:::FUTUROS MÉDICOS SE ENTORPECEM

baseado em texto de Arthur Guerra de Andrade

O uso de drogas é freqüente entre estudantes de medicina, e se acentua conforme o curso avança. Uma pesquisa sobre uso de drogas por estudantes de Medicina revelou que a grande maioria (85,5%) utiliza bebidas alcoólicas regularmente, 15,2% fumam maconha, 13,3% inalam éter e 7,5% tomam tranqüilizantes. O uso dessas drogas aumenta conforme se aproxima o final do curso.

A pesquisa foi feita pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos de Alcoolismo e Farmacodependências (Grea) do Hospital das Clínicas, que coletou dados durante cinco anos (de 1991 a 1995) e depois os tabulou.

Segundo o Dr. Arthur Guerra, coordenador da pesquisa, os estudantes foram submetidos a um questionário que lhes garantia anonimato com perguntas sobre o tipo de droga e freqüência de sua utilização. Antes de o trabalho ser iniciado, pensava-se que os estudantes da Capital (das Faculdades de Medicina da USP e da Santa Casa, por exemplo) fizessem menos uso de drogas, pois a maioria mora com os pais e por isso teria uma vida mais regrada, ao contrário daqueles que vivem nas repúblicas do Interior (como em Botucatu e São José do Rio Preto, que em geral recebem estudantes de outras cidades). Porém isto não foi constatado, conforme diz o Dr. Artur Guerra, o uso de drogas pelos estudantes de Medicina é homogêneo e independe do fato de estudarem longe de suas famílias ou não. É comum os estudantes de Medicina usarem tranqüilizantes como Diazepan, Dienpax e Vallium, por exemplo, para relaxar depois de uma noite de plantão.

Foi constatado que vários desses estudantes usam drogas porque têm mais acesso a elas nas farmácias dos hospitais, onde é fácil encontrar éter, calmantes e estimulantes (anfetaminas);ou por causa desses futuros médicos não conseguirem apagar lembranças desagradáveis, como as de ter visto pessoas agonizando, por exemplo, o que explica a intensificação do uso de psicotrópicos no final do curso, época em que os estudantes fazem estágio e têm suas responsabilidades aumentadas, surgindo assimo o estresse; ou então pelo fato de muito deles terem perdido parte da adolescência em estudos e preparação para o vestibular dessa área, que é um dos mais concorridos, e quando entram na faculdade, muitos querem recuperar o tempo perdido.

Um dos objetivos do projeto é preparar melhor os estudantes de Medicina para que eles saibam como agir diante de um paciente toxicômaco.

O GREA também quer voltar a pesquisar esses alunos dentro de cerca de cinco anos, quando já estiverem exercendo a profissão, e pretende estender a pesquisa ao estudantes dos outros cursos da Universidade de São Paulo.