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102 anos, no dia 07 de março de 1885, o Dr. Luiz Pereira
Barreto, reuniu na rua São Bento, a elite médica
paulista, para agremiá-la, a fim de fortalecer a classe,
tendo em vista o bom resultado que poderia advir da troca
de idéias, pelo fato de cada associado contribuir com
sua experiência científica, obtida na clínica e no
estudo, para o ensinamento de todos e com aproveitamento
recíproco. Assim nasceu a Academia de Medicina de São
Paulo. Foram seus presidentes pessoas como Carlos
Botelho, Mathias Valadão, Arnaldo Vieira de Carvalho,
Diogo de Faria, J. Alves de Lima, Synésio Rangel
Pestana, Celestino Bourroul, Enjolras Vampré, Cantídio
de Moura Campos, Antônio de Almeida Prado, que marcaram
a história da medicina de São Paulo. Hoje integram os estatutos desta entidade os seguintes objetivos:
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Em suma, cabe a Academia zelar pela cultura médica. O denominador comum mínimo que se espera dos integrantes de uma Academia é a maturidade. A ninguém é mais exigido, do que aos maduros, a visão global dos problemas. Diante destes fatos, cabe à Academia de Medicina de São Paulo analisar os problemas nacionais e participar de suas soluções. A Academia dispõe de grande força latente que pode ser colocada à serviço da Nação. Seu quadro é de quatro centenas de médicos cujo ingresso dependeu da apresentação de um trabalho científico ou do julgamento do memorial descritivo das suas atividades profissionais, científicas, diadáticas e sociais, por uma comissão científica de alto nível. Todos eles contam hoje com mais de dez anos de ativo exercício profissional. A competência e a maturidade assim comprovadas dão a garantia da qualidade de serviços que eles podem prestar. A Academia foi reconhecida como sendo de utilidade pública Federal em 06 de junho de 1925, e depois como sendo de utilidade pública Estadual pelo decreto de 26 de novembro de 1934. No decorrer desses cem (100) anos, o mundo mudou muito, a tecnologia invadiu a medicina e o íntimo de cada um de nós. Nunca houve tanta fartura de exames contrastando com tanta insatisfação do paciente. A relação médico paciente foi deteriorada e hoje ela é praticamente virtual. Sabe-se, e está comprovado, que dois terços dos exames realizados hoje em dia, são desnecessários, pois são pedidos sem critério e muitas vezes são utilizados para substituir a história e o exame físico. Após, séries seguidas de exames, os pacientes continuam com a mesma queixa, pois o médico não parou para ouvi-lo e a máquina, por melhor que seja, não tem condições de detectar alterações, que muitas vezes são psicossomáticas, mas que existem, e precisam ser sanadas. Não serão exames, e mais exames, que poderão resolver o problema do paciente. Ele precisa também do calor humano. Uma análise objetiva da atual situação do médico no país, mostra que o assédio de informações ao qual ele está exposto, aliado à falta de formação e maturidade resualta na rotura do veículo da relação médico-paciente e conseqüente insatisfação deste. Formam-se anualmente no país 8.000 médicos. É sabido que após seis (6) anos de Universidade, o jovem não está preparado para cuidar do doente, e a residência médica tornou-se imprescindível para completar sua formação profissional, esta passou a ser um supletivo do curso médico, e apenas, só a metade dels, tem essa oportunidade, por limitação do número de vagas. Os demais, 4.000 médicos, vão para o mercado de trabalho imediatamente, diretamente sem maior preparo. São jovens com no mínimo 24 anos de idade e com direito social de se manter. Em levantamento recente, descobriu-se que mais da metade dos médicos que exercem clínica geral não estão qualificados para tal, o fazem por exclusão e, não, por opção. Os jovens que estão clinicando, sem o devido treinamento, após terminarem o curso médico, nem imaginam o quanto ignoram. É nosso dever despertá-los para a realidade, dar oportunidade de aumentar seu conhecimento e principalmente orientá-los, permanentemente e sempre que sentirem necessidade, vamos acolher aqueles que querem melhorar a qualidade médica, isto certamente reverterá para o bem de todos e, principalmente do doente. Assim motivada, a Academia de Medicina criou o I Curso de Especialização em Clínica Médica que será ministrado pelos seus membros e colaboradores e terá início no dia 19 de maio do corrente com programação de 370 horas entre parte teórica, discussão de casos e estudo. Está aberto a todos que estiverem interessados em se qualificar. A Academia de Medicina de São Paulo com apoio da Faculdade Ibero Americana publica trimestralmente a Revista Cultura e Saúde de âmbito médico cultural, além de seu Jornal "Venha e Participe" que é uma publicação bimestral com informações dos membros da Academia. Tem reuniões mensais com seus membros titulares com palestra de um convidado a respeito de assunto de interesse geral. Nesse período em que a saúde nacional se encontra em crise a Academia tem como desafio, ajudar a resgatar a imagem do médico, pela competência, para que os recursos teóricos-científicos possam ser plena e corretamente utilizados e o médico, volte a ser respeitado, como médico e o doente, tratado não apenas da doença, mas como ser humano. A
Presidenta da Academia de Medicina de São Paulo |