::: BONS RESULTADOS E GRATUIDADE ATRAEM PARTICIPANTES
Para o
coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Alcool e
Drogas (GREA), Arthur Guerra de Andrade, os grupos de ajuda mútua
constituem um auxílio excepcional no tratamento de comportamentos
compulsivos.
"A preocupação básica dos grupos de
anônimos não se resume em obter números significativos de
participantes, mas em oferecer uma alternativa relevante para quem
deseja realmente se recuperar", avalia.
Em cada
10 pessoas que vão conhecer o trabalho dos grupos - constatou Andrade
- duas permanecem, duas não retornam, duas ficam em dúvida mas
permanecem, duas ficam em dúvida e saem das reuniões, e duas ficam
indecisas.
"Algumas pessoas não se identificam
com a filosofia dos grupos porque acreditam que o seu caso é único,
especial e, portanto, diferente dos demais. Outros acreditam
controlar a situação e não concordam com a abstinência total. Outros
ainda não se idantificam com os membros dos grupos porque não se
vêem misturados a pessoas de classes sociais diferentes, discutindo
seus problemas particulares", explica o especialista, que também
coordena o GREA - Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e
Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e faz parte do
ICAA (International Concil on Alcohol and Addictions).
Na
opinião de Andrade, três razões básicas motivam a participação nos
grupos. A primeira é a filosofia e os resultados, que podem ser
constatados em todo o mundo. A segunda refere-se ao sistema de
tratamento, que não utiliza medicamentos como coadjuvantes na
recuperação do indivíduo. E a terceira está ligada ao fato de não
haver relação comercial estabelecida entre a irmandade e seus membros.
A participação é totalmente gratuita.
Segundo o
psiquiatra, os grupos de ajuda mútua devem integrar programas amplos
de dependência química nas empresas, com etapas de prevenção e
educação.
"As empresas lidam com dois problemas:
por um lado, o preconceito ainda é muito grande em relação aos
grupos e, de outro, há uma crença de que apenas eles são suficientes
para recuperar o empregado dependente. Ledo engano. Tratar apenas
não resolve. Tem que prevenir e educar",acrescenta.