincos, aparatos no cabelo, roupas de cores vivas e o fundo quando houver, deverá ser neutro (negro, cinza ou azul).

Finalmente devemos sempre lembrar do aspecto legal da fotografia, solicitando ao paciente por escrito a autorização para fotografá-lo e eventualmente reprodução da foto realizada.

ARQUIVAMENTO E CONSERVAÇÃO

Nos dias de hoje, onde ainda não foi possível o arquivamento de imagens em discos rígidos de informática, resta-nos preservar o arquivo de diapositivos evitando sua deteriorização.

O diapositivo possui em sua estrutura substâncias higroscópicas não somente na sua camada de formação de imagens como no suporte. A umidade pode provocar degeneração, provocando ao longo do tempo, reações químicas, mudanças na forma do objeto e propicia ainda, o desenvolvimento de fungos (degeneração biológica).

Além da umidade, outro fator importante são os produtos químicos residuais do processamento de revelação do diapositivo especialmente quando o fixador (tiossulfato de sódio) não for adequadamente removido na última etapa da revelação.

Por serem formados de substâncias orgânicas estão sujeitas a deterioração devido a ação da própria luz.

O manuseio incorreto do diapositivo (manipulado com as mãos) pode levar umidade e impressões digitais facilitando o desenvolvimento de fungos e mesmo pequenos riscos no diapositivo.

São fatores importantes na deterioração:

bullet umidade
bullet poluentes ambientais
bullet luz (exposição prolongada)
bullet fungos
bullet revelação inadequada (tiossulfato de sódio)

O filme colorido (diapositivo) é formado por três estruturas, uma sobre a outra - uma base plástica - a emulsão formadora de imagem e um ligante. A conservação do diapositivo requer cuidados especiais uma vez que sua composição básica é formada por substâncias deterioráveis.

Preservação do arquivo de diapositivos

Nos últimos anos verificou-se um significativo avanço na estabilidade dos corantes empregados, comprovados por testes de envelhecimento acelerado, realizados pela indústria e instituições independentes. Contudo, vale recomendar aqui alguns cuidados no sentido de preservar o diapositivo.

Uma das recomendações mais importantes é relativo ao arquivamento evitando-se montar diapositivo em molduras de papelão que absorvem umidade. Usar as molduras de plástico.

Arquivar os diapositivos em armário de aço em estruturas com ranhuras distantes uma das outras possibilitando a ventilação entre eles. As estruturas não devem ser higroscópicas (madeira, papelão, cloreto polivinil PVC).

Quando arquivar diapositivos em cartelas transparentes usar preferencialmente o polietileno ou prolipropileno que não aderem ao diapositivo (ao contrário do PVC) mesmo em condição desfavoráveis de umidade.

Manter a umidade relativa do ar (UR) sempre inferior a 65% usando-se em áreas de grande volume de arquivamento um termômetro higroscópico. Nas áreas de arquivamento menor podemos usar a sílica gel.

Manusear os diapositivos sempre com luvas de algodão. Processamento dos filmes em laboratório de confiança.

Limpeza e remoção de fungos

A limpeza de diapositivos pode ser realizada em laboratório de processamento onde sofrem um processo de limpeza semelhante ao processo final de revelação após a fixação, ou ainda usando produtos químicos produzidos pelas grandes firmas do ramo (Kodak) próprias para esse fim.

A remoção de fungos da superfície podem ser feitas com algodão levemente umedecido com tricloroetano com cuidado e superficialmente passar sobre o diapositivo verificando-se se o mesmo não está sendo solubilizado pelo produto.

O tricloroetano é um composto orgânico tóxico que deve ser usado com cuidado, próximo a áreas ventiladas para se evitar contaminação por inalação.

O diapositivo limpo e recuperado deve ser novamente untado em moldura plástica, utilizando-se sempre luva de algodão no manuseio das transparências.
  Publicado em 01.09.1997

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